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Estes riquexós são responsáveis pela maior revolução eletrica do planeta

Texto: Nuno Fatela
Data: 29 Outubro, 2018

Embora a transição das motorizações na China esteja a ser alvo das maiores atenções, é na Índia, com os riquexós elétricos, que está a ser abraçada com mais força a introdução de motorizações de emissões 0.

A introdução em larga escala de veículos elétricos na China tem sido um tema com larga audiência, pelo impacto que estes automóveis têm para melhorar a qualidade de ar neste país. Mas é noutra nação asiática, também conhecida pelos problemas de poluição atmosférica que se está a proceder à maior revolução da mobilidade mundial com vista à introdução de viaturas sem emissões poluentes. Trata-se da Índia, um país onde estão 10 cidades que integram a lista das metrópoles mais poluídas do mundo da Organização Mundial de Saúde, que os riquexós elétricos estão a abrir caminho para um ar mais limpo.

 

Existem já 1,5 milhões destes veículos de três rodas neste território, o que supera o total de veículos elétricos comercializados na China desde 2011. E com uma grande curiosidade. Ao contrário da ideia generalizada que a transição das motorizações deve ser apoiada pelo Estado, são os próprios condutores na Índia que estão a descobrir sozinhos as diversas vantagens dos riquexós elétricos. A começar pelo maior silêncio de rolamento, mas também porque eles são mais rápidos, ecológicos e com uma manutenção menos dispendiosa. E, por tudo isto, garantem mais receitas aos seus proprietários. E não podemos esquecer que, para aqueles que ainda conduziam as versões sem motor, são muito menos cansativos do que andar todo o dia a dar ao pedal…

Este é um negócio que já representa 1,5 mil milhões de dólares, e existe uma perspetiva de crescimento de 9% nas vendas até 2021. Não admira, por isso, que esta área do mercado esteja a atrair grandes fabricantes como a Mahindra&Mahindra, também um gigante da indústria automóvel. Esta aposta nos riquexós elétricos acaba por ser interessante naquele que é o quarto maior mercado automóvel do planeta, onde os incentivos de aquisição de elétricos não tiveram o impacto desejado.

 

O caso de Anil Chandary, que falou com a Bloomberg, é um bom exemplo para mostrar as vantagens destes meios de transporte. Afinal, ele mudou há dois anos de um riquexó a pedal por outro com motor elétrico. Isso permitiu-lhe aumentar as suas receitas, ter períodos de descanso mais alargados e enviar mais dinheiro para a família. E ele revelou que “há dois meses, chamei o meu irmão da vila e dei-lhe o meu antigo riquexó elétrico para ele poder guiar. Comprei um novo para mim”.

Afinal, se apenas foram comercializados 6000 elétricos de quatro rodas neste país, este é um número bastante distante dos 1,5 milhões de riquexós elétricos que circulam no país. E, mesmo em comparação ao mercado automóvel, os registos de vendas destes meios de transporte já são bem interessantes. No último ano foram comercializados na Índia 635.698 riquexós elétricos, acima dos 600.174 veículos de emissões 0 comercializados na China, e com um crescimento de 24%. E este é um valor bem considerável em comparação aos 3,3 milhões de automóveis comercializados no mercado indiano. Isto mostra bem como estes riquexós elétricos são responsáveis pela maior revolução nas motorizações com vista à melhoria do meio ambiente e redução da poluição.

 

Fonte: Automotive News Europe

Foto: Facebook SmartE (uma das empresas que atua no mercado dos e-Rickshaw comercializados na Índia)

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