Espírito de competição – Ferrari Monza SP1 e SP2

Texto: António Amorim
Data: 28 Abril, 2019

Dramatismo levado ao extremo. É esta a melhor forma de descrever os Ferrari Monza SP1 e SP2, duas barquetas só para colecionadores e com produção limitada às 500 unidades

Esta é uma série especial do seu novo segmento “Ícona”, que a Ferrari aponta aos seus mais selecionados clientes. Para comprar uma das menos de 500 unidades que serão produzidas, não basta ter dinheiro. Há que ser convidado para isso. A questão do preço, que deverá rondar os 3,5 milhões de euros a peça, será demasiado mundana para ser sequer colocada.

“O segmento Ícona nasce de um conceito inspirado nos carros mais evocativos da marca durante ao anos 50 e dotados da melhor tecnologia atualmente disponível”. Esta é a descrição feita pela Ferrari para os Monza, que recuperam o tema das barquetas de competição, desde o pioneiro 166 MM de 1948 até aos 750 Monza e 860 Monza, nascidos para somar vitórias nas provas de resistência.

A coleção divide-se em duas versões, sendo o SP1 um monolugar e o SP2 um bilugar, no qual a cobertura do “toneau” desaparece, surgindo o segundo banco e um segundo arco de segurança para que um acompanhante possa sentir todas as emoções do condutor. Embora muito inspirados e orientados para a competição, ambos os formatos estão preparados para circular em estrada.

Os Monza, muito baseados no 812 Superfast e com carroçaria em fibra de carbono, estão também equipados com o motor mais potente da Ferrari, o V12 de 6,5 litros com 810 cv de potência disponível às 8500 rpm, do qual a marca reivindica 2,9 segundos na aceleração 0-100 km/h (7,9 s 0-200 km/h) e uma velocidade máxima de 300 km/h.

 

Tecnologias transplantadas da Fórmula 1 tornam estas unidades ainda mais especiais, seja no capítulo da mecânica seja a nível estrutural. No primeiro caso, encontramos neste motor o mesmo sistema de admissão variável que a marca utiliza na disciplina rainha, o que constitui, por si só, uma estreia em carros homologados. Já no segundo caso é o próprio responsável pelo design dos Monza, Flavio Manzoni, que esclarece que os painéis exteriores e interiores em material compósito obedecem à mesma técnica de fabrico dos monolugares de F1.

É a utilização deste material que está também por detrás do design puro e minimalista dos Monza, no qual o centro de estilo Ferrari evitou complicações desnecessárias, comuns em muitos dos atuais carros de pista. Preferiu, em vez disso, as linhas consideradas essenciais e típicas de um automóvel concebido para o puro divertimento.

As portas mínimas, que se elevam, são um exemplo dessa simplicidade, assim como a abertura do capot do motor, a integrar também o para-choques feito em carbono. Na frente surgem óticas modernas em LED e na traseira uma “assinatura” luminosa com a mesma tecnologia.

A marca garante também que os materais de baixo peso têm o efeito pretendido na dinâmica ágil e equilibrada dos SP1 e 2, sem qualquer tipo de adornamento, como se espera dos verdadeiros carros de competição.
Perante as elevadíssimas performances destes bólides de configuração totalmente aberta e sem para-brisas, a gestão do fluxo aerodinâmico em torno do habitáculo ganha uma importância extrema. Para resolver esta questão, a Ferrari patenteou uma pequena cúpula específica, o “Virtual Wind Shield”, ou para-brisas virtual, que consiste numa espécie de carenagem do corpo da instrumentação e do próprio volante, para que o fluxo de ar seja devidamente desviado e assim assegurar o máximo conforto do condutor.

 

Percebe-se, ainda assim, que a condução de um carro destes se pretende radical e o mais aproximada possível à de um carro de Fórmula 1. Fará portanto todo o sentido que se utilize um capacete, o qual está, por isso mesmo, disponível na lista de opcionais dos Monza, em conjunto com fatos, luvas e outros artigos especificamente desenhados pela Loro Piana e pela Berluti.
Requinte levado ao extremo.

 

Flavio Manzoni, Vice-presidente Ferrari, responsável pelo Design

“Quando a minha equipa percebeu que havia a possibilidade de recriar o mito de uma barqueta numa abordagem moderna, a nossa paixão e entusiasmo dispararam. Em poucas semanas já tinhamos criado cinco alternativas em 3D, cada uma melhor que a anterior!

Porque será que o concept de um Ferrari barqueta é visualmente tão arrebatador? Analisámos os nossos modelos do passado e isolámos os elementos-chave da sua essência. Encontrámos três: a pureza das formas, que parecem desenhadas de uma penada, também graças à essência do tejadilho; a harmonia do Design, com a forma de um bólide esculpido pelo vento, e finalmente a ligação muito especial entre o piloto e o carro. Foram estes os três elementos que retivemos, dando-lhes uma interpretação muito moderna.”

Ferrari Monza SP1/SP2

Motor: V12; 6496 cc; 810 cv/8500 rpm

Binário: 719 Nm/7000 rpm

Comp/Larg/Alt: 4,657/1,996/1,155 m

Peso a seco: 1500 kg (SP1); 1520 kg (SP2)

Desempenho: 2,9 s 0-100 km/h; 7,9 s 0-200 km/h; mais de 300 km/h vel. máx.

 

Artigo publicado na Edição Premium da Revista Turbo 446, de novembro de 2018. Adquira a nossa edição digital ou assine a Turbo e tenha acesso a mais conteúdos exclusivos