Renault Scénic: agora chegou a sério

Texto: Nuno Fatela
Data: 14 Fevereiro, 2019

Após dois anos penalizado pela lei das portagens, o que reduziu a gama a apenas uma versão e um só motor Diesel, finalmente temos o Renault Scénic e Renault Grand Scénic em pleno no mercado nacional, para defender a presença da marca num segmento que ela própria inventou: os monovolumes compactos

“Os monovolumes não têm de ser aborrecidos”. Esta foi uma das afirmações proferidas pela Renault na apresentação nacional da nova gama Scénic, afirmando assim a sua ambição de convencer mais clientes a regressar aos monovolumes. E neste caso, embora o atual Scénic já leve dois anos no mercado, podemos mesmo afirmar que esta é uma nova gama. E é já este mês que começa a ser possível encontrar este modelo nos concessionários.

 

Quase de pode dizer que até agora apenas existia uma “amostra” do potencial do modelo, em que as regras das portagens fizeram com que a oferta para solo nacional ficasse reduzida a um motor, o 1.6 Diesel, na carroçaria mais longa do Grand Scénic e somente com um nível de equipamento. Mas agora… o Scénic chegou a sério ao nosso país.

Com a mudança nas classes de portagens, a Renault aproveitou, tal como tinha feito com o Kadjar, para introduzir uma gama alargada, onde surgem o Scénic de cinco passageiros e, com mais 23cm e capacidade para sete ocupantes, o Grand Scénic. E nos dois casos com vários motores a gasolina e Diesel e dois níveis de equipamento. Porque, afirma o fabricante gaulês, o modelo apresenta-se agora com fortes ambições, já que o objetivo passa por ser líder do mercado nos monovolumes compactos!

Claramente um monovolume moderno

Na estética exterior praticamente nada de novo. A imagem do Scénic que tinha sido revelada em 2016, é extremamente fiel ao R-Space Concept em que se inspirou. E que surge, em comparação à terceira geração do monovolume, com um para-brisas muito mais avançado e verticalizado (potenciando a habitabilidade) e com uma linha de carroçaria que se vai progressivamente elevando em direção ao volumoso Pilar C.

No caso do Grand Scénic, além dos 23cm adicionais, temos integradas as barras de tejadilho e os faróis traseiros diferentes. A terminar, referência para os pneus e jantes. A única medida de jantes é de 20’’, mas a Renault afirma que, graças a uma negociação com o fornecedor da borracha para calçar o monovolume, conseguiu garantir que o preço dos pneus 195/55 R20 será o mesmo que é aplicado para medidas de jantes com 17’’.

A imagem exterior dos monovolumes é facilmente identificável, e mesmo com a Renault a garantir-lhe traços de atualidade no Scénic, a verdade é que as principais virtudes dos modelos deste segmento se encontram ao passar para o interior. Especialmente vocacionados para o transporte de toda a família com conforto, surgem algumas especificações que confirmam isso mesmo neste modelo.

 

Conforto e modularidade

As dimensões confirmam essas características, com uma altura de 918mm nos bancos dianteiros e de 869mm na retaguarda, que a marca afirma serem referência nesta faixa do mercado. Tal como acontece com a largura, “que se alarga” aos 1526mm na frente e 1488 na segunda fila de bancos. A isto juntam-se os 720l de bagageira no Scénic de cinco passageiros, enquanto o Grand Scénic varia entre os 233l e os 596l consoante esteja configurado para cinco ou sete ocupantes.

Claramente nestas áreas a Renault prima pela excelência, pois nesta primeira abordagem elas ficaram claramente demonstradas, embora tenhamos de deixar uma crítica ao espaço para as pernas nos lugares traseiros. Se a altura é mesmo muito boa, mesmo para pessoas mais altas, parece-nos que mais uns centímetros de comprimento para as pernas seriam muito bem-vindos. Até porque na versão ensaiada do Renault Scénic surgiam as mesas em plástico nas costas dos bancos dianteiros, que são muito boas para deixar os petizes entretidos durante uma viagem mas não para um adulto bater com os joelhos.

Com exceção desta situação, o Renault Scénic, pela sua especial apetência para transportar famílias, faz do conforto a bordo um atributo marcante. Neste primeiro ensaio foi possível verificar isso, pois os bancos primam pela suavidade com que acomodam os passageiros e, no caso do condutor, a combinação entre o posicionamento da consola central (deslizante, para poder servir também quem viaja na retaguarda) e da alavanca da caixa permite ter uma posição muito cómoda.

 

Falando de facilitar a vida ao condutor, isso também fica a cargo de outros elementos. Como o volante multifunções que permite facilmente aceder a diversas informações no painel de instrumentos digital. E ainda pelo head-up display, apoio colocado no campo de visão do condutor e que apresenta diversas informações em grafismos policromáticos.

