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Fabricantes entusiasmados com mulheres sauditas ao volante

Texto: Nuno Fatela
Data: 3 de Outubro, 2017

Recentemente os sauditas foram o último país do planeta a abolir a proibição das mulheres conduzirem, uma alteração que deverá ter impacto positivo no mercado automóvel de um país cerca de 30 milhões de habitantes. Os fabricantes já tentam ganhar com esta mudança, alguns de forma bem criativa…

Na última semana foi dado um importante passo para a igualdade de direitos das mulheres naquele que é um dos mais retrógrados países do mundo nessa área, a Arábia Saudita, com um conjunto de alterações legislativas que inclui a possibilidade das mulheres passarem a conduzir. Como seria de esperar, esta situação não passou despercebida aos principais fabricantes, já que ela potencia as vendas de automóveis neste importante mercado automóvel e vai até diversificar a procura.

 

Com os SUVS a dominarem as vendas, a líder Toyota (com quota de 32%) e a Hyundai (segunda mais vendida com 24% do total) devem brevemente alargar o inventário para ir de encontro à procura por mais automóveis especialmente habilitados para a condução citadina, pois espera-se que venha a ser o principal ambiente de condução para as mulheres sauditas. Os modelos mais pequenos, como os citadinos e utilitários, estão entre os modelos que devem sofrer o aumento da procura. Além disso, pela necessidade de transportarem os seus filhos, por exemplo para a escola, os analistas referem que as mulheres sauditas também devem focar-se em viaturas mais aptas para esta utilização, como é o caso dos MPV.

 

Além dos asiáticos que dominam as vendas, outras marcas preparam-se também para explorar este crescimento do mercado automóvel saudita, e os europeus também se preparam para “atacar” este sector do país do Médio Oriente. Os Grupos VW, BMW e Jaguar Land Rover estão na frente dessa ofensiva comercial, pretendendo lucrar com os potenciais nove milhões de novos clientes, e lançaram uma “ação de charme” através de anúncios específicos.

No caso da JLR surgiram vídeos de uma mala de senhora com um batom, um perfume e onde passa a estar presente a chave de carro, acompanhados das mensagens “A aventura espera por si” e “A estrada é sua”. A VW publicou um vídeo com a expressão “A minha vez” entre duas mãos com tatuagens Hena (habituais neste país) e os bávaros optaram por um Mini Cooper a sair de um estacionamento que diz “Reservado para mulheres”. Referência ainda para os americanos da Ford, que colocaram no Twitter a imagem dos olhos de uma mulher no retrovisor, acompanhados da inscrição “Bem-vinda ao lugar do condutor” e ainda ofereceram um automóvel a uma famosa ativista dos direitos das mulheres ao volante.

 

 

Curiosamente, se os fabricantes automóveis esperam lucrar com esta abertura da monarquia saudita, existem outros que já se preparam para sofrer as consequências. É o caso, por exemplo, das empresas de car-sharing, que vão perder muitos clientes. Além disso, a Arábia Saudita deve também registar um êxodo de motoristas estrangeiros a trabalhar no país, pois com as mulheres a poderem guiar até ao seu destino deixam de precisar de um homem para essa tarefa.

 

Fonte: Automotive News