Publicidade

O País Branco – Viagem Turbo Andorra

Texto: Júlio Santos
Data: 29 de Dezembro, 2016

Imagine uma enorme descida em esquis de Lisboa até Faro. É só uma pequena parte do fascínio de Andorra: um dos maiores destinos esquiáveis da Europa, com mais de 300km de pistas para todo o tipo de praticantes. Mesmo após uma semana, vai sempre encontrar uma pista que ainda não experimentou.

Os quase 1300 quilómetros que separam Lisboa do Principado com 468 quilómetros quadrados, encravado nos Pirinéus, entre França e Espanha, são mais do que recompensados para os amantes dos desportos de inverno mas, também para aqueles que privilegiam as férias no meio da natureza ou, simplesmente, uns dias de descanso acompanhados, permanentemente, por uma paisagem de enorme beleza. E, claro, as compras; o mito (mais do que a realidade) das grandes pechinchas. E a fabulosa gastronomia. O parque termal de Caldea (o maior parque termal da Europa), os passeios a pé ou, para os mais radicais, o rafting, o parapente, a escalada…. Que não seja pelo esqui, não faltam motivos para umas férias em Andorra. Qualquer que seja a época do ano.

 

Floresta, natureza e paisagem

Diversidade é, pois, lema em Andorra, que tem, entre outras, a curiosidade de ser o único país do Mundo com dois chefes de estado, num regime de co-principalidade: o Presidente francês e o Bispo da localidade vizinha espanhola de Seu D’Úrgel.

Diversidade na maneira como podemos ocupar o tempo e também no tipo de alojamento: agências imobiliárias que alugam todo o género de apartamentos, hotéis e aparthoteis de todas as categorias e preços. É essa combinação única de condições que explica que este pequeno território, 90% coberto por floresta e com pouco mais de 78 mil residentes (a comunidade portuguesa é, depois da espanhola, a mais importante) atraia por ano mais oito milhões de turistas. Nos hotéis de luxo, ou de mochila às costas, de esquis ou com as bicicletas mais sofisticadas, nas ruas ouve-se falar sobretudo o castelhano (ou catalão), o francês e o português mas, também, cada vez mais, o inglês, o alemão, holandês e, sobretudo, o russo.

De dezembro a março o esqui é, naturalmente, a modalidade dominante, enquanto na primavera, com o degelo, os rios oferecem condições únicas para a prática da canoagem ou do rafting, para no verão as bicicletas tomarem conta da paisagem que antes esteve dominada pelos esquiadores e snowborders. Mas (quem sabe se injustamente) o “País Branco”, como também é conhecido, tem a sua imagem “colada” sobretudo aos desportos de inverno, oferecendo condições únicas para a iniciação. Por tudo o que já referimos mas, também, pela diversidade das pistas e pela abundância de estruturas de apoio e de profissionais qualificados.

 

Organização perfeita

Se não possui material não se preocupe pois em qualquer esquina encontra uma loja especializada que o aconselha no aluguer dos esquis ou da prancha que melhor se adapta ao seu nível. No caso dos esquis, o aluguer do “set” completo (esquis, botas e bastões) para iniciação custa, em média, cerca de 70€ por semana, o mesmo valor praticado para o aluguer de uma prancha, mas é claro que quando as suas capacidades evoluem também o material deve progredir e, nesse caso, o aluguer já pode aproximar-se dos 100€/semana. Se gostou da experiência e pensa repetir, não hesite: compre as suas próprias botas que se vão “moldar” ao seu pé, aumentando em muito o conforto. Não se esqueça que as botas, além de pesadas, vão “acompanhá-lo” ao longo de todo o dia… E porque a relação custo/benefício é largamente compensadora, em caso algum (mesmo que se ache um esquiador experimentado) prescinda de usar capacete.

Mas se o material é fundamental em termos de conforto e, sobretudo, de segurança, a regra número um é, porém, o recurso a um professor para os primeiros passos. As aulas em grupo custam cerca de 70€ por cada adulto, no caso de um curso de seis horas e aproximadamente 60€ para as crianças até 12 anos. Para não correr riscos e começar a disfrutar rapidamente do prazer do esqui é crucial a ajuda de um monitor que, quase sempre, até consegue exprimir-se em português.

