No segmento dos grandes familiares os alemães lideram as preferências de uma clientela especial e exigente. A nova geração do A6 é disso exemplo, juntamente com o Classe E da Mercedes

Texto: Marco António / Fotografia: Vasco Estrelado
Data: 11 Agosto, 2019

Lançada no mercado nacional ao mesmo tempo que a versão Avant, a limousine do A6 herda as mesmas especificações, exceto na capacidade da mala e na versatilidade do habitáculo. Com uma estratégia menos conservadora, a quinta geração do A6 segue o estilo iniciado pelo A5, seguido depois pelo A7 e A8, do qual herda muitas tecnologias.

 

À semelhança do que acontece com a Mercedes, também a Audi quer com esta geração do A6 equilibrar o mix de vendas entre a carrinha e a limousine, ainda que o mercado tenda para a opção mais familiar. A geração anterior era disso exemplo, com a carrinha a contabilizar 80 por cento das preferências, um fenómeno que pode ser justificado por uma deriva ao segmento dos SUV onde a Audi e a Mercedes estão bem representadas. Embora seja o segmento dominante, nesta classe ainda há quem prefira o estilo e o charme de uma limousine.

 

Foi por isso que, embalados pelo lançamento do último modelo da marca dos anéis, juntamos o líder do segmento, o Classe E da Mercedes. Ambos estão aqui representados pelas versões menos potentes (o Audi com a versão 40 TDI de 204 cv e o Mercedes com o E 220 d de 194 cv), mas com a vantagem de oferecerem uma dinâmica muito superior a qualquer SUV equivalente (neste caso o Audi Q5 ou o Mercedes GLE) e níveis de conforto semelhantes.

 

Embora entre o lançamento do novo A6 e do Classe E haja um desfasamento de dois anos, não existe uma grande diferença tecnológica, inclusive no domínio da comunicação e do infotainment. O mesmo se passa com os níveis de qualidade atingidos por ambos. Não admira por isso que sejam modelos para durar muito tempo, talvez não tanto como no passado, mas seguramente muito mais que uma década e meia.

Geração digital

Na era da digitalização esta é a tendência que tem acompanhado todos os construtores, por isso não admira que no Audi A6 a generalidade dos comandos estejam integrados nos dois ecrãs que servem de base ao funcionamento do sistema MMI, agora com feedback háptico e acústico de forma a proporcionar um funcionamento mais intuitivo.

 

Embora dois anos mais velho, também o Mercedes segue a mesma tendência. A única diferença na versão ensaiada é que a instrumentação era analógica em vez de ser digital, uma opção que achamos interessante e que contrasta com anteriores versões ensaiadas onde também a instrumentação era totalmente digital.

Neste caso a instrumentação não podia ser reconfigurada como no Audi A6, para mostrar informação e imagens relevantes de acordo com as necessidades de condução. Mesmo assim o Mercedes mantém os botões de controlo táteis aplicados no volante que o Audi não tem, uma função que pode ser complementada por outros comandos táteis como o “touchpad” colocado a meio dos bancos da frente, num ambiente igualmente requintado e recheado de elementos de boa qualidade.

 

Interessante em ambos os modelos é a possibilidade da criação de uma rede wi-fi, o que permite por todos os ocupantes em rede, ao mesmo tempo que uma grande parte das funções de ambos os sistemas podem ser comandados por voz. No Audi uma função interessante é a possibilidade de darmos instruções por escrito, por exemplo, um endereço ou um nome da nossa lista de contactos no ecrã inferior que, quando não tem esta função ativada, serve de indicação de outros comandos como o ar condicionado.

Estas mordomias digitais são argumentos que contrastam com o posicionamento mais conservador destes dois modelos. Mesmo assim, são instrumentos cada vez mais apreciados, não só pelos clientes mais jovens como por aquela clientela da era analógica que vê nestes gadgets um acesso mais fácil ao mundo digital, que hoje domina as nossas vidas. Mesmo assim, continuamos a considerar que todas estas ajudas requerem treino e que muitas delas dão origem a um grau de distração tão grande quanto utilizar o telemóvel enquanto conduzimos.

Suplemento elétrico

Entre as muitas tecnologias que cada um oferece começamos por destacar no Audi A6 a solução “Mild-Hybrid” uma ajuda elétrica que torna o motor 2 litros Diesel mais económico (a Audi anuncia uma redução de 0,7 l/100 km), ainda que os valores reais obtidos não andem muito longe dos alcançados pelo Mercedes, que tem como ajuda uma caixa automática com mais duas velocidades (9 contra 7 velocidades). Se nos motores de 6 cilindros a Audi utiliza um sistema elétrico de 48 Volts, nesta versão mais fraca, a rede elétrica é de 12 Volts.

