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Uma oportunidade ao Algarve

Texto: Júlio Santos
Data: 7 de Novembro, 2016

Voltámos a acreditar que há Algarve para lá do areal disputado a palmo e dos “charters” de inglês para jogar golfe. Fechámos os olhos ao massacre paisagístico, respirámos fundo a cada restaurante recomendado com o dístico “Reabre em maio”… e descobrimos que o Algarve está a reinventar-se.

Aos poucos, começa, de novo, a fazer sentido voltar ao Algarve fora dos meses de verão. Pode ser, até, que estejamos a tempo de reparar alguns dos erros cometidos! Sentimos isso quando percorremos a pé o passadiço de madeira que nos leva, mar a dentro, a partir dos restaurantes do Alvor mas logo nos dececionamos quando, em plena Praia da Rocha, percebemos que 90% dos 90 mil edifícios construídos sem regras nem compaixão, estão inabitados e com as parcelas comerciais encerradas.

De Ferragudo a Lagos, naquele que era um dos mais belos trechos do Algarve, grassa a anarquia apenas disfarçada pela correria da ida para a praia, ou no afã de encontrar um lugar naquela esplanada da moda. Agora, porém, as ruas fazem eco; o absurdo das construções que massacraram a paisagem torna-se gritante. Tudo por causa de dois ou três meses de “lotação esgotada”; da voracidade de ganhar tudo “num só dia”!

Magnífico Algarve! Pobre Algarve que destruímos, como o avarento matou a galinha dos ovos de ouro.

Sim, fazemos parte daquele grupo que foge do Algarve no verão porque não tem como ideal de férias a disputa de uns quantos centímetros de areia para estender a toalha ou – e, sobretudo – porque nos lembramos dos tempos em que a Quarteira era um imenso areal apenas com o cinema de ar livre e o restaurante do senhor Isidoro. Sim, fazemos parte do grupo daqueles que, quando nos perguntam qual a melhor altura para visitar o Algarve respondemos, sem hesitar: qualquer uma desde que não contemple o período entre junho e setembro.

Porque, afinal, temos que reconhecer (se isso é consolo) que não fizemos no Algarve nada de substancialmente diferente daquilo que os espanhóis fizeram em Ibiza ou Torremolinos, os americanos com South Beach (Miami) ou os australianos com Sufers Paradise (Brisbane). O turismo de massas, a galinha dos ovos de ouro, é, na realidade, uma tentação a que apenas os mais lúcidos conseguiram resistir; pena que tenhamos escolhido o caminho mais fácil!

Há, porém, como dissemos, uma esperança cada vez mais latente, de conseguimos reparar alguns dos erros cometidos; repor alguns dos encantos que se perderam. Ou, pelo menos, descobrir outros. Porque o essencial está lá; o clima que político algum, ou avareza extrema, conseguem destruir (pelo menos a médio prazo) continua a ser um autêntico balsamo, agora “temperado” por recantos, detalhes, onde nos voltamos a sentir bem.

Aos poucos, ganha terreno um certo tipo de consciência de que aquilo que o Algarve tem para nos dar não se pode esgotar em três meses. O centro de Portimão, por exemplo, recupera a face de cidade de província, onde é possível passear pelo fim da tar de e tomar um café na esplanada junto ao repuxo, na praça central. Mas dá dó entrar na famosa “Casa Taquelim Gonçalves”, em Lagos, e termos a sensação de que estamos no café “New Wave”, no centro de Lisboa… Salvam-se os Dom Rodrigo e os queijinhos de massapão que evocam a famosa doçaria do Algarve; perdeu-se o espírito, (quase) ficou o sabor! Dá pena Lagos, com a praça central descaraterizada pelos reclames dos bancos e das casas de telemóveis, mas, ainda assim, vai compensar a coragem de seguir pelo centro histórico até à Igreja de S. Sebastião, que tem por base uma pequena capela do século XIV, mais tarde “rebatizada” para invocar a memória de Alcácer Quibir. Memórias, aliás, não faltam à cidade donde partiram as caravelas portugueses para abrir novos horizontes a Portugal e ao mundo. Nem recantos que preservam intacta a sua beleza – da Meia Praia à Ponta da Piedade – e é também por isso ainda mais pungente que ninguém “repare” o autêntico atentado à imagem do país que são as ruínas do Hotel Golfinho, naquela que já foi classificada como a mais bela praia do mundo (Dona Ana).

O Algarve sem o fato de banho na bagagem requer, enfim, uma seleção cuidada e alguma paciência para aceitar que aquele restaurante fantástico há-de voltar a abrir lá para maio. Mas, como em tudo na vida, há uma faceta gratificante. Chegar aos restaurantes junto à ria de Alvor e ter mesa na esplanada, mesmo num domingo ensolarado, é agora um luxo apenas batido belo trato cuidado com que somos recebidos (a qualidade da comida essa é a de sempre), ou pelos preços mais realistas que a estação proporciona.

Jogar golfe num dos mais belos campos da Europa (Penina) é outro privilégio que torna o regresso apetecível. Ou, simplesmente, um passeio matinal, ao domingo, pelo passadiço em madeira que percorre a Praia da Roca.

Aos poucos, afinal, vão acontecendo pequenos apontamentos que fazem com que nos apeteça “dar uma oportunidade” ao Algarve.

 

DO KAPITAN AO INSIGNIA

Nos anos 70 ia com os meus pais para a Quarteira onde apenas havia o areal e o restaurante do senhor Isidoro. A viagem pela Serra do Caldeirão obrigava a medidas prévias, como o pequeno-almoço sem leite, pois nas curvas da Serra do Caldeirão… nem o Opel Kapitan conseguia evitar o pior… O “progresso” deu cabo da Quarteira e de parte do Algarve, mas deu-nos, também, estradas fantásticas e carros ainda melhores. O Kapitan era a vaidade do meu pai. Que pensaria ele do novo Opel Insignia?

Mesmo que tenha acompanhado os avanços do mundo e a evolução automóvel nas últimas quatro décadas, eu próprio fico fascinado com aquilo que significa hoje um topo de gama. A viagem entre Lisboa e o Algarve, no Opel Insignia, é hoje um passeio bem mais aprazível do que a ligação entre Lisboa e Sintra nos anos 70 mas, aquilo que mais impressiona, para além do conforto, segurança e capacidades dinâmicas é o facto de dispormos de tudo aquilo que faz parte da vida moderna: telemóvel, uma excelente aparelhagem de som, computador de bordo e, até, internet, já que o sistema OnStar permite (entre outras funcionalidades) a criação de um “hotspot” ao qual todos a bordo se podem conectar. Além disso, o Insignia conta com a mais recente geração de infoentretenimento (IntelliLink) Apple CarPlay que “exporta” para o ecrã táctil as principais aplicações dos smartphones Apple, permitindo-nos, por exemplo, aceder ao email, ver filmes ou ouvir as músicas favoritas.

A viagem torna-se, assim, num passeio inimaginável há quatro décadas atrás. E ainda mais se retivermos a disponibilidade do novo motor turbodiesel de 1,6 litros, com 136 CV que mantém com facilidade um ritmo bastante vivo, para no final nos apontar um consumo médio de toda a viagem inferior a 6 litros aos 100 km (a marca anuncia 3,8 litros, mas temos que ter em conta que o trajeto em autoestrada, com quatro pessoas a bordo, foi cumprido em ritmo “vivinho”).