As novidades não param de crescer no reino dos SUV. É o caso de um dos mais recentes modelos da Volvo, o XC 60, agora com um motor Diesel (D3) de 150 cv mais económico. Para o confrontar escolhemos a versão do Alfa Romeo Stelvio com a mesma potência

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 1 Maio, 2019

Embora o aspeto convide a percursos mais radicais, nenhum destes dois SUV está orientado para um uso exigente fora de estrada, se bem que, com uns pneus adequados, o Volvo XC 60 consiga ter melhor desempenho num cenário desse tipo que o Alfa Romeo Stelvio, que tem uma altura ao solo menor (200 milímetros contra 216 milímetros) e uns ângulos de todo terreno supostamente piores. Mesmo sem tração às quatro rodas, por esta estar reservada para as versões mais potentes, ambos conseguem ultrapassar obstáculos simples, com uma diferença: enquanto o Volvo tem tração dianteira, o Alfa tem tração traseira, à boa maneira dos carros desportivos.

Não admira portanto que o SUV italiano, o primeiro do género da marca transalpina, tenha como base a mesma plataforma do Giulia. E se o Giulia é possivelmente a melhor ou uma das melhores berlinas do seu tamanho a curvar, o Stelvio, pelas razões já apontadas, herda o mesmo qualificativo no universo do segmento dos SUV.

Em termos de comportamento em estrada está ao nível de um Porsche Macan e por isso, mesmo sem o sistema de transmissão Q4, o seu desempenho é surpreendente frente ao Volvo XC 60 que, não sendo tão ágil no asfalto por privilegiar o conforto, consegue, apesar de tudo, um comportamento equilibrado, seja qual for o modo de condução utilizado. Esta caraterística assume contornos diferentes nas versões com suspensão pneumática, uma opção que o Stelvio não contempla, nem no Quadrifoglio de 510 cv, uma versão que não tem resposta no concorrente sueco. Em contrapartida, o XC 60 oferece uma versão hibrida mais ecológica, o T8.

 

Diferenças importantes

Neste jogo de “tu tens e eu não”, o SUV italiano destina-se claramente a condutores que valorizam uma reação mais desportiva e pretendem um carro com uma forma radicalmente diferente e fora de comum. Não admira que este seja um SUV preparado para receber motores potentes. A sua construção mais leve, por usar uma maior percentagem de alumínio (pesa menos 241 kg), é um dos segredos para as superiores prestações, conforme se pode ver na aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 8,8 segundos contra os 10,2 segundos do Volvo. As recuperações são mais difíceis de avaliar, uma vez que o Stelvio vem equipado com uma caixa automática de 8 velocidades, opção que esta versão D3 do Volvo não contempla.

Volvo mais funcional

Ao entrar no Volvo sente-se de imediato maior acolhimento, graças a uma seleção dos materiais mais criteriosa e a um desenho que, à escala, é muito parecido com o do XC90.  Seguindo a tendência, a instrumentação é digital, podendo esta ser configurável de acordo com os vários programas, facilmente selecionáveis a partir de um botão colocado ao lado do não menos original botão start/stop. O Alfa Romeo é, neste domínio, mais conservador, mas não rejeita a informação digital compilada na instrumentação e num ecrã central que, por ser muito mais pequeno que o do Volvo, tem uma leitura bastante mais difícil, além de não ser tátil.

 

À semelhança do XC 90, no XC60 o ecrã central tipo tablet, que se encontra numa posição mais prática de usar devido à sua orientação vertical, reúne a maior parte das funções multimédia e da climatização. A eliminação dos botões fixos não foi total, mas quase. Pela nossa experiência esta é uma ideia que agrada mais aos designers pela liberdade criativa, mas que não é tão bem aceite pelos departamentos de engenharia.

 

Com alguns materiais a carecer de serem revistos, a habitabilidade dos dois é muito semelhante, com destaque para o espaço das pernas atrás. Mesmo assim, o índice de habitabilidade medido coloca ambos atrás das principais referências, nomeadamente do Lexus NX, um dos SUV mais espaçosos do seu segmento.
Na mala, a capacidade oferecida pelo Stelvio (525 litros) supera em 20 litros a capacidade do Volvo XC 60 (505 litros), mas em compensação a bagageira do Volvo tem mais funcionalidades.

Embora a versão D3 seja o Diesel que menos consome na gama do XC 60, não consegue superar a melhor aptidão desportiva do Stelvio. Porquê? Simplesmente porque o maior peso do Volvo penaliza-o neste aspeto. Em contrapartida, o preço do modelo sueco é ligeiramente mais baixo.

Artigo publicado na Revista Turbo 446, de novembro de 2018. Descubra a nossa Edição Online

Esta metodologia não se aplica a este teste da Revista Turbo. Todo o texto encontra-se no capítulo inicial

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Alfa Romeo Stelvio 2.2D

Preço: 51 300€

Motor: Diesel; 4 cil. em linha; 2143 c.c.; 150 cv; 110 kw / 4000 rpm; 450 Nm / 1750 rpm; 11,1 kg/cv

Transmissão: Automática de 8 velocidades

Peso: 1679 kg

Dimensões (comp/çarg/alt/eixos): 4,68/1,90/1,66 m/2,81 m

Mala: 525 l

Prestações: 8,8 s 0-100 Km/h; 198 KM/H Vel máx.

Consumos: 4,7 (6,4*) l/100 Km

Emissões: 124 g/km (Classe D)

 

+ Motor / Equipamento / Habitabilidade
- Tamanho do ecrã / Ruído

Volvo XC 60 D3

Preço: 50 519€

Motor: Diesel; 4 cil. em linha; 1969 c.c.; 150 cv; 110 kw / 4250 rpm; 350 Nm / 1500-2500 rpm; 12,8 kg/cv

Transmissão: Manual de 6 vel.

Peso: 1920 kg

Dimensões (comp/larg/alt/eixos): 4,68/1,90/1,65 m/2,86 m

Mala: 505-1432 l

Prestações: 10,2 s 0-100 Km/h; 190 Km/h Vel. Máx.

Consumos: 5 (6,3 *) l/100 Km

Emissões: 131 g/km (Classe D)

 

+ Conforto / Qualidade / Segurança
- sem pneu sobressalente / Caixa manual