 

O Mercedes não tem neste caso o mesmo tipo de ajuda elétrica, no entanto está prevista para breve uma versão híbrida plug-in que promete uma autonomia elétrica até aos 50 km e consumos mais baixos. Este tipo de hibridização proposta pela Audi é transversal a todos as versões do A6. O seu funcionamento não podia ser mais simples ao regenerar a energia durante as travagens e nas desacelerações para a armazenar numa pequena bateria de iões de lítio, o que permite, por exemplo, que o sistema “start/stop” funcione abaixo dos 22 km/h e que o motor se desligue entre os 55 e os 160 km/h quando não há carga no acelerador.

 

No Mercedes a gestão energética não é tão sofisticada mas a caixa automática de nove velocidades tem uma intervenção que mitiga os consumos, daí que a diferença entre os valores oficiais seja a mesma dos valores reais (0,1 l/100 km). A mesma caixa é também responsável pelas melhores prestações do Mercedes, não sendo este mais potente que o Audi.

 

A diferença na aceleração do 0 aos 100 km/h ainda é significativa (7,3 contra 8,1 segundos). Além de beneficiar as prestações, a caixa 9G-Tronic da Mercedes suaviza o funcionamento do motor 2 litros de quatro cilindros, contendo o ruído, que nunca chega a atingir valores muito altos. No Audi a qualidade de construção continua a ser muito elevada, o que contribui para um conforto a bordo muito grande. Um conforto que é valorizado por outros requintes, como a redução quase total de botões no habitáculo. Em sua substituição aparecem vários painéis digitais.

Peso reduzido

A utilização cada vez mais intensa do alumínio e de outros materiais igualmente leves fez com que qualquer destes dois modelos, independentemente das dimensões, tenham um peso reduzido (o Mercedes consegue ser 5 kg mais leve que o Audi) e isso não só beneficia as prestações na razão direta da relação peso/potência ser mais baixa, como diminui os consumos e melhora, acima de tudo, o comportamento dinâmico que, em qualquer dos casos, é valorizado por outras ajudas importantes como o sistema “Drive Select” no caso da Audi e do “Dynamic Select” no Mercedes.

 

Ambos os sistemas permitem selecionar vários modos de condução, desde o mais económico ao mais desportivo, passando pelo mais confortável e, embora o modelo da estrela tivesse pneus de mais baixo perfil, o Audi continua a ter uma condução mais reativa e estimulante do ponto de vista desportivo, ainda que não seja esta a verdadeira vocação destes modelos.

Mesmo sem tração total, a tração dianteira do A6 consegue ser mais incisiva nas curvas frente a um Mercedes mais indeciso. No apuramento dinâmico do A6 é notória a preocupação de manter os genes da anterior geração. A tração total é uma opção que nesta versão Diesel menos potente do Audi tem a designação “ultra” por ser constituída por uma embraiagem multidisco que gere a distribuição da potência entre os dois eixos de uma forma simples, graças a uma gestão inteligente. Esta é uma opção que inflaciona naturalmente o preço, que se situa na mesma ordem de grandeza do Mercedes.

A diferença entre as versões mais baratas, que continuam a mandar para a lista das opções muitos equipamentos considerados essenciais neste segmento de mercado é, neste caso, de apenas 550 euros a favor do Audi, que tem a vantagem de ser novidade  e de se apresentar com um design renovado e diferente daquilo que tem sido a linha de continuidade de anteriores gerações.

 

Ao contrário de outros modelos em que as versões híbridas são as mais baratas, no caso do Mercedes Classe E o híbrido plug-in não é a opção mais acessível, pois a sua base não é o 220 d mas sim o 300d, que possui a versão mais potente deste motor Diesel de 4 cilindros. Bastante mais económica, essa versão com um grau de eletrificação superior custa 69 900 euros (49 900 euros para grandes frotas).

Audi A6 40 TDI

Preço 60 150 €

Motor Gasóleo; 4 cil. em linha; 1968 c.c.; 204 cv; 150 kw / 3750 - 4200 rpm

Binário 400 Nm / 1750 - 3500 rpm

Relação peso/potência 8,4 kg/cv

Transmissão Auto. de 7 velocidades

Peso 1720 kg

Comp./Larg./Alt. 4,93/1,88/1,45 m

Dist. entre eixos 2,92 m

Mala  530 l

Desempenho 8,1 S 0-100 km/h;

246 km/h VEL. MÁX.;

Consumo 4,5 (6,1*) L/100 km

Emissões CO2 117 g/km (Classe C)

 

Mercedes E  220 d

Preço 60 700 €

Motor Gasóleo; 4 cil. em linha; 1950 c.c.; 194 cv; 143 kw / 3800 rpm

Binário 400 Nm / 1600 - 2800 rpm

Relação peso/potência 8,8 kg/cv

Transmissão Auto. de 9 velocidades

Peso 1715 kg

Comp./Larg./Alt. 4,92/1,85/1,46 m

Dist. entre eixos 2,93 m

Mala 540 l

Desempenho 7,3 S 0-100 km/h; 240 km/h VEL. MÁX.;

Consumo 4,6 (6,2*) L/100 km