Serviço Cívico: Ajude a Lotus a encontrar o seu original

Texto: Nuno Fatela
Data: 24 Setembro, 2018

A marca britânica está a assinalar o seu 70º aniversário, mas falta-lhe a cereja no topo do bolo: o Lotus Mark I que foi o primeiro carro do fundador, Colin Chapman.

Bem sabemos que, especialmente em percursos mais sinuosos, facilmente os Lotus se perdem de vista. Mas nenhum dos modelos da marca é tão fugidio como o Lotus Mark I, o primeiro carro criado pelo fundador do emblema britânico, Colin Chapman. Mas, para conseguir agora localizar este importante automóvel, que seria a forma mais espetacular de assinalar o seu 70º aniversário, a marca pediu ajuda aos fãs de todo o mundo.

Como nasceu o Lotus Mark I…

Este Lotus Mark I é um exemplar carregado de simbolismo, pois trata-se de um carro fabricado por um desconhecido engenheiro na garagem dos pais da namorada, em Londres. Já na altura, esse jovem começa a aplicar novas abordagens ao processo de fabrico, de forma a melhorar a performance da viatura. E, com o passar dos anos, o desconhecido passou a ser reconhecido como um dos nomes grandes do mundo automóvel, Colin Chapman, e o Lotus Mark I deu origem a uma marca com o mesmo nome. E logo em 1948, com Colin ao volante e Hazel (a namorada, que surge na foto do artigo) como pendura, o casal teve oportunidade de testemunhar as vitórias deste automóvel em diversas provas.

Já neste primeiro automóvel, a filosofia era a mesma que hoje em dia seguem em Hethel: less is more. Para garantir que menos é efetivamente mais, nada como otimizar as massas e aerodinâmica, de forma a potenciar as performances e agilidade. No Lotus Mark I isso foi obtido pelos reforços do chassis, cobertura completa para a suspensão sem prejudicar a distância ao solo, e painéis leves para a carroçaria  e vários componentes que podiam ser facilmente trocados, dados os possíveis danos sofridos em competição. E uma das mais importantes opções foi alargar a traseira do carro, que assim contava com dois pneus sobressalentes mas, acima de tudo, dava a possibilidade de otimizar a distribuição do peso para cada prova. Foi com base na sua formação como engenheiro que Colin Chapman fez esta “revolução” com o Lotus Mark I, estabelecendo as traves-mestras que ainda hoje a marca segue.

A venda e desaparecimento

O estilo foi pensado por Chapman como uma recriação da imagem do Austin Seven. Originalmente ele surgia num tom de metal polido, que depois deu lugar à tinta branca. Mas foi com a pintura vermelha que ele surgiu, dois anos após ser fabricado, num anúncio da revista Motor Sport, onde era apresentado como um “Austin Seven Special”, captando imediatamente atenções. O negócio foi feito por 135 libras, e assim começa a odisseia desconhecida deste icónico clássico.

Qual a dificuldade para encontrar o Lotus Mark I? Ela reside no facto de não haver mais qualquer informação sobre o paradeiro do carro após ele ter sido vendido por Chapman, em novembro de 1950. Ele reteve a informação de que o comprador era alguém do Norte de Inglaterra, mas nem o nome do novo proprietário ficou a saber… Como muitos génios do mundo automóvel, para este britânico o projeto mais importante era sempre o seguinte, e nessa altura ele estava já totalmente imerso no desenvolvimento do Lotus Mark II. E isso significa que desde o início da década de 1950 que não se sabe nada sobre o paradeiro deste importante automóvel.

 

Serviço Cívico…

Portanto, este é um automóvel muito importante, mas cujo paradeiro está envolto em secretismo. Como explica Clive Chapman, o filho do fundador e diretor da Classic Lotus Team, “O Mark I é o Cálice Sagrado (Holy Grail) da história da Lotus”. Ele recorda o carro como o primeiro caso em que o seu pai teve hipótese de colocar em prática as suas teorias para melhorar a performance das viaturas. Por isso, afirma que “encontrar esta referência, quando assinalamos o 70º aniversário, seria um incrível feito”.

O fabricante britânico até já recorreu a especialistas para encontrar o paradeiro, mas sem que isso tivesse dado frutos. Daí que o fabricante britânico lance agora um novo desafio. “Queremos que os nossos fãs aproveitem esta oportunidade para procurar em todas as garagens, celeiros e locais onde sejam autorizados a fazê-lo. É até possível que o Lotus Mark I tenha sido enviado para fora do Reino Unido, e gostaríamos de saber se ele sobrevive em outro país”. Portanto, entre nesta missão cívica e, com as devidas autorizações, aproveite para procurar se o Lotus Mark I estará em solo português…

 

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Fotos: The Colin Chapman Foundation

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