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Mazda2 Hybrid. O peso da herança familiar

Texto: Francisco Cruz
Data: 3 de Julho, 2024

Proposta de entrada na gama do construtor de Hiroshima, o Mazda2 recebeu, recentemente, nova atualização, centrada na imagem. Desafio que nos fez querer descobrir até que ponto se manteve indelével a herança familiar, mesmo com a garantia de uma maior “disponibilidade”…

Geração cujas origens estão bem longe daquilo que foi em tempos o compacto utilitário de Hiroshima, culpa, também, de um mercado que obrigou a marca nipónica a maiores doses, não só de racionalização, como também de cedência aos aspectos financeiros, a verdade é que o atual Mazda2 não deixa, ainda assim, de ser uma proposta com muitos e bons argumentos. Quanto mais não seja, por ter sido praticamente decalcado de um original de créditos mais do que firmados, como é o Toyota Yaris!…

Foto: Turbo
Foto: Turbo

Entretanto e apenas dois anos após o seu lançamento, então com uma indumentária em que, não mais do que os emblemas procuravam afirmar a diferença face ao “irmão quase gémeo” da Toyota, eis que a Mazda dá novo passo nos esforços de distanciamento entre os dois modelos. Desta feita, operando algumas alterações no design, a começar, pelo exterior.

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Assim e entre as novidades a destacar, uma nova grelha frontal, um novo pára-choques mais esculpido, além de um novo portão da bagageira, mais jantes de 16 e 17”, com novo design. Até porque, diga-se, pouco mais podia ser alterado, uma vez que o modelo continua a sair da mesma linha de montagem do Yaris, em Vallenciennes, França, onde, além da mesma plataforma tecnológica para ambos os modelos, tudo continua configurado à medida do utilitário da Toyota.

O habitáculo? Pouco de novo…

De resto, a mesma certeza é possível retirar do habitáculo do agora renovado Mazda2, com as novidades possíveis a manterem, elas próprias, muito do DNA Toyota. Como, de resto, acontece no novo painel de instrumentos de 12,3”, no head-up display e no ecrã central de 10,5 polegadas (9” nas versões mais acessíveis), o qual integra o também atualizado sistema de infoentretenimento, sem esquecer o fácil acesso ao habitáculo (pior, através das portas traseiras), a qualidade de construção e o nível dos revestimentos (plásticos, basicamente…), tudo idêntico aquilo que é possível encontrar no “irmão”.

O mesmo se passa, de resto, no que à posição de condução diz respeito, funcional mas também um pouco alta, com os ajustes manuais do banco a procurarem a facilitar o acesso à generalidade dos comandos, incluindo os comandos físicos da nova climatizarão automática de duas vias, e o botão no tejadilho que comanda a cortina do tejadilho panorâmico. Mais até, diga-se, do que a visibilidade traseira, prejudicada por encostos de bancos traseiros demasiado grandes.

Depois e a par de um ambiente com espaço suficiente para acomodar, com boa dose de conforto, quatro adultos, uma bagageira de acesso um pouco alto e com uma capacidade anunciada de 286 litros, mas que o rebatimento fácil 60:40 das costas dos bancos traseiros permite aumentar, garante a Mazda, para os 947 litros; não estamos a ver bem onde, mas se o fabricante o diz…

Foto: Turbo
Foto: Turbo

Ainda quanto ao equipamento de série, a partir de agora distribuído por cinco níveis, destaque para a inclusão, na versão Centre-Line por nós ensaiada, de mais-valias como os sensores de luz e de chuva, a importante câmara traseira (até porque não existem sensores traseiros), Head-Up Display, Wireless CarPlay/Android Auto, sistema de monitorização da pressão dos pneus, travão de estacionamento elétrico com Auto Hold e Hill Launch Assist. Além de e já no domínio da segurança e ajuda à condução, alerta de atenção do condutor (DAA), limitador de velocidade ajustável (ASL), Alerta de Transposição da Faixa de Rodagem, Manutenção (suave) na Faixa de Rodagem, Reconhecimento de Sinais de Trânsito, Ajuda ao Arranque em Subidas, Adaptive Cruise Control, Travagem Autónoma de Emergência, Intelligent Speed Assistance e Advanced Driving Assistance.