O esqui é um desporto fabuloso, capaz de nos oferecer momentos de convívio inesquecíveis em locais onde de outra forma não conseguiria aceder mas, como em qualquer outra atividade, temos que respeitar as regras. Infelizmente, é frequente vermos pessoas que se aventuram em pistas para as quais não têm aptidões ou, ainda mais grave, em locais (fora de pista) onde se alguma coisa corre mal dificilmente poderão beneficiar da ajuda dos monitores. Para muitos, incompreensivelmente, é mais importante dizer aos amigos que só fizeram pistas negras (…) do que usufruir deste desporto que nos proporciona momentos de prazer inigualáveis. Pelas condições que oferece e pelos preços, Andorra é o local certo para quem quer iniciar-se nas férias na neve. E é, sobretudo, o local onde todos os anos queremos voltar.

 

Peugeot 3008 Hybrid4

O Peugeot 3008 viu a sua estética modernizada mas manteve as caraterísticas já conhecidas ao nível do espaço, do conforto e das capacidades dinâmicas. Nesta viagem utilizámos a versão Hybrid4, aquela que melhor responde ao espírito de aventura e às necessidades da família. A propulsão é assegurada pelo bloco de quatro cilindros diesel com 2.0 litros, que transmite 163 CV às rodas dianteiras, enquanto um motor elétrico de 27 Kw (37 CV) está associado ao trem traseiro. No arranque, a baixas velocidades, a locomoção é elétrica para a seguir o motor convencional fazer o seu “trabalho”. Os dois motores podem trabalhar em paralelo, permitindo uma potência combinada de 200 CV. Numa utilização normal os consumos situam-se próximo dos sete litros mas em cidade, graças ao motor elétrico, facilmente averbamos consumos inferiores a cinco litros.

 

Como ir

Quem sai da Lisboa pode optar pela A2 até Setúbal ou pela Ponte Vasco da Gama, seguindo pela A6 até Elvas. Perante uma viagem tão longa é ainda mais importante privilegiar a autoestrada, sinónimo de uma condução mais repousante, além das vantagens económicas (menor consumo), da maior rapidez e segurança.

Tome a direção de Elvas e à entrada em Espanha siga as indicações de Madrid, pela E90/A5. Um conselho de “amigo”: respeite escrupulosamente os limites de velocidade e acredite em todas as indicações de “Velocidade Controlada por Radar”; a polícia espanhola não facilita e bem pode contar as histórias que entender. Além disso, para os espanhóis 120 Km/h são mesmo 120 km/h. À entrada de Madrid tome a M40 (Todas as Direções), pela Autovia da Extremadura e mais adiante, as indicações Aeroporto e Saragoça, pela E90/A2.

De Madrid a Saragoça são cerca de 300 Km, com longos troços de via rápida, ora estreita e com o piso ondulado, ora larga e em perfeito estado. Aqui pode ser um bom local para pernoitar, ao cabo, então, de 900 kms. No dia seguinte, retome a estrada, em direção a Lerida (Lleida). Alguns quilómetros antes verá indicações de Andorra/Pirinéus Séu D’Urgel. Terminou a benesse: de Lleida e até Andorra é uma estrada nacional, quase sempre em obras, que requer muita atenção por estar em mau estado e com tráfego intenso a qualquer hora.

 

Preparar o carro

Quem vai fazer esta viagem tão longa, neste tempo incerto, o melhor é preparar-se para todas as eventualidades. O primeiro conselho que lhe deixamos é que não faça o troço desde Leida até Andorra de noite; a estrada é realmente traiçoeira. E será ainda mais se estiver frio, pois serão muitas as possibilidades de encontrar placas de gelo ou mesmo neve.

O trabalho dos limpa-neves em Andorra é de uma enorme eficácia… mas não conte com milagres. Se estiver a nevar e não tiver montados pneus de neve então não lhe restará outra alternativa que não seja parar e “calçar” as novas correntes têxtil, muito mais fáceis de montar do que as anteriores, em metal. Em Portugal as lojas Feuvert (www.feuvert.com) comercializam todo o material necessário a uma viagem em segurança, como a que sugerimos: as correntes AutoSock custam cerca de 65€, enquanto os porta-esquis da Snowtime têm um preço indicativo de 40€.

No caso das correntes tenha em conta que se o seu carro tiver tração dianteira, basta que as coloque nas rodas frontais. Já se tiver tração traseira, deverá colocar um par dessas correntes nas rodas de tração e também na frente, nas rodas direcionais. Na neve conduza com precaução e evite todas as reações bruscas. Se encontrar neve não arrisque: vai ficar atolado ou, pior, vai perder o controlo do carro.

 

Sites a visitar

www.andorra.com

www.skiandorra.ad

 

Artigo publicado na Revista Turbo nº 391, com o 3008 hybrid a corresponder ainda à anterior geração do modelo da Peugeot.