O novo Audi A6 Avant reúne argumentos suficientes para assustar os eternos rivais da BMW e da Mercedes. Para além de um estilo que rompe com um certo tradicionalismo, a marca dos anéis oferece um dos melhores pacotes tecnológicos da sua classe.

Texto: Marco António / Fotografia: Luís Viegas
Data: 6 Maio, 2019

Lançado há dias em Portugal, o Audi Avant, à semelhança da limousine, segue uma estratégia diferente de forma a calar as vozes críticas que acusavam a marca alemã de ser muito conservadora. Uma estratégia que começou no A5 e se estendeu ao A7, A8 e agora ao A6.

Cinquenta anos depois do Audi 100, a quinta geração do A6 segue o mesmo estilo dos seus irmãos e introduz as mesmas tecnologias, num segmento onde a aposta passa por equilibrar o mix de vendas entre a carrinha e a limousine. Se até aqui a versão Avant contabilizava 80 por cento das vendas, no futuro a meta é atingir uma relação 50/50 em linha com os seus concorrentes da BMW e da Mercedes. O mesmo se passa com o mix entre vendas a frotas e particulares que na anterior geração tinha uma relação de 79 /21.

O aumento das dimensões exteriores, não sendo muito grande (o comprimento tem pouco menos de 5 metros, a mesma medida da limousine em relação à qual só é 1 centímetro mais alta) não impediu que os autores do design do novo Audi Avant tenham conferido a esta versão mais familiar a mesma emotividade que deram à limousine.

Para essa perceção contribui não só a enorme grelha frontal single frame, agora inserida numa parte frontal mais poderosa graças a traços que realçam uma aparência mais musculada, como os vincos colocados na par te superior e inferior da carroçaria. Também o spoiler na parte traseira faz aumentar visualmente a silhueta, ao mesmo tempo que destaca o perfil desportivo que Wolf Seebers (designer da marca) disse querer introduzir no novo A6.

Menos conservador

O capot mais longo e o habitáculo mais recuado, juntamente com a tampa da mala mais curvilínea, garantem uma aerodinâmica otimizada, definida por um Cx (0,27) invulgar numa carrinha com estas dimensões. É este jogo cirúrgico de superfícies curvas que dá à forma do novo Audi Avant uma relação proporcional, diferente das anteriores receitas.

 

Não admira que, apesar das linhas mais desportivas, o novo A6 Avant mantenha uma bagageira espaçosa. Mesmo assim, a sua capacidade de 565 litros, que pode aumentar até 1680 litros se rebatermos as costas do banco traseiro, está aquém de algumas carrinhas mais pequenas, como o VW Passat Variant (650 litros), o Skoda Otavia Break (610 litros), ou o novo Ford Focus Sportbreak (608 litros). No segmento premium está à frente do Série 5 Touring, mas atrás do Classe E. Em compensação, tem um acesso mais baixo e algumas funcionalidades interessantes como o kit opcional de fixação de carga com barra telescópica.

 

O facto da porta da mala e da chapeleira serem elétricas também facilita o acesso a esse espaço com mais 35 litros que a limousine. Para além da capacidade da mala ter crescido, a habitabilidade aumentou e por isso o espaço para as pernas atrás supera o modelo anterior e alguns concorrentes em relação aos quais mantém um nível elevado de conforto. Um conforto que resulta de outros fatores como um aumento dos comandos digitais espalhados pelos dois ecrãs, um superior de 10,1 polegadas se o sistema MMI for o mais evoluído e um inferior de 8,6 polegadas.

Tudo é digital

Na era da digitalização esta é a tendência que tem acompanhado todos os construtores, por isso não admira que quase todos os comandos estejam integrados nos dois ecrãs que servem de suporte ao sistema MMI, agora com feedback háptico e acústico de forma a proporcionar uma operação mais intuitiva. A instrumentação é toda ela também digital e assume várias configurações.

Interessante também é a possibilidade da criação de uma rede wi-fi que permite pôr todos os ocupantes em rede, ao mesmo tempo que uma grande parte das funções do sistema MMI podem ser comandadas por voz, uma ajuda a juntar a outras como a possibilidade do condutor controlar novas funções a partir dos comandos do volante. Uma novidade que esta versão 40 TDI do Audi Avant não tinha é a nova chave digital em substituição da chave convencional. Com ela o A6 pode ser aberto/fechado e a ignição ligada através de um ou vários smartphones numa lógica de partilha.

