BMW 740 LE vs Mercedes-Benz S 500 EL

Texto: Marco António / Fotografia: Vasco Estrelado
Data: 23 Setembro, 2017

Quase dois anos depois da Mercedes ter apresentado o primeiro Classe S plug-in, a BMW responde com uma proposta idêntica para o mais recente Série 7, cuja autonomia elétrica se pode estender até aos 48 quilómetros.

Hoje é um dado adquirido que o futuro da mobilidade passa pela eletrificação do automóvel e se nos segmentos mais baixos faz sentido que os carros sejam totalmente elétricos, nos segmentos mais altos e até nos mais desportivos a solução passa pela hibridização. A união de um motor de combustão com um motor elétrico aumenta a potência combinada e reduz consideravelmente os consumos e as emissões, aumentando o prazer de condução graças ao elevado binário dos motores elétricos quase a partir da rotação zero. Esta foi a solução escolhida pela BMW e Mercedes para os seus mais recentes modelos topo de gama.

 

HARMONIA PERFEITA

Embora estes carros tenham mais de 5 metros nestas duas versões mais longas, nenhum deles parece ser tão grande! Só nos apercebemos do tamanho quando nos confrontamos com a falta de espaço para os arrumar. Nessa altura são bem-vindas as ajudas disponíveis, como os excecionais sistemas de visão periférica ou a nitidez das câmaras de marcha atrás, que garantem um estacionamento milimétrico.

Destaque para a chave do BMW, que tem uma função inédita e inovadora, ao permitir que estacionemos o carro a partir do exterior, por exemplo num espaço cuja largura não dê para abrir as portas. Mais do que as virtudes de cada um dos sistemas híbridos sumariamente descritos interessa igualmente realçar o bom equilíbrio ou a harmonia que estes carros alcançam ao conjugarem uma grande economia de utilização com um conforto que enaltece a vocação estradista de cada um e uma agilidade suprema.

Isso deve-se, sobretudo, ao desempenho da suspensão pneumática adaptativa, que contraria o rolamento em curva, controlando muito bem as transferências de peso, além de filtrarem muito bem as irregularidades.

Passar à secção seguinte. Não contemplado neste artigo.

Poupadinhos

Munido de um motor V6 de 3 litros a gasolina com 333 CV e um motor elétrico de 116 CV, a potência combinada do Mercedes ascende aos 442 CV, um valor semelhante ao motor V8 do S 500 normal, com a vantagem de oferecer consumos e emissões bastante mais baixos. Já o BMW recorre a um motor de 2 litros a gasolina com 4 cilindros e 258 CV. O motor elétrico tem a mesma potência do motor usado pela Mercedes. No total, a potência gerada é de 326 CV, um valor que, não sendo tão elevado quanto o seu adversário, não mancha o seu bom desempenho do ponto de vista dinâmico, pois as prestações não diferem muito do seu conterrâneo

 

VÁRIOS MODOS DE UTILIZAÇÃO

No BMW, aos três modos do sistema eDrive (Auto eDrive, Max eDrive e Battery Control), somam-se outros tantos modos do controlo de Experiência de Condução (Eco Pro, Comfort e Sport) que, juntamente com o melhor desempenho da caixa automática de oito velocidades face à caixa automática de sete velocidades da Mercedes, pode justificar a diferença. De realçar que, por defeito, o arranque é sempre feito no modo elétrico nos dois casos, podendo este perdurar até aos 140 Km/h e desde que a pressão no pedal do acelerador não seja muito grande. Qualquer dos sistemas alerta o condutor, por meio de vibrações no pedal, para a possibilidade de andarmos à vela ou de realizar travagens regenerativas.

Essa ajuda só é possível graças ao cruzamento de dados recolhidos pelo radar de proximidade com os armazenados no sistema de navegação. Assim, um carro mais lento à nossa frente pode ser uma boa oportunidade para trocar o pedal do acelerador pelo travão, aproveitando essa energia para carregar a bateria.

Este aproveitamento é muito importante para a gestão da energia do BMW já que este não oferece a possibilidade de carregar totalmente a bateria em andamento, ao contrário do Mercedes. Neste, o modo “charge” permite um carregamento completo em andamento num espaço de 40 km, durante os quais o motor V6, que também faz de gerador, consome um pouco mais. É por isso aconselhável usar este modo apenas na auto-estrada com o cruise control ligado para não inflacionar muito a média.

