Jeep Cherokee renovado chega em outubro

Texto: Nuno Fatela
Data: 10 Setembro, 2018

A Revista Turbo já teve um primeiro contacto com aquele que será, na imagem, o mais “urbano” dos modelos da marca. Mas, apesar deste visual menos off-road, o novo Jeep Cherokee continua a ser um fiel exemplo das aventureiras capacidades dos modelos do fabricante americano

A grelha mantém as sete barras, mas não surge tão proeminente como em outros modelos como o Wrangler ou o Renegade. As linhas não são tão retas e de inspiração off-road como nos restantes irmãos da marca e como já foram nos antecessores. Mas não se engane pela aparência mais “civilizada”, o novo Jeep Cherokee continua a ter as mesmas capacidades que o tornaram desde os anos 70 num dos ícones dos que procuram explorar o mundo a bordo de um automóvel. Agora renovado, ganhando novos elementos de design, infotainment e conetividade, este modelo pretende conquistar maior peso nas escolhas dos consumidores nacionais. Para tal, estará disponível a partir de outubro com dois motores Diesel 2.2L de 150cv e 195cv, e com a fasquia inicial dos preços colocada nos 52000€.

As novidades

Em termos estéticos, há desde logo que elogiar a manutenção dos traços essenciais da imagem da marca, como os arcos das rodas alargados e de traços retos e a icónica grelha com sete aberturas. Mas, sem mexer no essencial, o Cherokee ficou agora com um visual mais moderno e elegante no exterior. Para tal têm especial contributo duas mudanças, primeiramente com a pintura dos para-choques na mesma cor da carroçaria e depois a alteração das linhas dos grupos óticos.

Na dianteira eles deixam de ser tão esguios e alongados, sendo mais facilmente identificáveis graças à assinatura visual, e na retaguarda ganham um perfil também mais distinto devido à opção pela tecnologia LED. Mas estas não foram as únicas alterações, e temos também a opção por um extenso teto panorâmico que ilumina todo o espaço interior. Além disso, reforçando a facilidade de utilização do Jeep Cherokee, ele passa a ter um portão da mala mais leve, cuja operacionalidade também é beneficiada pelo botão de encerramento no interior da bagageira com 570l (+70l) de capacidade.

O design exterior torna este SUV num veículo que, além do à vontade no off-road, prima também por um visual moderno que lhe permite navegar em cidade sem complexos relativamente a qualquer rival. E isso mesmo é também replicado na concepção do interior. Além de ter generosas áreas, e uma boa posição de condução, ele é composto por materiais de excelente qualidade e com acabamentos também de bom nível. Encontramos, por isso, um estilo de nível superior no Jeep Cherokee, capaz de rivalizar com os modelos de topo e onde está bem visível a utilização das peles e outros materiais muito agradáveis ao toque.

Também muito agradável ao toque é o novo ecrã (com 7” ou 8.4”) do sistema de infotainment Uconnect, com o Jeep Cherokee a receber a quarta geração desta tecnologia. Isto permitiu-nos navegar com toda a facilidade pelas estradas escolhidas para a apresentação, passeando também sem problemas pelos vários menus de forma intuitiva. Está também disponível outra opção, que passa por recorrer à capacidade de espelhamento das aplicações do smartphone, algo que se pode executar com recurso às aplicações Apple CarPlay ou AndroidAuto.

Outra das grandes novidades da gama Jeep Cherokee passa pelo reforço dos níveis de proteção aos ocupantes. Para tal foi integrada uma panóplia de novos sistemas. Tivemos oportunidade de testar o pouco intrusivo sistema de manutenção em faixa e os alertas de saída de faixa e de carros na proximidade (este um pouco mais nervosinho). Felizmente, não foi preciso testar a travagem de emergência, mas ficámos bem agradados com a sua presença, já que ele se revela verdadeiramente essencial para lidar com a “loucura” dos condutores da Sicília.

Além destes sistemas, e do automóvel estar protegido pela sua construção em 65% com recurso a aços de alta resistência, existem outros atributos que tornam mais segura, tranquila e confortável a vida a bordo do SUV. Destacando alguns deles, encontramos na primeira linha soluções como a câmara de visão traseira e as assistências ao estacionamento, a monitorização dos ângulos mortos e o limitador ativo de velocidade, todos eles no equipamento-base.

