Suzuki Vitara elétrico chega mais tarde mas em boa hora

A Suzuki assume que o seu primeiro automóvel 100% elétrico não inova face à concorrência e acrescenta que preferiu chegar mais tarde mas com a certeza de que não cometeria erros. Cumpriu. O e-Vitara chega a Portugal em maio com preços a partir de 31 239€, e até 426 km de autonomia

O e-Vitara, o primeiro Suzuki 100% elétrico, pouco tem a ver com o Vitara que manterá em comercialização as atuais versões híbridas a gasolina. A plataforma Heartech utilizada pelos modelos atuais cresceu significativos 20 centímetros e foi adaptada para receber a propulsão elétrica, nomeadamente a bateria que integra a estrutura, mas não é parte dela, como geralmente acontece as propostas nascidas de raiz.

A solução permite que a bateria se solte em caso de acidente grave (contribuindo para a segurança) e tem o mérito de economizar nos custos. De salientar que todo o desenvolvimento do e-Vitara é da exclusiva responsabilidade da Suzuki que mantém com a Toyota uma parceria financeira e estratégica mas apenas para o sistema híbrido (possibilitou o lançamento rápido do Across com base no Toyota RAV 4 e do Swace a partir do Corolla) deixando de fora a tecnologia 100% elétrica utilizada, por exemplo, na “família” BZ da Toyota.

Estilo diferenciado e construção sólida

Já a carroçaria cresceu em nove centímetros no comprimento (mede 4,3 metros) e apresenta formas esculpidas que pouco têm a ver com as soluções estilísticas que encontramos noutros modelos do construtor japonês. Em estreia, também, a assinatura luminosa na frente com três pequenos focos. Quanto ao formato SUV é definido pela altura ao solo que resulta das jantes de 18 ou 19 polegadas e da necessidade de alojar a bateria.

Construído na India, o e-Vitara repete os princípios já conhecidos da marca, nomeadamente a simplicidade e a robustez. A construção mostra-se sólida, ainda que com alguns pormenores que poderiam ser mais cuidados, como soldaduras e dobradiças demasiado à vista e forros passiveis de se soltarem com o tempo, o mesmo acontecendo com alguns revestimentos duros, como é o caso da parte superior do tablier ou das bolsas das portas.

O espaço é amplo para pessoas e bagagem (310 litros, segundo a norma VDA) mas a altura do piso e o banco traseiro colocado numa posição baixa obriga-nos a viajar com os joelhos fletidos tornando as viagens longas incómodas para indivíduos de estatura superior.

Nada de exibicionismos

Na frente os bancos são confortáveis estando revestidos em pele sintética perfurada e tecido negro, ou com uma combinação negro/castanho, tal como o tablier.

Este apresenta um desenho novo que destaca o painel de instrumentos de 10,25 polegadas que serve a habituais informações de condução, incluindo o computador de bordo, e o ecrã central de 10,1 polegadas para o sistema Suzuki Connect com as funcionalidades digitais, como é o caso do sistema de navegação (confuso), da interligação seis fios com o smartphone, da camara de camara de 360 graus (para a versão mais equipada) ou das as ajudas à condução que incluem o apoio a manutenção de faixa de rodagem, a travagem de emergência, o sistema de reconhecimento dos sinais de trânsito, assistente de luzes e o aviso de presença de outro veículo no ângulo morto.

Versões disponíveis

O Suzuki e-Vitara está disponível com duas opções de bateria com 49 kWh de capacidade ou 61 kWh e tração dianteira ou integral, neste caso com o sistema ALLGRIP “calibrado para a propulsão elétrica.

A bateria de menor capacidade apenas é utilizada pela versão de entrada de gama (31 239€ em campanha de lançamento da marca) e alimenta um único motor elétrico com 144 cv de potência que anuncia 344 km de autonomia. As restantes versões do Suzuki e-Vitara utilizam, então, a bateria de 61 kWh: no caso da proposta de tração dianteira o motor desenvolve 174 cv e a autonomia anunciada é de 426 cv (o preço começa em 35 813€).

Quanto à proposta de tração integral (41 709€) utiliza o mesmo motor de 174 cv no trem dianteiro e junta um segundo motor com 65 cv que aciona o eixo traseiro, o que resulta numa potência combinada de 184 cv. O sistema ALLGRIP-e apenas aciona o motor traseiro em casos de perda de aderência ou necessidade de potência adicional, o que explica que a potência total não seja igual à soma aritmética.

Consumo baixo e conforto são trunfos

Integrada na plataforma, a bateria (lítio-ferrofosfato) é arrefecida a água para uma gestão térmica mais eficaz. Segundo a Suzuki, num posto rápido (90 kW) 45 minutos bastam para elevar a carga de 10% até 80%, enquanto num carregador doméstico de 11 kW cinco horas e meia são suficientes para um carregamento completo.

Num primeiro contacto, em Madrid, conduzimos a versão de tração dianteira equipada com a bateria de 61 kWh e o motor de 174 cv. O aumento da distância entre eixos e da largura de vias, a par da colocação mais baixo do centro de gravidade (decorrente do peso da bateria) justifica a dinâmica bastante previsível.

O conforto está também em bom plano tal como a disponibilidade do motor que, no entanto, pareceu-nos ter na economia o mérito principal, com o consumo a situar-se facilmente nos 15 kWh/100 km, o que permite adivinhar uma autonomia real da ordem dos 380 km (a comprovar em futuro teste).

O novo Suzuki e-Vitara começa a ser vendido em Portugal já em maio com dois níveis de equipamento.