Novo Opel Corsa: uma grande evolução

Texto: Júlio Santos
Data: 22 Maio, 2019

A Opel convidou-nos para conduzir dois protótipos de teste do novo Opel Corsa que chega no final do ano. Após 200 km não temos dúvidas: é uma enorme evolução. Falta-nos avaliar a estética pois todos os carros estavam camuflados

O novo Opel Corsa que chega no final do ano é, até ao momento, o modelo que mais influência (e tecnologia) recebe do Grupo PSA que desde 2017 detém o controlo da marca alemã.  Ainda assim, os engenheiros de Russelsheim não se cansam de nos repetir: “tudo fizemos para preservar o ADN da marca, nomeadamente afinando o chassis e a suspensão de acordo com aquilo que são os padrões alemães”.

O trabalho é francamente conseguido. O novo Opel Corsa é muito mais confortável e a definição do chassis permite-lhe filtrar muito bem as irregularidades do piso, ao mesmo tempo que os movimentos da carroçaria mantêm-se sempre controlados. Em destaque, a plataforma inteiramente nova, desenvolvida no âmbito do Grupo PSA para servir os segmentos B (novos Corsa e Peugeot 208, além dos futuros Citroen C3 e DS3) e C (próximas gerações dos Opel Astra, Peugeot 308, Citroen C4) a qual está preparada para ser utilizada por diferentes tipos de carroçaria (SW, berlina e Hatchback) e motorizações a gasolina, diesel e elétrica.

Composta por módulos, esta plataforma está apta a responder às necessidades de um leque amplo de modelos, com características e vocações diferentes, sendo esse o ponto de partida para o trabalho realizado pelos engenheiros alemãs, como nos referiu Tomas Whake, responsável pelo desenvolvimento do novo Opel Corsa.

Durante uma sessão de testes em estradas secundárias alemãs, a maior parte das quais com piso em mau estado, o objetivo era, precisamente, permitir-nos uma avaliação do trabalho realizado ao nível do chassis e suspensão. Os dois protótipos que conduzimos estavam bastante camuflados, quer por fora, quer no habitáculo, mas, ainda assim, foi possível perceber que o novo Corsa promete formas substancialmente diferentes do modelo atual, sobretudo na traseira, numa carroçaria que deverá estar disponível apenas com cinco portas e mantém o mesmo comprimento do modelo atual (4,06 metros).

A alteração principal reside na maior distância entre eixos, bem como na redução da altura o que confere ao novo Corsa uma aparência mais dinâmica. Apesar da menor altura, os responsáveis alemães garantem-nos que o espaço ao nível da cabeça dos ocupantes cresceu, o mesmo acontecendo com todas as dimensões internas (incluindo a capacidade da bagageira que aumento para 306 litros), resultado da já referida maior distância entre eixos e da colocação mais baixa dos bancos.

No interior, também totalmente dissimulado e sem possibilidade de acedermos aos lugares traseiros, é foi possível perceber a utilização de diversos comandos provenientes da Peugeot (caso do punho de comando da caixa de velocidades), o mesmo acontecendo com os bancos que são confortáveis e envolventes. Além disso, embora grande parte da instrumentação estivesse desligada, foi possível verificar que os manómetros, bem como o ecrã central, possuem um design tipicamente Opel, o mesmo acontecendo com o volante.

No plano tecnológico os detalhes avançados foram escassos mas os responsáveis da Opel garantem que o novo Corsa será o primeiro modelo do segmento a contar com faróis “inteligentes” Matrix LED (tecnologia Intellilux”) que aumenta e reduz a intensidade luminosa em função do tráfego e das necessidades, prevenindo de forma automática o encandeamento dos outros condutores. Outro detalhe inédito e que testemunha o cuidado com os detalhes é o facto de para a secção traseira estarem previstos dois tipos de spoiler: um mais comprido, para as versões mais desportivas, que privilegia o “downforce” da traseira, e outro mais curto, para os modelos que têm na economia a principal prioridade.

No que às motorizações diz respeito, a fase de lançamento contempla três opções, todas provenientes do Grupo PSA. A gasolina estará disponível o bloco de três cilindros PureTech de 1,2 litros com 75 cv e 130 cv, a que se junta um quatro cilindros turbodiesel de 1,5 litros com 100 cv. Todos possuem transmissão manual de seis velocidades, podendo a versão mais potente a gasolina dispor, em opção, da transmissão automática de oito velocidades. Neste caso, o condutor pode optar entre quatro programas de condução que alteram o temperamento do motor, privilegiando a economia ou uma atitude mais desportiva, através do “timing” de passagem da caixa.

Neste contacto preliminar ficou claro que o novo Opel Corsa sai claramente beneficiado com a utilização dos motores PSA. Conduzimos as duas motorizações a gasolina e ambas revelaram uma capacidade de resposta e uma suavidade cativantes. Além disso, mantendo intacto o conforto, a verdade é que desaparece por inteiro a anterior tendência que sentíamos para a carroçaria se inclinar em excesso e provocar um alargamento exagerado das trajetórias.

Um excelente trabalho que promete colocar o novo Corsa no topo do segmento

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