BMW M135i AUTO 3.0 326cv


Data: 19 Novembro, 2017

Rápido e atlético, o M135i é um carro que dá luta. Arreganha o dente a provocações e exige mão firme. Se fosse cão seria um Dobermann com açaime.

A concorrência é forte. Muito forte. Basta lembrar o temível Mercedes A45 AMG, que de um motor bastante mais pequeno (2.0 litros e 4 cilindros) extrai 360 CV. Mas essa concorrência, mesmo quando não chega a tanto (300 CV no S3 e no Golf R), divide sempre a potência por todas as quatro rodas. É precisamente aqui que está a alma desta versão “não xDrive” do M135i, talhada para quem gosta de domar a fera.

Ensaio publicado na Revista Turbo 406, de julho de 2015

Metodologia não aplicada neste ensaio. Passar para o capítulo "Mecânica".

Metodologia não aplicada neste ensaio. Passar para o capítulo "Mecânica".

Com o sublime motor turbo de seis cilindros em linha agora a disparar 326 CV, este M135i é o Série 1 mais explosivo da gama. Recebe apenas a assinatura M Performance mas é uma digna aproximação à divisão Motorsport, como a sua aparência bem indica. Mesmo assim, a palavra “exuberância” não encaixa neste M135i. Neste formato de 5 portas até passa por discreto. Só os mais atentos percebem, pelo contrabaixo do motor, que “há ali qualquer coisa…”

A assinatura espalha-se pelo habitáculo, dominado pelo belo volante M, bancos forrados a Alcântara, desportivos mas não integrais. A posição de condução continua tão perfeita como no primeiro Série 1 e a qualidade interior é elevadíssima.

Defendida pela estabilidade natural deste chassis, com o peso bem repartido pelos eixos (50/50), a BMW propõe a quem tiver 57 500€ disponíveis (menos 500€ com caixa manual) um carro que tanto pode ser uma bomba-relógio como uma fonte de diversão.

Travar conhecimento com este “quase M” é um processo que se exige longo, pelo respeito que merece o colossal seis cilindros de 3.0 litros, dotado da mais sofisticada tecnologia de comando de válvulas, injeção direta de alta precisão e sobrealimentação twin scroll, montado em posição norte-sul à frente do pequeno BMW de 4,34 m.

No degrau mais baixo do botão Driving Experience temos o modo de condução ECO PRO, em que a caixa mantém o motor abaixo das 1500 rpm. É neste modo e no Comfort que o M135i desliza com um silêncio interior que chega a bater a serenidade de uma carrinha Mercedes Classe C. Já no modo Sport há um mundo de diversões a explorar. O delicioso som das passagens de caixa, acompanhadas pelo resfolegar do turbo, levam-nos a rogar pragas à curva, por aparecer tão cedo. Mas basta descrever a primeira delas em carga, sentindo a precisão da direção e o rigor com que o carro se agarra à trajetória, para desejarmos ardentemente a seguinte. 

No Sport+ as rodas tratoras ganham nervosismo porque os anjos baixam a guarda, mas não completamente. Já o modo “tudo off” é aconselhável apenas seguindo o protocolo da sensatez, ou seja, garantindo o prévio aquecimento dos pneus e dos reflexos do condutor e, de preferência, em zonas com espaço para o sempre provável pião… Vêm então à superfície as maravilhas da mais pura tração traseira, com um poder mecânico que precisa apenas de 6,2 segundos (!) para disparar o M135i dos 40 aos 120 km/h. Tudo seria menos divertido se os pneus em ação não fossem os referenciais Michelin Pilot Super Sport, mais largos atrás (245/35R18) que à frente (225/40R18) e que, depois de bem quentes, se transformam em rolos de cola de contacto. Ainda assim, sem este chassis simplesmente sublime, com a suspensão mais firme, rebaixada 10 mm e um conjunto de travões que parecem estranhos a baixa velocidade mas ganham precisão com o frenesim, não seria fácil dominar os 450 Nm a partir das 1300 rpm. 

E se há carros com um potencial de diversão que faz esquecer consumos obscenos, este é um deles. A marca anuncia 7,5 litros aos cem, nós conseguimos 8,6 conduzindo-o fora da sua vocação. Quando nos começámos a divertir já as barras do gráfico ultrapassavam a escala dos 20L/100 a vermelho. Contando com este momento mais frenético a média final ficou nos 12 litros. Sem ele, talvez ficasse pelos dez. Para um batimento cardíaco destes, é um valor quase ecológico.

VEREDITO

Sabe bem andar devagar com um carro com tanto potencial de divertimento, mas sabe ainda melhor andar com ele depressa. Exige, no entanto, sensatez. Não é qualquer marca que arrisca colocar 326 CV só nas rodas traseiras.