Loire – Viagem ao Vale Encantado

Texto: Júlio Santos
Data: 9 Agosto, 2017

Se Paris e as celebrações dos 25 anos da Eurodisney estão a “tentá-lo” como destino para as próximas férias não deixe de prever alguns dias para uma “passagem” pela lindíssima região do Vale do Loire – uma viagem pela História da Europa

Conhecida como “o jardim de França”, a região do Vale do Loire – o maior rio de França, com mais de mil quilómetros – aloja um conjunto monumental, composto por mais de 80 castelos (loire-chateaux e les chateaux de la loire), que nos contam a história deste país que durante séculos “iluminou” a cultura europeia, influenciando-a de uma forma que ainda hoje se faz notar. Não por acaso, afinal, a Unesco classificou em 2000 o Vale do Loire como Património da Humanidade e se os castelos foram o motivo para essa importante distinção, a verdade é que os amantes da natureza, das paisagens inesquecíveis e da tranquilidade vão extasiar-se com aquilo que nos oferece este vasto território a 1500 quilómetros de Lisboa e a duas horas de carro desde Paris.

Tão rica e diversificada é oferta que qualquer sugestão corre o risco de não refletir, com a precisão desejada, a imensidão de experiências fascinantes que nos esperam. São, afinal, mais de 80 castelos e palácios que nos surgem, de forma inesperada, em pleno campo ou em pequenas cidades e vilas que não esqueceremos, como Angers, Saumur, Tours, Blois, Orleans ou Chartres, só para citar algumas. São parques imensos que apetece percorrer a pé ou de bicicleta, acolhedores cafés onde é obrigatório parar de manhã para tomar um café e comer um croassaint, esplanadas debruçadas sobre o Loire onde uma cerveja de final de tarde ganha um sabor inesquecível. E, claro, para os amantes dos automóveis, é a obrigatória visita a Le Mans ou ao Museu da Matra (www.museematra.com), a meia hora da cidade de Blois.

Três a cinco dias para conhecer o Vale do Loire vão “evaporar-se” e acredite que é uma pena estar por aqui e não aproveitar em pleno a beleza única desta região. Mas compreendemos que os “miúdos” estão impacientes pelo encontro com o Mickey e que a promessa feita à sua mulher de um almoço nas Galerias Laffayette é para cumprir pelo que atrevemo-nos a avançar com alguns pontos imperdíveis nesta visita.

Tours pode muito bem ser o primeiro ponto de paragem. A cidade “respira” a sua herança medieval a cada esquina ao mesmo tempo que a forte predominância de estudantes (mais de um quarto da população residente) lhe empresta uma vida muito própria. A Ponte Wilson, sobre o Loire, com mais de 400 metros de extensão e um total de 15 arcos, é um dos pontos de visita obrigatória, tal como a Basília de São Martinho.

Depois de uma manhã em Tours deixe a cidade na direção de Blois, seguindo pela A10 ou, preferencialmente, pela D952; a primeira é… uma autoestrada, a segunda oferece-nos um percurso lindíssimo tendo sempre por companhia o Loire e pequenas vilas muito bem cuidadas. É o caso de Amboise onde deve pernoitar para no dia seguinte visitar três locais imperdíveis: o próprio Castelo de Amboise, o Castelo de Chenonceaux e o Palácio de Clos Lucé.

O primeiro, berço e residência do rei Carlos VII de França, é considerado como um dos mais representativos símbolos do período renascentista, apresentando no seu interior peças e mobiliário que, no entanto ilustram variadíssimos períodos da história francesa. Além disso, conta com uma localização privilegiada, merecendo apenas ser contemplado ao longe, desde a margem esquerda, pois só assim ficaremos com a noção real da sua importância estratégica. Ainda em Amboise, a visita ao Palácio de Clos Lucé, construído em 1477, justifica-se pelo facto de ali ter vivido os últimos anos da sua vida o génio dos séc. XVI, Leonardo da Vinci. Além dos seus aposentos e gabinetes de trabalho, é possível conhecer réplicas de muitas das suas invenções, como o carro de ataque, a metralhadora e os primeiros estudos de viaturas motorizadas: “o movimento é a vida” repetia vezes sem conta.