Saliente-se que qualquer dos sistemas tem uma função que permite guardar a carga da bateria, para uma utilização posterior, por exemplo na cidade, onde faz mais sentido andarmos apenas no modo elétrico. Nessa altura, a potência fica reduzidas aos 116 CV do motor elétrico. Quando conjugamos um dos modos de cada sistema híbrido com os modos “Sport” ou “Comfort” que definem o tipo de condução mudamos, entre outros parâmetros, a resposta da caixa de velocidades e da direção, bem como o amortecimento e o “layout” da instrumentação.

BOA AUTONOMIA ELÉTRICA

Em relação aos seus antecessores apresentam a vantagem de uma maior autonomia elétrica, dada pela utilização de baterias que, tendo maior capacidade de carga, podem ser carregadas externamente.

Assim, enquanto a Mercedes anuncia uma autonomia de 33 km para o S 500e, a BMW não querendo ficar atrás, anuncia para o 740e uma autonomia máxima de 48 km.

Qualquer deles consegue esse objetivo até aos 140 km/h, o que não deixa de ser um feito notável tendo em conta a vocação estradista de cada um deles, neste caso valorizada pelas versões mais longas. O contributo do motor elétrico torna a utilização tão suave que o silêncio a bordo é de um conforto transbordante, para o qual contribuem outros fatores como as suspensões pneumáticas oferecidas por ambos, os bancos tipo poltronas com massagens à frente e atrás e uma aparelhagem com uma qualidade sonora isenta de qualquer crítica.

Além disso, qualquer um destes modelos oferece ainda uma vasta panóplia de opções, como o sistema iDrive atrás no BMW ou o sistema Comand no Mercedes.

Mas voltando ao sistema híbrido, razão pela qual marcamos encontro entre dois dos carros mais evoluídos do mercado do ponto de vista tecnológico, não há dúvida de que é este o caminho para marcas com a BMW e a Mercedes baixarem a média das emissões exigidas pela legislação europeia.

Ainda que ambas as marcas anunciem consumos inferiores a 3 l/100 km, essa é uma meta irrealista no dia-a-dia para carros que pesam mais de 2 toneladas. Mesmo assim, a relação peso/potência de ambos é bastante baixa (6,3 kg/CV para o BMW 740e e 5 kg/CV para o Mercedes S 500e), uma caraterística que justifica as excelentes prestações alcançadas.

Passados os primeiros 100 km em que o consumo real fica mais próximo do que cada uma das marcas anunciam, a partir daí ele sobe para valores superiores a 6l/100 km. Mesmo assim são valores excecionais tendo em conta a capacidade dinâmica de cada uma das soluções.

Como reconhecido por Andreas Docter, um dos responsáveis pelo programa de híbridos e elétricos da Mercedes, as metas de consumos que cada marca anuncia são muito difíceis de alcançar, pois resultam de bonificações que a norma europeia concede. Mesmo assim os resultados obtidos agora pelo Mercedes S 500e foram inferiores aos que já tínhamos obtido num ensaio anterior, o que prova a importância das condições de utilização.

Também o alcance em modo elétrico foi superior desta vez (31 km contra 27 km) mas inferior ao obtido pelo BMW 740e, embora este tenha uma bateria mais pequena. Uma razão possível para esse maior alcance pode estar numa carga útil eventualmente maior, bem como na gestão do sistema híbrido.

NEM TUDO SÃO VANTAGENS

No caso do BMW, a direção ativa integral transforma a condução do 740 eL num verdadeiro prazer, enquanto o sistema de travagem gere muito bem o aumento de peso devido à bateria.

Esta, para além de inflacionar o peso, rouba espaço à mala, com maior repercussão no Mercedes, que tem uma capacidade de apenas 395 litros (menos 115 litros que a versão normal e menos 25 litros que o BMW). Mais importante que a perda de capacidade da mala é a forma estranha que a bateria do Mercedes ocupa, ao ponto de parecer que ao conceberem o Mercedes S os técnicos não pensaram nesta versão híbrida, ao contrário da BMW, onde não se dá pela presença da bateria.

Embora o espaço disponível nas bagageiras fique mais limitado, os habitáculos são verdadeiros salões, pois o aumento das dimensões exteriores destas carroçarias mais longas proporciona um importante acréscimo de habitabilidade nos bancos traseiros, onde não faltam todas as mordomias, desde bancos tipo poltronas com massagens, até apoios para os pés para nos podermos refastelar, como acontece no banco traseiro do lado direito do BMW. Ao contrário do Mercedes, que só existe na versão longa, o BMW oferece uma versão curta mais barata.

E por falarmos em preços, uma das virtudes destas versões híbridas é competirem com os diesel, razão pela qual muitas empresas justifiquem a sua responsabilidade social do ponto de vista ambiental escolhendo estas opções para os seus presidentes.