É a guerra! Audi e-tron vem ensombrar Mercedes EQC já em janeiro

Texto: António Amorim
Data: 18 Setembro, 2018

O duelo entre a Mercedes e a Audi nos SUV de luxo elétricos está ao rubro.

Depois de a marca da estrela ter anunciado o seu EQC, com a plataforma do GLC, dois motores elétricos e 400 km de autonomia, chega agora a vez da Audi mostrar a sua proposta para a mesma classe: o Audi e-tron, também um SUV de cinco lugares, com a mesma autonomia anunciada e também com um motor elétrico em cada eixo. A guerra abre no início de 2019!

O mercado é como o algodão: não tem nada que enganar.

O que vende mais são os SUV. Especialmente os de luxo. E a tendência, quase obrigatória, é para a eletrificação. Os gigantes da indústria automóvel têm de fazer pela vida e colocar no mercado propostas tentadoras e alinhadas com as novas exigências ambientais. No Mercedes EQC apresentado há duas semanas, tal como neste e-tron, vemos a conjugação de todas essas premissas: formato SUV, muito luxo e tecnologia elétrica pura.

O e-tron também é o primeiro de uma linhagem, mas não usa apelidos.

Com efeito, e ao contrário dos Mercedes elétricos, que são da submarca EQ, e dos BMW elétricos, que têm um “i” no início da designação, este Audi é um Audi. Ponto.

Está carregado de módulos de bateria de lítio em todo o seu piso e debaixo do banco traseiro.

Ao todo, são 700 quilos deles, capazes de armazenar 95 kW/h. Energia elétrica suficiente para fazer uma viagem de 400 km, segundo a marca, e capaz de disparar o e-tron dos zero aos cem em menos de seis segundos. Ao todo, são 300 kW de potência combinada (402 cv), e distribuída pelos dois eixos de forma continuamente variável consoante as condições de tração.

Se houver postos de recarga capazes de debitar 150 kW, o carro aceita e, nesse caso, consegue-se recarregar 80 por cento da bateria em menos de meia hora. Nada mau, mas o mais certo é que seja recarregado em casa ou no escritório, a 11 kW (oito horas) ou a 22 kW (4 horas e meia).

As câmaras-retrovisor serão um equipamento opcional disponível, com a particularidade de projetarem imagens em pequenos ecrãs colocados no interior das portas, os quais são táteis e permitem gerir os ângulos de observação, para além de terem visão noturna. Mas a principal vantagem  procurada pelos engenheiros da Audi é de caráter aerodinâmico, resultando num ganho de 2,5 km na autonomia só com esta solução.

Embora seja elétrico, o e-tron tem gestão térmica das baterias e precisa de grelha frontal, embora esta seja ativa por motivos… aerodinâmicos. As jantes também têm um formato que leva em conta a relação com o vento e a suspensão pneumática é de série, permitindo gerir a altura do carro consoante as situações de condução. Mais um ganho para a aerodinâmica mas também para o conforto e comportamento. O ar também passa facilmente por baixo do carro, porque o fundo é plano.

O Audi e-tron tem ainda a particularidade de ter uma porta de recarga em cada um dos flancos traseiros, cuja tampa é automática na abertura e no fecho. Tem ainda uma pequena bagageira dianteira de 60 litros, onde é suposto arrumar os cabos de recarga e um par de luvas, para não sujar a bagageira principal, onde cabem 600 litros de malas.

O coeficiente aerodinâmico de 0,28 e o apurado tratamento acústico juntar-se-ão, segundo a marca, às típicas caraterísticas dos carros elétricos para proporcionar um ambiente interior especialmente silencioso. Acreditamos, mas o que já comprovámos foi o generoso espaço para pernas e a sofisticação tecnológica, seja na vertente da informação e entretenimento, seja na vertente da assistência à condução, onde o e-tron estará nivelado pelos Audi A6 e A7.

A medir 4,91 m de comprimento e com uma altura de 1,61 m, o Audi e-tron está algures entre o Q5 e o Q7 em termos de posicionamento e, olhando para ele, identifica-se mais facilmente uma próxima geração dos SUV da Audi do que propriamente um carro elétrico, apesar dos detalhes identificativos, como o friso de luz na traseira.

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