Já que abordamos os apoios ao condutor, referência para a ampla oferta de sistemas de auxílio e segurança integrados no Renault Scénic. A marca divide estas ajudas em três categorias distintas.
  • Em primeiro lugar surgem aquelas que se destinam a facilitar a vida: câmara de marcha-atrás, easy park, ajuda ao estacionamento e ainda a comutação automática da iluminação.
  • Depois vêm os ADAS destinados a proteger: travagem de emergência com reconhecimento de peões, aviso de transposição de faixa, regulador de velocidade adaptativo (cumprindo assim os limites estabelecidos por lei)
  • Por fim, surgem as assistências para alertar o condutor: alerta de transposição de faixa, alerta de fadiga, aviso de excesso de velocidade com reconhecimento de sinais (também projetados no head-up display), aviso de perigo no ângulo morto, informação das distâncias de segurança

 

Não podíamos abordar a vertente tecnológica deste monovolume sem destacar ainda mais dois elementos. O primeiro é o Multisense, que permite optar entre os modos Neutro, Eco, Confort, Sport e Perso(nalizado), com impacto na resposta do motor, comportamento da caixa automática EDC, massagem dos bancos e iluminação do habitáculo e também na instrumentação. Para terminar, de referir que para escutar ainda melhor os sons emanados a partir do R-Link2, existe um sistema de som desenvolvido pela Bose especialmente para o modelo. Este infotainment tem ainda outras potencialidades, como a navegação integrada ou o rebatimento dos bancos.

 

Viva a expansão!

No que se refere aos motores, a situação transforma-se profundamente no Renault Scénic. Como tínhamos referido, até ao momento existia apenas o bloco 1.6 DCi com caixa automática e um só nível de equipamento. Agora, “é à escolha do freguês”. Motores a gasolina e Diesel, com diferentes níveis de potência, caixas manuais ou automáticas e escolha na gama entre o equipamento Limited ou Bose Edition. E, desde que equipado com Via Verde, sempre a pagar Classe 1 nas portagens!

A oferta a gasolina contempla já em o motor TCe 1.3 com três níveis de potência, de 115cv, 140cv e 160cv. No entanto, dada a parca diferença de preço entre os dois primeiros, seguramente a opção pelo bloco mais frugal será residual. Já nos Diesel, o bloco 1.6 Diesel dá lugar ao BlueCDi 1.7, que estará disponível com 120cv já em fevereiro, tal como os gasolina, e também na versão de 150cv a partir do próximo mês. Relativamente às transmissões, temos além da manual de seis velocidades também disponível, para os três motores mais potentes da gama, a automática EDC (com sete velocidades nos gasolina e seis velocidades no Diesel de 150).

Neste primeiro ensaio tivemos oportunidade de conhecer o novo motor TCE com 140cv e 240Nm. E ele recebeu nota positiva por combinar uma suavidade de rolamento com a necessária resposta, mesmo desde os regimes mais baixos e de forma linear enquanto as rotações sobem. Isso significa que ele não apenas consegue rolar com toda a tranquilidade em autoestrada mas também que, se for necessário efetuar ultrapassagens em vias secundárias, o Scénic garante confiança para estas manobras. Obviamente os monovolumes nunca serão uma referência no feeling desportivo (com exceção da histórica Espace F1…), mas apesar de tudo o modelo não compromete quando o condutor pede esforços adicionais ao motor.

Além disso, como já referido, a ergonomia conferida pelo posicionamento do banco do condutor, consola central e posição da alavanca da caixa faz do Renault Scénic um modelo muito agradável de conduzir em viagens mais longas. Até porque a suspensão, pseudo-MacPherson na dianteira e em H de deformação programada com molas helicoidais na traseira, filtra com eficácia as irregularidades. Algo que foi possível comprovar não apenas em asfalto mas também num troço que, por estar em obras, estava “descascado” até à gravilha.

 

Sem ser submetido a esforços excessivos (mas também sem andar a pisar ovos…), este TCE 140 com caixa manual conseguiu uma média de consumos de 7,7l/100km. Ou seja, apenas mais um litro do que a marca anuncia. Neste parâmetro, o BlueDCi é o campeão na gama do Renault Scénic, com consumos já homologados de 5,4l/100km na especificação de 120cv e de 5,3l/100km com 150cv e caixa manual.

 

Preços

Antes era extremamente fácil indicar os preços da gama Renault Scénic: 36340€ no 1.6 DCi, a única opção. Agora, como já referido, temos uma oferta bem mais extensa, e que arranca em valores mais acessíveis. Mais precisamente, nos 30.770€ da versão TCe 115 com o nível de equipamento Limited. No entanto, como já referido, a proximidade na tabela de preços favorece claramente a opção a gasolina de 140cv, em que por apenas mais 600€ (31.370€) se “ganham” mais 25 cavalos na versão de caixa manual. Relativamente aos restantes valores, tanto no Scénic como no Grand Scénic, basta consultar a tabela seguinte…

Conclusão

É verdade que, cada vez mais, os monovolumes se vão tornando num nicho de mercado e com menos concorrentes. A recente transformação do Opel Zafira em furgão mostra isso mesmo. Mas, pela sua especial aptidão para o transporte de passageiros, com grande habitabilidade, modularidade e conforto, são seguramente uma alternativa séria aos SUV. Com a Renault a traçar como objetivo para o Scénic a liderança dos monovolumes compactos no segmento C, não admira que o modelo surja bastante preparado para esta batalha. Uma referência nesta faixa do mercado desde 1996, quando surgiu a sua primeira geração, o Renault Scénic mostra atributos para convencer os clientes. Merece sem dúvida ser visto com especial atenção por quem esteja a procurar um automóvel vocacionado para levar toda a família com todo o conforto!

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