Cerca de uma dezena de quilómetros desviado de Amboise, encontramos o Castelo de Chenonceau cuja estrutura principal (mas não a primeira) está construída sobre o rio Cher. A par dos lindíssimos jardins, o castelo construído em 1432 foi residência e propriedade de Catarina de Médicis e teve sempre um papel preponderante nos diversos períodos da história francesa, mesmo mais recente, de que é exemplo o facto de ter sido um dos bastiões da Resistência durante a Segunda Grande Guerra. O quarto de Catarina de Médicis, a coleção de arte e mobiliário e a ampla galeria que une as duas margens do Cher (na Primeira Grande Guerra transformada em enfermaria de apoio aos soldados), estão entre os pontos mais emblemáticos deste castelo marcado, também, por uma arquitetura invulgar. Percebemos isso mesmo quando deixamos Amboise e nos dirigimos a Blois. São cerca de 35 quilómetros pela D 952, à beira do Loire, com uma paragem obrigatória no Castelo de Chaumont.

Avistamo-lo entre o arvoredo e os torreões pontiagudos lembram-nos os desenhos que fazíamos enquanto crianças. Aliás, a história deste castelo, edificado no séc. X, também parece saída de um conto infantil: foi objeto de disputa entre Catarina de Médicis e Diana de Potiers (amante do seu marido, o rei Henrique II) para, a partir do século XVIII mudar constantemente de proprietário até ser adquirido, no final do séc. XIX, por Marie Charlotte de Say. Entre as múltiplas excentricidades desta princesa, herdeira de uma fortuna colossal, são famosas as festas ali realizadas para a realeza europeia (há uma foto à entrada que testemunha a presença do rei D. Carlos I de Portugal), as cavalariças iluminadas e aquecidas (luxos quase inexistentes nas casas da época) e a presença, nos jardins, de… um elefante oferecido pelo marajá de Kapurthala.

Mas este tipo de histórias de esbanjar e opulência tem, invariavelmente, o fim que todos conhecemos e esta não foi exceção… O castelo, bem como toda a propriedade que ocupa um total de 32 hectares de jardins e parque florestal, foi adquirido pelo estado francês em péssima situação, quase sem recheio que a princesa ia vendendo. Bem diferente é a história de Cheverny cujo castelo com mais de seis séculos manteve-se até aos nossos dias como uma propriedade privada, detida pelos marqueses de Vibraye. Ricamente mobilado (séc. XVII) e muito vem conservado, Cheverny, foi residência de Diana de Poitiers, mantém intacto todo o seu esplendor, mesmo depois do período difícil que foi a Segunda Guerra Mundial. A sua arquitetura e toda a organização do espaço em redor, reflete as preocupações de algumas das transformações porque se passou, assumindo-se, claramente, como um palácio de caça. De tal maneira a tradição perdurou que, ainda hoje os seus proprietários mantêm um canil com quase uma centena de cães de caça. Uma das maiores curiosidades é, porém, o facto de o Castelo de Cheverny ter inspirado Hergé para desenhar o Castelo Moulisart das aventuras de Tintin, do Capitão Haddock e, claro, do imprescindível Milou.

Depois de visitarem a exposição dedicada á obra de Hergé é provável que os miúdos estejam ainda mais ansiosos pela chegada a Paris mas explique-lhes que não vai poder deixar o Vale do Loire sem visitar aquele que é o seu símbolo maior: o fabuloso Castelo de Chambord, localizado a cerca de meia hora de Blois. Do Castelo é fácil encontrarmos definições mais ou menos apaixonadas mas todas elas coincidem numa ideia: depois de Versailles e Avignon Chambord é a interpretação maior da arquitetura Renascentista do séc. XVI, atraindo por ano mais de 800 mil visitantes. A sua construção teve inicio em 1519, precisamente no ano em que, em Amboise, morria Leonardo da Vinci a quem se deve (segundo alguns) o projeto de um dos ícones de Chambord: a escadaria de dupla hélice, caraterizada pela geometria aberta e em espiral. O que pode parecer hoje um detalhe foi durante muitos séculos uma solução pouco menos do que genial, devido à sua complexidade.

Afinal, uma criação bem no espírito de todo o monumento para o qual o rei Francisco I traçou um objetivo: se na maioria dos casos este tipo de construções tinha em vista testemunhar o poder (militar, económico, social, etc) daqueles que a mandam executar, neste caso estamos perante uma obra que pretende evocar a estética, a espiritualidade e o conhecimento. Sintomaticamente, embora a sua construção só tenha terminado no reinado de Luís XIV (mais de um século depois, portanto) a verdade é que o espírito e a traça original do projeto foram integralmente respeitados. As únicas alterações ocorreram no exterior, com a delimitação daquele que é hoje o maior perímetro florestal da Europa (5440 hectares).

