Nissan despede 12.500 trabalhadores. Portugal não será afetado

Texto: Nuno Fatela
Data: 25 Julho, 2019

A queda de 99% nos lucros durante o primeiro trimestre do ano fiscal levou a marca a tomar esta decisão. Com a medida focada nas unidades de produção, não se esperam consequências em território nacional

A forma como "deslizaram" os resultados financeiros da Nissan no primeiro trimestre do ano fiscal 19-20 levaram ao anúncio do despedimento de 12.500 funcionários
A descida de 99% nos lucros, a quebra nas vendas em 6% e a descida da margem operacional para 0,1% são números que demonstram como foi difícil este período.
A marca já previa que este trimestre abril-junho fosse difícil mas, como disse o CEO Hiroto Saikawa, "os resultados foram mais difíceis do que esperávamos"
Esta saída de 12.500 funcionários abrange já os 4800 despedimentos anunciados em maio
A redução significa que sairá da Nissan cerca de 10% da atual força laboral a nível mundial, com 140.000 pessoas
Esta medida será implementada em duas fases. Uma primeira, com 6400 trabalhadores a deixarem a empresa no atual ano fiscal, até março de 2020
Os países que estão na mira para este período são Estados Unidos, México, Reino Unido, Espanha, Indonésia, Japão e Índia
Os outros 6100 saem até ao final do plano de recuperação delineado, e que será cumprido até março de 2023
Estes despedimentos são acompanhados de uma descida de 10% da capacidade produtiva até 2022
Portugal, por não ter fábricas da Nissan, não será afetado, segundo informou a Nissan Ibérica

A braços com uma profunda revolução interna, a Nissan anunciou o despedimento de 12.500 trabalhadores. A marca, que sofreu a destituição do anterior Presidente Carlos Ghosn no final do último ano, está a reorganizar-se após um péssimo resultado financeiro no primeiro trimestre do exercício entre Abril de 2019 e Março de 2020.

O despedimento engloba-se num plano de recuperação, que pretende recuperar os resultados da marca. Além disso, a Nissan também está a tentar reorganizar a relação com a Renault, a sua parceria na Aliança Franco-Nipónica que ascendeu ao topo mundial das vendas. Recorde-se que as relações entre as duas marcas foram colocadas à prova depois da oferta de fusão Fiat-Renault.

Um péssimo trimestre

A Nissan já esperava que o primeiro trimestre deste ano fosse difícil, mas a realidade acabou por ser pior que o esperado. O próprio CEO Hiroto Saikawa, que anunciou as medidas, afirmou que “os resultados foram mais negativos que esperávamos”.

O ponto mais negro é mesmo a queda nos lucros em 99%. Mas há mais indicadores negativos. Desde logo nas vendas, que recuaram em todas as regiões de grande importância estratégica, com exceção da China. Ao todo foram vendidos menos 6% de automóveis, num total de 1,23 milhões de unidades. E a margem operacional passou de 4% no período homólogo para apenas 0,1% no trimestre entre abril e junho deste ano.

Perda de 9% dos trabalhadores

Após já ter anunciado o despedimento de 4800 funcionários em abril, os resultados financeiros do primeiro trimestre obrigaram a reforçar as “medidas de contenção”. E, assim, o total de despedimentos afeta agora para 12.500 pessoas até 2023. Isto significa que a Nissan perde cerca de 9% da atual força laboral, de 140.000 funcionários.

Os despedimentos serão divididos em duas fases. No atual ano fiscal 19-20 vão deixar a empresa 6400 trabalhadores. O impacto desta medida afeta os Estados Unidos, México, Reino Unido, Espanha, Indonésia, Japão e Índia.

Os restantes 6100 trabalhadores deixam a Nissan até ao final do plano de recuperação que termina em março de 2023. Não foram revelados os dados exatos, mas estes despedimentos serão efetuados em seis locais diferentes. A mira da marca está apontada às fábricas que operam abaixo da sua capacidade máxima, procurando assim reforçar a eficiência na produção.

Portugal não será afetado

Contatado por outros meios de comunicação, a Nissan Ibérica confirmou que Portugal não será afetado. Algo que se compreende, pois esta medida está focada na redução do número de trabalhadores na produção. Como Portugal não tem fábricas da Nissan, não se espera qualquer impacto destes despedimentos em Portugal.

A marca tem, aliás, revelado diversas novidades para o mercado nacional durante os últimos tempos. A renovação da gama do X-Trail foi a mais recente. Antes disso, também o Qashqai recebeu novos motores Diesel. E está para breve a chegada de outro trunfo, pois já começaram a surgir as primeiras fotos e informações da nova geração do crossover Juke. Além disso, também o novo Leaf tem vindo a ganhar peso, sendo um dos principais impulsionadores do crescimento na venda de veículos elétricos em Portugal.

Fonte: Automotive News, mais fontes