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Superfast – Super Ferrari aos 70 anos


Data: 8 de Abril, 2017

Para festejar os seus 70 anos de vida, a Ferrari fez um carro novo e montou-lhe o seu motor de produção em série mais potente de sempre. À semelhança do primeiro Ferrari da História, é um V12 atmosférico, mas as semelhanças acabam aí

Para assinalar os seus 70 anos a Ferrari fez um carro novo e dotou-o do motor mais potente que alguma vez colocou num carro de série: um V12 com 800 CV de potência e… atmosférico. É certo que o LaFerrari debita 963 CV mas convém lembrar que o consegue com dois motores.

Foi com um motor de 12 cilindros que a marca italiana se lançou para a história. Mas enquanto o modelo 125 S de 1947 tinha uma cilindrada de 1,5 litros, o carro que vem substituir o F12 Berlinetta e no qual se baseia (tal como o derivado “tour de france”, ou tdf) extrai toda a sua cavalaria de um bloco com 6,5 litros, ou seja, ainda maior que o utilizado naquele (6,3 litros).

O Superfast destina-se a quem não abdica das emoções de condução de um verdadeiro superdesportivo para utilizar tanto na estrada como na pista, mas que também exige os níveis de conforto e bem-estar de um carro de luxo. Motor central-dianteiro, tração traseira, formas esguias e aerodinâmicas desenhadas no Centro de Estilo Ferrari “embrulhadas” num reluzente vermelho “rosso settanta” alusivo às sete décadas parece ser a fórmula para o sucesso, como acontece, aliás, com todos os modelos da casa de Maranello.

Para atingir a sua potência máxima às 8000 rpm e uma potência específica de 123 CV/litro, o novo modelo beneficia das vantagens da injeção direta, neste caso e pela primeira vez a funcionar a uma altíssima pressão (350 bar), e também de um coletor de admissão específico de geometria variável, desenvolvido a partir da fórmula 1.

Cerca de 80 por cento do binário máximo de 718 Nm às 7000 rpm fica disponível logo a partir das 3500 rpm para benefício da facilidade de utilização do motor em situações de circulação normal, enquanto a transmissão está a cargo de uma caixa automática de sete velocidades com dupla embraiagem. Mais revolucionária é a direção, já que pela primeira vez e depois de praticamente todas as suas rivais especializadas em superdesportivos, a Ferrari aderiu a um sistema de assistência eletromecânica, o que não deixa de constituir uma surpresa, já que a casa italiana nunca quis abdicar do acréscimo de interação proporcionado pelo tradicional sistema de assistência hidráulica. “Porque o 812 Superfast está equipado com componentes e sistemas de controlo da última geração e distingue-se por um comportamento dinâmico único”, afirma a construtora em comunicado.

A servoassistência elétrica surge aqui associada a outros sistemas eletrónicos de ajuda à condução, todos eles vocacionados para explorar o mais possível a veia desportiva do Superfast. É o caso da geração 5.0 do Side Slip Control (SSC), também conhecido do modelo anterior e que não é mais do que uma função do ESP que permite ao condutor andar de lado mas com a situação sempre supervisionada pelos chips da eletrónica. Outro sistema capaz de levar o Superfast a quase desafiar as leis da física é o Passo Corto Virtuale (PCV), uma forma muita figurada de descrever o sistema de rodas direcionais traseiras que o 612tdf já tinha e que, de facto, tem um efeito semelhante ao encurtamento da distância entre eixos do 812 nas curvas mais lentas. Ainda assim, a marca garante que esta é uma versão mais evoluída do dispositivo, capaz de aumentar a agilidade do carro, reduzindo o tempo de resposta às orientações do volante.

O estilo não engana

As parecenças exteriores com o F12 são indiscutíveis, mas a inspiração estilística do novo modelo recua muito mais no tempo, “até ao 365 GTB4 de 1969”, segundo a marca. A elevada performance e a potência quase pornográfica do V12 são bem publicitadas pelas formas do carro, de linhas traseiras muito horizontais para enfatizar a largura, belíssimas entradas de ar no capô sobre os faróis, sendo estes, tanto os dianteiros como os traseiros, totalmente preenchidos por óticas LED. Quatro ponteiras de escape de avantajado calibre falam também diretamente ao coração V12, com a Ferrari a referir que, junto com as suas bombásticas prestações, o Superfast brinda quem guia mas também quem passa com uma sonoridade digna de respeito e da tradição Ferrari.

Há também no para-choques dianteiro aquilo a que a marca chama um bypass aerodinâmico, para aumentar a carga sobre o eixo dianteiro e assim manter as rodas deste eixo bem coladas ao chão. Sensações únicas que se podem sentir lá dentro, sendo precisamente no habitáculo que talvez mais se sinta esta dupla vocação de desportivo luxuoso do Superfast. Apesar disso, o habitáculo deixa sempre transparecer no design a orientação extremista que se lê no exterior. Todos os componentes principais e grupos de comandos assumem uma posição flutuante, não encastrada, típica dos modelos mais recentes da marca mas também dos superdesportivos mais avançados e sofisticados. O efeito visual é o de um conjunto de refinados módulos, compostos por materiais de elevadíssimo conforto tátil, como o couro e o alumínio. O grupo central do tablier é um exemplo disso, a agregar os ventiladores centrais redondos, unidos na mesma estrutura de alumínio. Uma pequena haste central, também em alumínio, agrupa os botões da caixa de velocidades e o conjunto formado pelo novo volante e instrumentação é de extremo bom gosto, onde cada bonito botão parece chamar pelos nossos dedos.

Os bancos são outro hino à perfeição, agora mais leves e finos mas muito envolventes como se exige a um desportivo capaz de nos projetar de zero a 100 km/h em 2,9 segundos e de nos transportar a 340 km/h.