 

Ao volante

O facto da Jeep ser a marca que mais cresce na Europa e também em solo nacional (um imenso pulo de 3000% na primeira metade do ano), não se pode dever apenas à icónica imagem aventureira dos seus modelos. Ser a pioneira dos SUV tem grande importância numa área do mercado que atrai cada vez mais clientes, mas aessa imagem tem de ser correspondida pelo comportamento em estrada. Por isso, além de poderem andar na terra, neve ou lama, também é preciso que os modelos da marca o façam de forma afirmativa dentro de estrada. Como foi possível comprovar, o Jeep Cherokee cumpre esses requisitos.

Acomodados com uma boa posição de condução, algo que facilmente se obtém através das regulações elétricas dos bancos, partimos ao volante da versão de quatro rodas motrizes no motor de 195cv. Além da excelente disponibilidade do motor, respondendo com facilidade ao premir com mais veemência do pedal do lado direito, aquilo que mais surpreende é a agilidade num modelo já com um peso considerável. Ao atacar algumas curvas em aceleração, a estabilidade com que é mantida a linha de trajetória é uma clara demonstração da excelente dinâmica de condução que este Jeep Cherokee oferece.

E tivemos oportunidade de voltar a comprovar quando, com o tempo para chegar ao aeroporto um pouco mais “apertado”, tivemos novamente de puxar um pouco mais pelo SUV americano. Facilidade a escalar mudanças tanto com caixa manual como ao equipar a automática, facilidade em lidar com as transferências de massas sem que isso seja passado para o habitáculo e uma direção que responde com exatidão foram os pontos mais positivos neste primeiro contacto com este “índio” Cherokee.

Entre aquilo que menos nos agradou temos de destacar que talvez a forma como a suspensão filtra as irregularidades em estrada podia ser um pouco melhor, não querendo isto dizer, no entanto, que o Cherokee se torna alguma vez desagradável ou mesmo incómodo. Isso mesmo ficou demonstrado quando fizemos uma pequena incursão fora de estrada com o SUV. Passando principalmente por zonas de terra batida, mas também encontrando uma pequena passagem com areia e algumas irregularidades mais pronunciadas, foi notório à vontade com que o modelo circula em todas as situações. O que demonstra bem que, embora esteja muito bem preparado para lidar com o alcatrão, o Jeep Cherokee continua a não envergonhar a imensa herança dos antepassados de lidar facilmente com todos os terrenos que surjam na sua rota.

 

A gama

Com chegada a solo nacional planeada para outubro, sendo uma das três novidades que a marca vai lançar em solo nacional no próximo mês, o Jeep Cherokee estará disponível com dois motores 2.2L Diesel, de 150cv  de potência e 350Nm de binário e com 195cv e 450Nm. Para o motor mais frugal a oferta passa pela versão de duas rodas motrizes com a caixa manual de seis velocidades, que está disponível desde os 52000€. Já o bloco mais potente pode ser encontrado como 4×2 ou 4×4, e recorre à caixa automática de nove velocidades. Sobre as configurações disponíveis para o modelo, ele poderá ser encontrado nesta primeira fase com os níveis Longitude, Limited e Overland. Para o próximo ano fica reservada a chegada de mais uma opção, o Trailhawk.

 

Uma última referência: os italianos na estrada!!!

Antes de terminar este texto, não podíamos deixar de destacar a forma como se conduz na Itália, de forma geral, e especialmente na Sicília. Já antes, aquando de uma visita à fábrica de Melfi para visitar as linhas de produção do Jeep Renegade e do Fiat 500X, tinha ficado espantado com a naturalidade com que são ignorados os traços contínuos. Agora esta passagem fora do território continental, nas estradas sicilianas, mostrou-nos que conduzir nesta nação é realmente uma coisa de outro mundo.

Raias junto dos semáforos? Servem para alguém se colocar ao vosso lado e ultrapassar por fora quando o sinal abre. Traços contínuos? São apenas uma indicação sobre qual a linha que deves ignorar sempre que desejes ultrapassar alguém. Duplo traço contínuo? O mesmo, mas a dobrar! E, como se isto não fosse suficiente, as “rasias” durante as ultrapassagens são tais que, se abrirmos o vidro, quase podemos apertar a mão do condutor do outro carro. Bem sabemos que em Portugal temos alguns comportamentos a melhorar (quem não entra em “parafuso” com os acampamentos que se forma na faixa central das autoestradas…), mas guiar em Itália é uma experiência verdadeiramente surreal. Quem goste de emoções fortes, esqueça o bungee jumping, montanhas-russas ou saltos de avião. Aceite o nosso conselho: vá conduzir ao sul de Itália…

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