 

 

Do lado da mecânica as novidades são imensas, a começar pela mesma plataforma do A8, aqui numa versão mais curta. Também o predomínio do alumínio na construção da plataforma e da carroçaria para além de aligeirar o peso contribui para um aumento da rigidez estrutural que com a possibilidade de juntar outras tecnologias como a suspensão pneumática e as quatro rodas direcionais melhoram consideravelmente o comportamento dinâmico.

As quatro rodas direcionais que a versão ensaiada não tinha, para além de otimizar o comportamento é uma excelente ajuda para manobrar o A6 Avant nas velocidades mais baixas, por exemplo, ao arrumar a carrinha em sítios apertados onde os sensores e a câmara de marcha atrás ou o estacionamento automático são outras ajudas importantes.

Ajuda elétrica

Outra novidade é a tecnologia “Mild-hybrid”, uma ajuda elétrica que reduz os consumos e as emissões. Se nos motores de 6 cilindros é aplicado um sistema elétrico primário de 48 Volts, nesta versão 2.0 TDI de 204 cv, a rede elétrica é de 12 Volts. Em ambos os casos o alternador funciona em conjunto com uma bateria de iões de lítio que, em condições reais, pode reduzir o consumo até 0,7 l/100 km. Durante o nosso ensaio esta ajuda contribuiu para registar consumos médios de 5 l/100 km.

Este pequeno apoio elétrico, que começa a ser vulgar em muitos carros, inclusive nos mais pequenos como no Suzuki Swift, nada tem a ver com os sistemas híbridos convencionais pois em momento algum o A6 Avant funciona no modo elétrico. Isso não invalida que, em determinadas circunstâncias e num intervalo de velocidades entre os 55 e os 160 km/h, o motor 2 litros possa ser desligado (função roda livre) aproveitando a inércia à semelhança do que acontece com o A7 e o A8.

Com tração dianteira esta versão 40 TDI vem equipada com uma caixa S tronic de sete velocidades de dupla embraiagem cujo escalonamento e funcionamento bastante suave contribui para uma condução descontraída e económica. Comparativamente às rivais, esta carrinha é uma das mais equilibradas na relação dinâmica/conforto.

 

Uma relação que pode ser ainda mais valorizada se optarmos pela tração quattro que, nesta versão Diesel menos potente, tem a designação “ultra” por ser constituída por uma embraiagem multidiscos, que gere a distribuição da potência entre os dois eixos, podendo inclusivamente desligar o eixo traseiro quando as circunstâncias não exigem uma ligação ao solo tão exigente.

Entretanto, o Audi drive select permite que o A6 Avant assuma várias atitudes, desde um comportamento mais económico e ecológico até uma reação mais desportiva, passando por uma postura mais confortável. De acordo com cada programa, assim o controlo dinâmico da direção, a suspensão com controlo de amortecimento e a caixa de velocidades assumem afinações diferentes.

Em resumo, o novo A6 Avant volta a ser uma das referências do seu segmento. Uma referência que tem um posicionamento de preço em linha com o Série 5 Touring da BMW e com o Classe E Station da Mercedes.

Audi A6 40 TDi Avant

Preço 59 950 €

Motor Gasóleo; 4 cil. em linha; 1968 c.c.; 204 cv; 150 kw/3750-4200 rpm

Binário 400 Nm/1750-3500

Relação peso/potência 8,75 kg/cv

Transmissão Auto. de 7 vel.

Peso 1785 kg

Comp./Larg./Alt. 4,93/1,88/1,49 m

Dist. entre eixos 2,92 m

Mala 565-1680 l

Desempenho 8,3 S 0-100 km/h; 241 km/h VEL. MÁX.;

Consumo 4,5 (5,8*) L/100 km

Emissões CO2 119 g/km (Classe C)

 

Artigo publicado na Revista Turbo 447, de dezembro de 2018. Descubra a nossa Edição Online