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Marcas chinesas de elétricos são más pagadoras

Texto: Carlos Moura
Data: 22 de Maio, 2024

As novas marcas chinesas de veículos elétricos estão a revelar-se más pagadoras, demorando muito tempo a pagar as faturas aos fornecedores. A Nio, por exemplo, demorou quase 300 dias a pagar as suas obrigações em 2023 contra 197 dias em 2021.

A transição da indústria automóvel de uma era de veículos de combustão para elétricos e outros combustíveis alternativos nunca iria ser suave. Esta mudança está a revelar-se ainda mais turbulenta do que o esperado na China, o maior mercado mundial de veículos elétricos e não só. 

O mais recente indicador da competição feroz no mercado chinês é o tempo que as marcas demoram a pagar aos fornecedores. De acordo com a agência Bloomberg, a Nio demorou cerca de 300 dias a pagar as suas faturas em 2023 contra 197 dias em 2021. Mas não é a única. A Xpeng demora uma média de 221 dias a satisfazer os seus compromissos.

O mercado chinês de veículos elétricos é um exemplo de sucesso para a implementação de regulamentos e da atribuição de subsídios à produção e às vendas para manter os preços baixos.

Contudo, a brutal guerra de preços, a competição feroz e o abrandamento da procura são fatores que estão deixar os fabricantes chineses em dificuldades. 

A Tesla, por seu lado, só demora 101 dias a pagar as suas dívidas. Esse prazo de pagamento não conheceu muitas oscilações nos últimos três anos. 

Guerra de preços na China

Os prazos de pagamento prolongados refletem a pressão que muitos fabricantes chineses estão a enfrentar. Atualmente existem cerca de 200 marcas de veículos elétricos que se procuram impor no mercado e só algumas deverão sobreviver até ao final da década.

Aquele que foi um mercado em rápida expansão está agora a enfrentar uma procura mais reduzida, que os fabricantes procuram ultrapassar com reduções agressivas de preços. 

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Atualmente existem sérias preocupações acerca do excesso de capacidade da China. Centenas de veículos elétricos chineses enchem os portos europeus devido a um misto de arrefecimento na procura e dificuldade em assegurar o seu transporte.

Ainda não se sabe ao certo se as marcas já conseguiram retirar os seus veículos elétricos destes portos desde que o Finantial Times divulgou essa notícia em abril.

Muitos fornecedores poderão aguentar esta pressão, mas resta saber como é que as empresas mais pequenas vão conseguir suportar os atrasos nos pagamentos.