Nova presidente da ANTRAM quer atrair novas gerações

Aumentar número de associados e atrair novas gerações de empresários para o setor são os principais objetivos da nova presidente da ANTRAM, Ema Leitão, que entra para a história como a primeira mulher a liderar esta instituição desde a sua fundação em 1975.

Atrair novas gerações de empresários e gestores para o setor e o reforço da base associativa são duas das prioridades da nova direção nacional da ANTRAM - Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias, liderada por Ema Leitão, em representação da empresa TN - Transportes M. Simões Nogueira.

Segundo a nova presidente daquela instituição, que recentemente tomou posse em Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença da secretária de Estado da Mobilidade, a estratégia da nova direção vai ser de continuidade do trabalho realizado anterior, tendo sido traçados dois objetivos principais que consistem na consolidação da atratividade da associação e a sua capacidade de intervenção institucional.

“Acreditamos que um setor mais forte se faz necessariamente com empresas mais fortes”, afirmou Ema Leitão, em declarações à Turbo Frotas & Comerciais. “Os objetivos traçados a nível interno estão relacionados com a questão de trazermos as novas gerações para a associação. Pensamos que é realmente uma área importante a ser trabalhada porque necessitamos de gente nova, com outra forma de pensar. Precisamos igualmente de aumentar o número de associados para ganharmos representatividade e credibilidade junto dos organismos e da tutela”, refere a nova presidente da ANTRAM, que se tornou na primeira mulher a liderar os destinos desta associação desde a sua constituição em junho de 1975.

No discurso de tomada de posse, que contou com a presença da secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Dias, Ema Leitão recordou que o seu avô foi um dos fundadores da ANTRAM e ela própria já leva 16 anos de atividade associativa.

Simplificação administrativa

A intensificação do trabalho com a tutela da Mobilidade e com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes são outras das prioridades da nova direção, eleita a 6 de janeiro de 2026 para o triénio 2026-2028. A ANTRAM defende a simplificação administrativa, a redução da burocracia e a implementação de procedimentos mais eficientes no licenciamento, fiscalização e aceso à atividade.

Nos seu discurso, Ema Leitão defendeu a elaboração de um plano estratégico para o setor rodoviário de mercadorias, numa perspetiva de médio e longo prazo, que promova maior previsibilidade e reforce a competitvidade das empresas portuguesas no contexto internacional.

Desafio igualmente importante para o setor do transporte rodoviário de mercadorias é a capacidade de atração de gente nova para a atividade, designadamente motoristas. A nova presidente da ANTRAM refere que é um fator que representa 38% da estrutura de custo das empresas e que se trata de um recurso escasso.

“Temos vindo a realizar um trabalho de esclarecimento juntamente das direções regionais para tentar estar presente junto das escolas para explicar a atividade aos jovens e trazê-los às empresas. Esse é um caminho que se está a fazer para atrair os jovens para os transportes,” afirma Ema Leitão.

Descarbonização

Igualmente relevante para o setor dos transportes é a descarbonização. Relativamente a este tema, Ema Leitão considera que o principal problema está relacionado com a próprias (in)definição da tecnologia, o que gera desconfiança. “Isso não gera confiança no processo de aquisição e investimento”, refere a presidente da ANTRAM.

“Na verdade, estamos todos um pouco na expetativa porque tem de ser um trabalho de conjunto para se perceber qual é a tecnologia a adotar. Enquanto associação, defendemos sempre em todos os fóruns que não haverá uma só solução, mas um “mix”.

O transporte rodoviário é muito heterogéneo e cada aplicação irá adotar a solução mais adequada. Na operação urbana poderá ser a eletrificação. Por outro lado também temos os biocombustíveis, cuja infraestrutura já está pronta e preparada para receber os camiões. Portanto, no transporte de longo curso acreditamos que este possa ser um caminho”.

Relativamente ao hidrogénio, a presidente da ANTRAM acredita que esta solução “perdeu o entusiasmo que tinha no Governo anterior e agora já se fala mais na eletrificação”. Contudo, a responsável refere que se tem de olhar para as empresas  e para a realidade do transporte. “É muito difícil acreditarmos hoje que um camião elétrico vai efetuar rotas entre Portugal e o Leste, com todos os constrangimentos impostos pelos tempos de condução e repouso dos motoristas. Todos estamos a tentar tornar o transporte mais eficiente e não podemos colocar aqui fatores de entropia nas cadeias de abastecimento”.