Híbrido puro… como um Toyota

Debaixo do capot dianteiro, o mesmo trem de força híbrido que o modelo de Hiroshima já exibia até aqui e que, apesar de agora com potência aquém dos 130 cv que o Yaris já anuncia, continua a ajudar à justificação da estratégia assumida pela Mazda. Desde logo, fruto dos 116 cv de potência combinada e 169 Nm de binário, ambos garantidos através de um 1.5 a gasolina de 92 cv, mais um motor elétrico de 82 cv, e que resultam, igualmente, na promessa de um consumo médio oficial entre os 3,8 e os 4,0 l/100 km. Mas que, no nosso caso, andaram bem mais perto dos 5 l/100 km, o que, ainda assim, não deixa de ser um bom registo…

Foto: Turbo
Foto: Turbo

E já que falamos no propulsor, momento para abordarmos, igualmente, a condução proporcionada por este renovado Mazda2 Hybrid e que, na verdade, pouco ou nada encerra de novo, já que o modelo não sofreu quaisquer alterações no domínio técnico. Mantendo-se, assim, a competência no desempenho, a óptima estabilidade e agilidade (neste caso, mercê, também, de uma direcção de bom nível), além de uma boa dose conforto, mesmo quando por pisos um pouco mais degradados.

Aliás, a mesma continuidade é possível confirmar naqueles que são os aspectos menos positivos, como é o caso do funcionamento da caixa CVT, hoje em dia com uma gestão melhorada, mas não imune a momentos de exageros na sonoridade, quando pressionado um pouco mais o acelerador e sem que isso consiga ser confirmação dos prometidos 9,7 segundos na aceleração dos 0 aos 100 km/h. Sendo que, aproveitando os três modos de condução disponíveis (Normal, Power e Eco), ainda que sem grandes diferenças entre si, mas também a capacidade de recorrer exclusivamente à propulsão elétrica, sempre que o momento o permite (arranques e velocidade estabilizada), até mesmo a apreciação final tende a permanecer imutável, ou seja, claramente positiva!

Mais barato ou talvez não

Já disponível no mercado nacional, em prol do modelo de Hiroshima surge ainda e juntamente com a atualização de atributos, um ligeiro corte no preço de venda ao público, o qual, nesta versão Centre-Line, passa a ser de 26 126,77€.

Valor que, ainda assim, diga-se, não chega para “bater” os 23 900€ do Yaris correspondente, reforçando a ideia de que, apesar de todas as justificações que terão presidido à estratégia delineada pela Mazda, nem mesmo no preço, este Mazda2 consegue disfarçar o peso da herança familiar…

Mazda2 Hybrid 1.5 116 cv e-CVT Centre-line

Preço: 26 126,77 €

Motor Gasolina, três cilindros,  1,4 litros + motor elétrico
Potência combinada 85 kW (116 CV)
Binário combinado ND
Transmissão Auto.
Tração Dianteira
Comp./Larg./Alt. (mm) 3.940/1.745/1.500
Dist. entre eixos (mm) 2.560
Peso 1.180 KG 
Bagageira (l) 286 – 947
Desempenho (s) 9,7 0-100 km/h
Vel. Máx. 175 km/h
Consumo 3,8 (5,0*) l/100 km
Capacidade bateria (KWh) 0,76
Emissões (g/km) 87

* Medições Turbo

GOSTÁMOS

– Desempenho
– Habitabilidade
– Equipamento

NÃO GOSTÁMOS

– Plásticos
– Acesso lugares traseiros
– Motor ruidoso