Ginetta regressa aos desportivos

Texto: Nuno Fatela
Data: 27 Fevereiro, 2019

Tirando partido dos conhecimentos obtidos nos LMP1 durante os anos mais recentes, a Ginetta regressa aos desportivos de estrada com este modelo que estará no Salão de Genebra

Presente no Mundial de Resistência (WEC) nos anos mais recentes, com os LMP3 e LMP1, os britânicos da Ginetta têm também um legado de respeito nos modelos de produção. Após ter sido fundada em 1958, a marca criada pelos irmãos Walklett em Suffolk lançou vários modelos de estrada, embora o mais recente G60 tenha chegado à produção já no distante ano de 2012. Agora a marca aproveita esses conhecimentos ganhos no mundo de resistência para lançar um novo modelo de estrada.

O nome ainda não foi divulgado, mas as informações conhecidas fazem crescer água na boca. Temos um motor V8 atmosférico, fabricado a partir de um bloco único de alumínio, que debita mais de 600cv e 700Nm. Com as especificações de aceleração e velocidade máxima ainda em segredo, foi confirmado que o propulsor surge associado a uma transmissão sequencial de seis velocidades (com veio de transmissão em carbono), que conta com patilhas em alumínio para o volante fabricado em fibra de carbono.

Este desportivo será fabricado a partir de um monocoque em fibra de carbono, material usado também para os painéis da carroçaria. Isso ajudou a colocar o peso nos 1150kg, mesmo com a estrutura de proteção homologada pela FIA. Destaque que a colocação do V8 em posição central, que ajudou a alcançar uma divisão das massas de 49:51. Com a arquitetura da suspensão a ser idêntica à dos LMP1 da Ginetta, este modelo conta com um sistema de travagem em carbono para deter os pneumáticos que envolvem as jantes de 19” na dianteira e de 20” na retaguarda.

Na peculiar estética deste bólide encontramos mais semelhanças aos carros de Le Mans, por exemplo com a asa traseira igual à dos Ginetta que correm em La Sarthe. Além disso, temos um difusor e aberturas na carroçaria para melhor canalizar o ar através deste desportivo confirmado para Genebra. Estes elementos aerodinâmicos, juntamente com outros apetrechos específicos, garantem que o novo Ginetta consegue gerar 376kg de carga aerodinâmica a uma velocidade de 160 km/h. Se para si isto são “apenas números”, como termo de comparação a marca refere que são somente 5kg a menos do que geram os LMP3 de competição…

A bordo temos uma atmosfera marcadamente desportiva. Para tal contribuem desde logo as bacquets, mas também a escolha de materiais associados ao mundo da competição. Além do já referido volante em fibra de carbono com patilhas em alumínio, temos ainda revestimentos numa combinação de alcantara com mais fibra de carbono e alumínio. Equipado com diversas assistências de condução, é ainda referido que o Ginetta conta com uma bagageira de 675l, garantindo que a condução de um desportivo não elimina a possibilidade de fazer grandes viagens.

Não era possível terminar este artigo sem referir a ‘preciosa’ afirmação do Presidente da Ginetta, Lawrence Tomlinson, sobre o motivo para o lançamento deste carro. Ele afirma ter sentido “há muito tempo que existe uma falha no mercado, para um preço a rondar as 400.000 libras, de um supercarro desportivo genuíno de produção em série, que seja manufaturado de forma correta e acolha verdadeiras tecnologias e know-how oriundos do desporto”. Só nos resta agradecer ao Sr Tomlinson por ter preenchido esta falha no mercado…

Partilhar