O Suzuki Swift Sport reedita o irreverente GTI das décadas de 80 e 90 e o Abarth 500-695 Rivali é um tributo a Carlo Abarth e a Carlo Riva, dois nomes incontornáveis do desporto automóvel e da indústria naval de recreio

Texto: Marco António / Fotografia: Luís Viegas
Data: 7 Abril, 2019

Enquanto a Suzuki prepara uma versão mais musculada do Swift Sport com motor de 180 cv, decidimos juntar a versão atual de 140 cv ao mítico Abarth 500-695 Rivale, uma série especial com motor de 180 cv que visa homenagear, simultaneamente, Carlo Abarth e Carlo Riva, duas lendas que marcaram em épocas diferentes o desporto automóvel e a construção de barcos de recreio, os conhecidos Riva. Ambos nutriam a paixão de partilhar emoções fortes, por isso não admira este tributo.

A Abarth enquanto marca resulta da aquisição da Fiat em 1971 e do desejo em promover a fama de um antigo preparador de automóveis de corrida fundada em 1949 do ponto de vista da imagem e comercial. A prova disso é o sucesso das suas vendas, que não têm parado de crescer na Europa e em Portugal, ao mesmo tempo que as novidades se multiplicam. Embora o nome da Abarth esteja ligado à Fiat, a verdade é que antes de 1971 o preparador italiano de ascendência austríaca trabalhou para outras marcas, incluindo a Porsche. Enquanto preparador desportivo da marca italiana há modelos que ainda hoje lembramos, como o Autobianchi A 112 Abarth, que tantas corridas animou na década de 60 e 70.

A mesma receita

O segredo de tamanha vitória é o mesmo que a Suzuki propõe, desde o famoso Swift GTI surgido no final da década de 80 e que tanto furor fez junto das camadas mais jovens com o seu motor 1.3 de 16 válvulas de 100 cv, capaz de levar o ponteiro até às 8000 rpm! A receita é a mesma e passa por reduzir o peso, aumentar a potência e dar uma aparência que desperte a atenção dos apaixonados por modelos desportivos. A cor amarela da versão ensaiada tem ainda a particularidade de lembrar a mesma cor que a marca japonesa usava no carro do Mundial de Ralis, embora haja mais seis opções no catálogo.

 

O mesmo já não acontece com o Abarth que usa as mesmas cores dos barcos Riva, uma pintura marítima bicolor nos tradicionais azul e cinzento separados peor uma linha dupla. Um azul que se estende ao interior, nomeadamente aos bancos em pele com o logo “Rivale” nos encostos de cabeça integrados à frente. Os painéis a imitar o mogno são uma opção que nos transporta para os antigos barcos da Riva fabricados em madeira e que, ainda hoje, têm o charme e o mesmo encanto.

 

No Suzuki o ambiente, para além de ser mais desafogado graças à superior habitabilidade, é mais hi-tech e menos revivalista. Porém não faltam os mesmos apontamentos, como os bancos desportivos que apoiam bem o condutor nos trajetos com mais curvas, o volante desportivo multifunções como agora se usa com base plana, os pedais em alumínio e um conjunto de informações complementares como o débito de potência e binário, bem como as acelerações laterais e longitudinais e a pressão do turbo e que aparecem com animação instantânea através de gráficos num pequeno painel colocado entre o velocímetro e o conta-rotações com o fundo vermelho.

Os mesmos ingredientes

Ao contrário do Abarth 500-695, o Suzuki Swift Sport não possui a função Sport que quando selecionada permite o acesso ao mesmo tipo de informações, desde a pressão do turbo num mostrador que se encontra à esquerda do volante até às acelerações laterais e longitudinais. Em ambos os casos estas são indicações preciosas quando resolvemos tirar partido do baixo peso e, consequentemente, da reduzida relação peso/potência, com nítida vantagem para o modelo italiano por este apresentar mais 40 cv e 20 Nm de binário.

A diferença está no facto desta versão especial do Abarth ser mais assanhada e não tanto por ser mais leve, pois ambos anunciam os mesmos 1045 kg, um valor que se deve a um rigoroso emagrecimento de ambos, com destaque para o Suzuki, cuja nova plataforma Heartect, para além de ser muito leve, tem uma elevada rigidez. Esta caraterística tão importante, muito mais num carro com estas caraterísticas, tem um efeito prático que se traduz por um comportamento dinâmico muito mais estimulante.

 

As dimensões mais compactas do Abarth, associadas a uma suspensão mais firme e apoiada por amortecedores Koni de dureza variável, graças ao sistema “Frequency Selective Damping”, dão a esta versão especial do modelo italiano algumas vantagens sobre o Suzuki Swift Sport, que também tem um amortecimento firme e uma altura ao solo 50 milí metros mais baixa. O diferencial mecânico autoblocante, que só pode ser montado no Abarth se este tiver caixa manual de 5 velocidades, marca a diferença quando puxamos pelos 180 cv.