Para além da arquitetura soberba, a visita demorada a Chambord justifica-se pela riqueza do mobiliário e das tapeçarias, além de outras peças que atestam a presença de diversas casas reais.

Sem receito de exagerarmos, asseguramos que uma manhã inteira não é demais para uma visita detalhada a Chambord. Pode ser, até, que no grupo haja quem se impaciente mas não é demais recordar que um pouco de cultura nunca fez mal. É, afinal, uma oportunidade soberba de despertar nos seus filhos o gosto pela descoberta e pelo conhecimento, tendo como pano de fundo uma região lindíssima e que tem o dom de nos permitir reviver alguns dos momentos mais marcantes da História da Europa.

 

Em Boa Companhia – Peugeot 5008

O Peugeot 5008 é a versão de sete lugares do 3008, “Carro do Ano” na Europa e “Melhor Carro” de 2016 para a Turbo. Os seus créditos dispensam mais apresentações mas, ainda assim, esta viagem de quase quatro mil quilómetros ao volante do Peugeot 5008 1.6 BlueHDi confirmou-nos que estamos perante um automóvel de caraterísticas invulgares. O espaço é imenso e a capacidade para arrumar toda a carga é ”inesgotável”, o que a juntar ao conforto e às caraterísticas de segurança coloca o maior dos SUV da Peugeot num patamar dificil de alcançar.

Além disso, permite-nos deixar a estrada para apreciarmos paisagens magníficas, capazes de marcar uma viagem. Foi o que aconteceu durante os passeios através das vinhas da região do Loire. Sem se fazer rogado, no final o 5008 apenas exigia… um bom banho! Ao interior acolhedor junta-se uma mecânica com provas dadas mas que, de novo, nos surpreende. Os quilómetros ficam para trás sem darmos conta, tal é a disponibilidade do motor turbodiesel de 1,6 litros, para no final, em ritmo vivo e considerando um trajeto em autoestrada, montanha e cidade, registarmos uma média de 5,8 L/100 km. Um belo companheiro.

 

Viagens Felizes! – Conselhos de Viagem Chicco

  • CADEIRAS AUTO: UMA BOA ROTINA Usar a cadeira auto é um gesto de amor, simples e quotidiano que deve tornar-se uma rotina sempre que viajar com o seu filho.
  • CADEIRAS AUTO DA NORMA ECE R44/04 Apesar de já haver uma nova norma, a ECE R 129, continuam a existir em maior quantidade, modelos de cadeiras auto homologados conforme a norma ECE R44/04 que, simultaneamente com a mais recente, irá continuar em vigor durante os próximos tempos. De acordo com esta norma, a escolha da cadeira auto deve ser efetuada em função do peso da criança. Por isso, subdivide o peso em “Grupos de Massa”, ou seja, faixas de peso nas quais são classificadas as cadeiras auto. Cada cadeira é projetada, homologada e produzida tendo este parâmetro como referência.
  • CADEIRAS AUTO MONO-GRUPO As cadeiras auto específicas, ou mono-grupo, cobrem um só Grupo de Massa. Garantem o máximo nível de segurança, conforto e funcionalidade ao bebé pertencente a uma determinada faixa de peso. Representam assim a solução ideal para uma utilização diária e frequente (veículo principal, viagens longas, etc.).
  • CADEIRAS AUTO MULTI-GRUPO As cadeiras auto multi-grupo cobrem, por sua vez, dois ou mais Grupos de Massa. Estas cadeiras representam uma escolha economicamente vantajosa porque cobrem duas ou mais faixas de peso, podendo ser utilizadas durante alguns anos. As características de segurança para as quais foram projetadas estão garantidas mas, tendo que acolher o bebé em várias idades e estaturas diferentes, são menos envolventes e portanto mais adequadas a um uso esporádico (por exemplo no carro dos avós ou da babysitter).

 

Se a França é o seu próximo destino de férias, aceite também o nosso convite e na nossa Viagem Turbo a Paris descubra diversos locais que pode visitar na capital gaulesa.

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