Publicidade

Mercedes E63 AMG: 612 CV à solta no Algarve

Texto: Júlio Santos
Data: 11 de Dezembro, 2016

A Mercedes diz que é o Classe E mais potente de sempre e o AMG mais evoluído. Motivos de sobra para levarmos o novo E63 S à pista de Portimão para aí soltarmos os 612 CV.
Lebre e professor, o “senhor DTM” mostra-nos pontos de travagem e inserção em curva. A tração traseira e a melhor relação peso potência face ao E63 S AMG ajudam mas a verdade é que o AMG GT vermelho parece ser uma mera “extensão” dos braços de Bernd Schneider.
É arte e muito saber, aquilo que explica o avolumar de metros que vou perdendo a cada curva. Concentro-me na tarefa de perceber a tremenda eficácia deste familiar com quase cinco metros de comprimento, que vemos estacionado no local reservado ao diretor-geral da empresa e que, de repente, veste a pele do melhor super desportivo.

Exploro agora o modo “Race” e a caixa de velocidades bloqueada em “manual”. Controlo de tração e estabilidade em sono profundo…fica tudo a cargo das nossas capacidades, obrigando, desde logo, à gestão ainda mais cuidadosa da caixa Speedshift, a primeira transmissão de nove velocidades de dupla embraiagem. Tirar partido de tudo o que está ao nosso dispor é agora um exercício quase metafísico. Bernd Schneider já lá vai bem à frente e detetar o local onde acende os “stops” passa a ser um exercício de adivinhação!
O melhor é voltar a “Sport Plus” evitando, assim, que o painel de instrumentos abuse da cor vermelha… e que estejamos sempre a distrair-nos com o indicador à esquerda que nos “assusta” com a facilidade com que alcançamos os valores máximos de binário e potência… sem que disso estejamos a tirar o melhor proveito. A travagem “queimada” para curvar à esquerda para a “Torre” testemunha isso mesmo: mais uma “eternidade” de tempo perdido que nem mesmo a enorme capacidade de tração vai conseguir atenuar.

Tão admirável quanto a capacidade de travagem é, realmente, a eficácia com que o E63 S AMG consegue colocar no chão os 612 CV. A evolução mais recente do sistema 4 Matic + gere instantaneamente, em função do tipo de condução e das condições do piso, a transmissão de torque a cada um dos eixos. Ou seja, podemos mesmo ter 100% da potência nas rodas traseiras (existe uma função “drift”, que serve para o óbvio e pode ser bloqueada), o que explica, em grande parte, a sensação de nos sentirmos como catapultados quando pressionamos o acelerador com maior impetuosidade, sem que a frente tenda, sequer, a perder a compostura.
A sensação de potência é realmente avassaladora. O V8 biturbo de 4.0 litros (um turbo de dupla espiral para cada bancada de cilindros) mostra o porquê de reclamar o estatuto de herdeiro da experiência Mercedes na F1. A resposta é soberba, como o demonstram os 3,4 segundos para a aceleração de 0 a 100 km/h e uma velocidade máxima limitada a 250 Km/h mas que pode ultrapassar os 300 Km/h com o Pack AMG Drive. É arte sob a forma de tecnologia, como o demonstram as performances ou talvez sobretudo, e consumo médio anunciado de 8,8 litros aos 100 km. Romântico? Claro que sim, a verdade é que se não abusarmos conseguimos médias impensáveis para um carro com estas capacidades, graças ao recurso às tecnologias mais avançadas, como o sistema que desliga uma das bancadas de cilindros quando circulamos abaixo das 3000 rpm.

Com esforço e concentração, lá conseguimos voltar a vislumbrar as três letrinhas mágicas a espreitar na traseira do carro da frente. Lembramo-nos por instantes dos tempos em que a defesa da honra e da tradição da Mercedes no desporto automóvel esteve confiada à AMG, então dirigida pelo português Domingos Piedade. Uma defesa alicerçada na paixão pela engenharia. A “tal” longa descida que nos leva de novo até à reta da meta lembra-nos isso mesmo: AMG é engenharia pura, (a tradução da sigla poderia muito bem ser Arte, Magia e Génio) e é isso que o E63 S AMG nos recorda.
Sabe bem reparar nos detalhes (aplicações em carbono, rodas de 20 polegadas, extrator na traseira, enormes entradas de ar na frente…) mas o mais importante é perceber que tudo isso serve realmente para valorizar…o que conta. Para enfatizar o trabalho realizado pelos engenheiros do chassis. Travar muito forte, com o carro quase totalmente desequilibrado e daí não resultar outro mal para além de uma desnecessária perda de tempo, é algo que só está ao alcance de uma estrutura a roçar a perfeição. Ainda mais quando, em estrada, e nos modos mais civilizados, este “carro do senhor diretor-geral” é capaz de se comportar como tal, com níveis de conforto que nos recordam as suas verdadeiras origens.
A nova geração do Mercedes E63 AMG está disponível em Portugal a partir da próxima primavera, com a versão de 571 CV a custar cerca de 138 mil euros, enquanto o mais potentes E63 S AMG (612 CV) a obrigar ao dispêndio adicional de 10 mil euros. Em qualquer dos casos apenas está disponível a tração integral 4 Matic +.