 

O Suzuki não tem esta ajuda e por isso compreende-se que responda de outro modo sem que por isso deixe de ser também divertido de conduzir, apesar de ter tendência para escorregar de frente, com a consequente perda de motricidade. Numa próxima revisão seria bom dotar o pequeno desportivo japonês de um autoblocante, ou então de uma qualquer função eletrónica que simule o efeito autoblocante como acontece em muitos modelos de caraterísticas desportivas, nomeadamente o conhecido VW Golf GTI.

Autoblocante faz a diferença

As prestações do Suzuki são naturalmente inferiores, quer nas acelerações quer na velocidade máxima, que dependem diretamente da potência, quer nas recuperações, ainda que neste campo as comparações têm de contar com o facto da caixa ser de 6 velocidades, contra a inevitabilidade do Abarth só poder ter 5 velocidades, pois não há espaço para mais!  Em alternativa, o cliente pode optar por uma caixa manual robotizada igualmente de 5 velocidades, uma opção que impede o 500-695 Rivali de ter o diferencial autoblocante.

 

As 5 velocidades permitem neste caso um escalonamento que aproveita ao máximo a potência do motor. Um motor 1.4 T-Jet que em relação às versões menos musculadas vê a sua potência crescer até aos 180 cv (a mesma do 595 Competizione) por ter sobretudo uma maior pressão de sobrealimentação e escape Active Dual Mode desenvolvido em parceria com a Akrapovic, uma combinação que, além de favorecer a potência, dá ao Abarth 500-695 Rivali uma sonoridade que não deixa ninguém indiferente à sua passagem. Neste campo, o bloco BoosterJet é mais discreto, embora parte da potência que desenvolve se deva ao sistema de escape que, como o Abarth apresenta duas saídas.

Separados por 8 mil euros

Menos espigadote, o motor japonês é, porém, mais económico que o motor italiano, sobretudo porque o sistema de injeção direta é mais eficaz. O superior aumento da pressão de injeção e uma maior atomização do combustível graças aos injetores com sete orifícios fazem a diferença, mesmo quando puxamos pelas suas capacidades. A inflação não é nesse caso tão grande quanto no Abarth, que é quase sempre mais guloso.

 

Nele, a tentação de abusarmos do acelerador é maior pelas razões que já referimos. Na impossibilidade de termos para este encontro com o pequeno desportivo mais barato do mercado (22 211 euros sem a campanha) o Abarth de capota rígida, aceitámos esta versão semi descapotável sem que tivéssemos notado que a menor rigidez estrutural pusesse em causa o comportamento dinâmico. Para além dos custos de utilização serem ligeiramente superiores, o preço é também mais elevado. A diferença anda à volta dos 8 mil euros!

 

Ensaio publicado na Turbo 445

 

 

No fundo, é o preço a pagar pela exclusividade de uma versão única e numerada. Acreditamos que o cliente do Suzuki não é o cliente do Abarth, mas não é por isso que ambos deixam de ser dois dos pequenos desportivos mais emblemáticos do momento e se o Abarth tem no seu portfólio uma versão com os mesmo 140 cv do Suzuki, fala-se que a marca japonesa está a desenvolver uma versão Evolution com mais 40 cv.

Abarth 500-695 Rivale

Preço: 30 600 €

Motor: Gasolina; 4 cil. em linha; 1368 c.c.;

Potência: 180 cv; 250 kw / 5500 rpm

Binário: 250 Nm/3000 rpm

Relação Peso/Potência: 5,8 kg/cv

Transmissão: Manual de 5 velocidades

Peso: 1045 kg

Comp/Alt/Larg: 3,66/1,62/1,48 m

Dist. entre Eixos: 2,30 m

Mala: 185-550 l

Prestações: 6,7 s 0-100 Km/h; 225 KM/H Vel máx.

Consumos: 6 (7,2*) l/100 Km

Emissões: 139 g/km (Classe C)


+ Motor / Imagem / Comportamento
- Suspensão seca / Equipamento


Suzuki Swift Sport

Preço: 22 211 €

Motor: Gasolina; 4 cil. em linha; 1373 c.c.

Potência: 140 cv; 103 kw / 5500 rpm

Binário: 230 Nm/2500-3500 rpm

Relação Peso/Potência: 7,4 kg/cv

Transmissão: Manual de 6 velocidades

Peso: 1045 kg

Comp./Larg/Alt: 3,89/1,73/1,49 m

Dist. entre Eixos: 2,45 m

Mala: 265-947 l

Prestações: 8,1 s 0-100 Km/h; 210 Km/h Vel. Máx.

Consumos; 5,6 (6,6*) l/100 Km

Emissões: 125 g/km (Classe C)


+ Preço / Equipamento / Prestações
- Ruido / Suspensão seca