Número de carregadores está abaixo da média europeia

Com um rácio de 24 veículos elétricos por carregador da rede pública, Portugal é o segundo pior da Europa nesta área, ficando apenas à frente da Irlanda, segundo revela o mais recente estudo "Mobilidade 2026" da gestora de frotas Ayvens, que acaba de ser divulgado.

Apesar de todos os números avançados relativamente ao crescimento da rede pública de postos de carregamento para veículos elétricos, o nosso país consegue ter o segundo pior desempenho da União Europeia, segundo revela o estudo “Mobilidade 2026”, da gestora de frotas de Ayvens. Os dados foram apurados com base no nível de cumprimento dos objetivos definidos pelo regulamento da União Europeia, AFIR (Alternative Fuels Infrastructure Regulation).

Aquele regulamento determina que os Estados-Membro da União Europeia devem disponibilizar, pelo menos, 1,3 kW de potência de carregamento por cada veículo elétrico e 0,8 kW por cada híbrido plug-in registados na sua frota.

Segundo a análise desta informação, Portugal limita-se a cumprir os mínimos, posicionando-se na cauda do ranking europeu, sendo mesmo o segundo país com pior desempenho. Isto indica que a expansão da rede pública não está a acompanhar o ritmo das vendas, onde o nosso país se destaca na liderança do segundo pelotão europeu no que respeita à adoção de veículos elétricos.

O estudo da Ayvens reconhece que se registou uma melhoria em 2024 relativamente a 2023, quando se assistiu a um retrocesso na expansão da rede, que se traduziu num agravamento do rácio para 28 veículos por carregador, mais sete do que em 2022. O reforço da capacidade instalada em 2024 permitiu reduzir este valor para 26 veículos por carregador.

A tendência de melhoria manteve-se em 2025, graças a uma expansão mais consistente e alinhada com o aumento do parque circulante elétrico, o que esteve na origem de uma nova descida do rácio para os atuais 24 veículos por carregador.    

Não obstante a evolução registada nos últimos anos, o rácio nacional continua significativamente acima da média europeia, que atualmente é de 12 veículos por carregador público. Segundo a Ayvens, este desvio indica que é necessária uma aceleração do ritmo de instalação de nova infraestrutura para acompanhar o crescimento do parque de veículos elétricos, que atualmente é de 400 mil unidades, praticamente o dobro do registado há apenas dois anos.

Concentração em Lisboa e Porto

Em termos de distribuição territorial, a rede pública de carregamento rápido de veículos elétricos apresenta uma forte concentração nas regiões de Lisboa e Porto, que, em conjunto, representam mais de um terço de todas as tomadas disponíveis.

A Ayvens entende que esta assimetria revela que, apesar da cobertura municipal quase total, à exceção de Santa Cruz das Flores, a rede permanece insuficiente para garantir acessibilidade homogénea, limitando a disponibilidade efetiva para os utilizadores como a competitividade entre operadores.

Será de referir que em 2025 foram efetuados mais de 8,4 milhões de carregamento na rede pública, um crescimento de 44% face a 2024, tendo sido consumida 190 800 MhW de energia, o que se traduziu num aumento de 56% relativamente ao ano anterior. 

O estudo “Mobilidade 2026” da Ayvens foi desenvolvido com o objetivo de apoiar gestores de frota e decisores estratégicos na tomada de decisões informadas, num contexto de rápida transformação da mobilidade empresarial.