Tesla escolhe fábrica na Europa ainda este ano

Texto: Nuno Fatela
Data: 25 Julho, 2019

Este foi um dos pontos em destaque na apresentação dos mais recentes resultados financeiros (negativos) da marca. Considerando que a produção em diversas regiões é essencial para ser competitiva, vai ser escolhido em 2019 o local da fábrica Tesla na Europa. A marca também prepara o fabrico do Model 3 na China e já do Model Y em Freemont
A Tesla revelou os seus resultados financeiros do segundo trimestre do ano. Mas um dos destaques não esteve nas contas da empresa (novamente com prejuízos). O foco esteve no tema da produção, antecipando novidades durante os próximos meses. Isto porque Elon Musk confirmou que ainda em 2019 será escolhida a localização da fábrica da Tesla na Europa.

Vários locais têm sido apontados como possíveis, e a Alemanha é considerada a maior probabilidade. Mas também a Holanda, onde fica a sede europeia da marca, tem estado a ser veiculada como hípotese. E até Portugal, segundo alguns rumores, pode ser o local da fábrica Tesla na Europa.

Além de se preparar para anunciar este novo centro de produção, há mais novidades nesta área. Considerando que a produção local nas várias regiões é essencial para ser competitiva, a Tesla também investe em outras zonas do globo. Na China prepara-se para arrancar ainda este ano com o fabrico do Model 3. E em Freemont, Estados Unidos, a marca já começou a trabalhar para a chegada do crossover Model Y às linhas de produção, o que está previsto para o outono de 2020.

Continuam os prejuízos

A conferência de apresentação dos resultados financeiros, onde surgiu a informação relativa à fabrica da Tesla na Europa, voltou a trazer más notícias. No último trimestre a marca teve um prejuízo de 389 milhões de euros.

A questão mais grave é como, mesmo com o aumento das vendas, a Tesla não consegue gerar lucros. Entre abril e junho foram vendidos 77634 Model 3 (Musk diz ter superado os rivais, todos combinados, nos Estados Unidos, e também que se aproxima dos adversários premium na Europa). A isto juntam-se mais 17.722 unidades dos Model S e Model X. Valores que, aliás, vão de encontro à previsão de vender entre 360.000 e 400.000 carros este ano.

As receitas de 6,35 mil milhões de dólares da venda de automóveis foram, aliás, de encontro às previsões de analistas. Mas os prejuízos de quase 400 milhões estão 25% acima do esperado. E o próprio Musk chegou a afirmar que, embora previsse prejuízos no primeiro trimestre do ano, que esperava ter resultados positivos no exercício entre abril e junho. Apesar de tudo, o CEO disse que através do aumento das vendas a marca cresceu ao ponto de se conseguir financiar a ela própria.

A verdade é que os resultados financeiros da Tesla voltam a levantar fortes dúvidas. Basta ver que nem com as vendas em forte crescimento a marca consegue apresentar lucros de forma consistente. Uma situação que foi penalizada pelos investidores. Segundo a Bloomberg, após a apresentação dos resultados a cotação das ações da Tesla caiu 12%.

Musk desvaloriza mais prejuízos

Mas o fundador da marca mantém a esperança, prometendo que a segunda metade do exercício fiscal será “incrível”. Para esta fé muito contribui o aumento das vendas, que acima dos 50%. Por isso, o foco da empresa nos próximos meses estará na expansão da capacidade de produção, o aumento do volume de vendas e também em conseguir gerar mais fluxos de capitais.

Mas, aparentemente, Elon Musk desvaloriza os prejuízos da marca, optando por focar-se no crescimento mundial. Primeiro considerando que a marca espera “que o crescimento continue nos vários anos que vêm a níveis entre 50% e 100%”. E também fazendo fé que isso será suficiente para um futuro risonho. “Se essa tendência continuar, os resultados serão realmente fantásticos. [pausa no discurso] E achamos que vai continuar”.

Fonte: InsideEVS; Automotive News; mais fontes