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Igualdade, exige-se. Global NCAP chama a atenção para disparidades na segurança

Texto: Carlos Moura
Data: 6 de Janeiro, 2021

A organização Global NCAP chamou a atenção para as disparidades nos padrões de segurança dos automóveis vendidos em diferentes mercados, referindo que nos países mais pobres são comercializados os automóveis mais perigosos e exige níveis mínimos de segurança em todo o mundo.  

A organização de segurança dos veículos automóveis Global NCAP voltou a criticar a disparidade existente entre os padrões de segurança vigentes na Europa e aqueles presentes nos veículos vendidos em mercados com baixo poder de compra e que, segundo as Nações Unidas, representam 90% das 1,3 milhões de vítimas mortais em acidentes rodoviários em todo o mundo.

Um dos exemplos apontados é o Renault Kwid, modelo que já obteve fracos resultados na Índia e no Brasil. Agora no teste de segurança para veículos comercializados em África do Global NCAP, o Kwid alcançou apenas duas estrelas, apesar dos critérios serem menos exigentes do que os aplicados na Europa e nos Estados Unidos. O fraco resultado foi obtido mesmo depois do Kwid ter recebido algumas atualizações de segurança, incluindo airbag para condutor e passageiro.

Produzido na China, o Renault Kwid é muito semelhante ao Dacia Spring Electric, que deverá ser o automóvel elétrico mais barato produzido em série quando entrar em comercialização na Europa, já em 2021.

O Spring Electric vai exigir algumas significativas melhorias estruturais relativamente ao Kwid, assim como a inclusão de sistemas de segurança eletrónica, para cumprir as normas de segurança europeias.

Materiais de diferentes qualidades

Em 2018, a Suzuki já tinha sido criticada pelo facto do Swift, que é produzido pela Maruti Suzuki – o maior fabricante automóvel da Índia – ter obtido apenas estrelas. A sua carroçaria foi descrita pelo Global NCAP como “instável”.

A versão do Swift comercializada em mercados como a Índia ou África disfarça bem a sua fraca segurança porque a sua imagem é idêntica à do modelo vendido na Europa, onde alcançou três estrelas no mais exigente teste Euro NCAP.

Os fabricantes aplicam diferentes padrões de segurança em automóveis que parecem ser idênticos por uma questão de custos. Pelo menos esse é o entendimento de Alejandro Furas, diretor técnico do Global NCAP, que não tem dúvidas em afirmar que é utilizado aço de qualidade diferente e mesmo uma soldagem de qualidade inferior para reduzir o custo de produção.

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“Se analisarmos a versão brasileira do Renault Kwid verificamos que tem mais reforços no pilar A do que a versão da Índia. Nós conseguimos ver isso quando “despimos” o carro”, afirmou. O Kwid recebeu melhorias para o Brasil para responder às críticas que surgiram depois de ter falhado o primeiro teste de embate naquele país.

Os fabricantes automóveis e as associações da indústria rejeitam estas acusações, referindo que os automóveis cumprem as normas obrigatórias dos países onde são comercializados.

Contudo, o presidente do Global NCAP, David Ward, afirmou que esse argumento não é aceitável, chegando mesmo a acusar algumas associações de “bancarrota moral” com o objetivo de apoiarem a posição dos seus membros mais fracos.

A polémica está instalada e parece que veio para ficar.