Guiámos o novo Renault Clio, que chega em setembro

Texto: António Amorim
Data: 18 Junho, 2019

A quinta geração do Renault Clio parece igual à anterior, mas não é. Nada mesmo. Basta olhá-lo com atenção para perceber isso. As óticas em forma de “c” mais parecem as do Mégane, a grelha também se aproximou do carro maior e nenhum, mas nenhum painel exterior é igual. Continua com cinco portas e a parecer um coupé de três, porque as traseiras continuam com o puxador camuflado no pilar.

Outro dado importante é que, nesta geração, não haverá carrinha, uma vez que a tarefa de levar mais alguma bagagem caberá ao SUV da gama, o Captur, também em pleno processo de substituição.

O Clio V até estreia uma nova plataforma (CMF-B), à qual vem associada uma nova suspensão, nova direção, novos travões. Está mais estável ainda, mais eficaz, mais confortável de conduzir e mais silencioso. E de caminho passa a poder receber sistemas eletrónicos de segurança e de ajuda à condução de topo na classe. É o caso do programador de velocidade ativo, com para-arranca autónomo, assistente de faixa de rodagem e ultrapassagem autónoma.

 

Os máximos também podem agora ser automáticos, o alerta de ângulo morto está muito mais seguro e preciso porque funciona por radar em vez de ultrassons e o Clio passa a poder estacionar-se quase sozinho, graças à ajuda das câmaras a 360 graus, herdadas da Nissan.

No habitáculo outra revolução, esta mais óbvia nas aparências, com o novo conceito que a Renault designa por Smart Cockpit. Todo o design do tablier, consola central, volante, ecrãs de informação, até dos bancos, foi alterada.

O tablier tem agora uma forma de onda em vez de ser plano e a consola está orientada para o condutor. A instrumentação é digital e configurável através do sistema Multi Sense, enquanto na consola fica disponível um grande ecrã central tátil em posição vertical de alta definição e antirreflexo, com 9,3 polegadas, para as versões mais equipadas. As outras terão direito a um ecrã de 7 polegadas, com ou sem sistema de navegação.

O posicionamento mais elevado do ecrã central resulta bem em termos de segurança, evitando que o condutor desvie demasiado o olhar da estrada e facilitando a operação manual.

Gostámos, acima de tudo, da qualidade dos materiais de revestimento que agora temos ao alcance das mãos e do olhar, e que dá ao Clio uma aparência mais refinada, em claro contraste com o que se passava com a geração anterior. A nova gama tem mais 25 por cento de superfícies macias.

No banco traseiro o espaço não impressiona mas talvez a marca tenha razão quando diz que os bancos, agora mais finos (e muito mais elegantes) permitem um ganho de alguns milímetros para os joelhos de quem se senta atrás. Os encostos de cabeça mais finos e elegantes também ajudam na visibilidade traseira.

Botões com aplicações em alumínio e novas hastes de volante para os piscas e luzes também marcam uma clara diferença, para melhor.

O Clio pode também receber travão de mão elétrico, deixando livres novos espaços para arrumar melhor os objetos, para além de ter na consola uma zona de carregamento de smartphones por indução.

A bagageira de um carro utilitário pode não ser o principal motivo de compra, mas não deixa de ser importante. E aqui o Clio V também ganha pontos, somando 5 litros (391) à volumetria da geração anterior.

Mais qualidade de condução

O somatório das alterações resulta num carro muito diferente da geração anterior. Tomando como exemplo os faróis, agora full LED; há um ganho de 70 metros no comprimento de iluminação, dando ao condutor do Clio outro nível de conforto. Mas não só de noite. A direção mais direta e precisa e, acima de tudo, a nova suspensão, mais firme e estável, consegue incutir divertimento numa simples estrada nacional, mesmo que sob o pedal do acelerador tenhamos o motor de três cilindros a gasolina de 1.0 litros tCe 100.

Este motor, com mais 100 cc e 10 cv de potência que o anterior tCe 90, responde de forma pronta mas silenciosa, proporcionando agilidade mais que suficiente ao Clio V. Continua acoplado a uma caixa manual de cinco velocidades que não é exemplar na precisão e rapidez de manuseamento, mas que tem agora o seletor numa posição um pouco mais elevada, para facilitar a condução.

O facto de a via traseira ser agora 12 mm mais curta pode ter alguma influência no aperfeiçoamento da dinâmica.

Para quem os 100 cv de potência e os 160 Nm às 2760 rpm não forem suficientes, está disponível a versão tCe 130, equipada com o motor turbo a gasolina de 1.3 litros e quatro cilindros, desenvolvido a meias com a Mercedes e associado à caixa automática EDC de sete velocidades. Claro que esta versão não consegue as médias de consumo de 4,4 litros que são declaradas para o tCe 100, mas não deixa de se conter nos 5,2 litros aos cem.

A gama também incluirá as versões Diesel 1.5 dCi com 85 ou 115 cv de potência, esperando-se para 2020 o primeiro híbrido da marca, o Clio E-Tech, este equipado com um motor a gasolina de 1.6 litros de origem Nissan, acoplado a dois motores elétricos, que têm a particularidade de substituir a embraiagem na operação da caixa de velocidades. Também lhe permitem arranques em modo elétrico puro na maioria das situações urbanas e asseguram capacidade regenerativa para a bateria de 1,2 kWh, sem função Plug-in (reservada para o próximo Captur E-Tech).

A nova gama nacional entra no mercado a meio de setembro, a incluir uma edição especial numerada de 50 unidades Edition One, baseada no nível de equipamento RS Line e com o motor tCe 130.

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