Ensine os autónomos a saber quem atropelar…

Texto: Nuno Fatela
Data: 30 Outubro, 2018

No estudo internacional Moral Machine, que pretende ajudar os veículos autónomos a saber como reagir em casos de “conflito de interesse” relativamente aos embates com outros objetos, os portugueses estão no sexto país da lista de condutores que respeitam mais peões que cumprem as leis.

Pode parecer um jogo de computador, mas na verdade o estudo “Moral Machine” pode vir a essencial para os veículos autónomos ganharem padrões de comportamento em situações de conflito, quando encontrarem múltiplos objetos na via. A ideia é saber como eles devem proceder em situações de “escolha múltipla”, como quando existe a possibilidade de embaterem contra pessoas ou animais, jovens ou idosos e outros cenários complicados.

Este estudo pretende ajudar os autónomos a saber como agir quando encontram situações de conflito.
A nível global destacam-se três grandes conclusões.
Os condutores preferem salvar vidas humanas do que as de animais
Preferem salvar as vidas de grupos mais numerosos em comparação com pessoas isoladas
Estão mais propensas a proteger jovens e crianças do que idosos.
Existem outras conclusões "curiosas".
Uma delas é que as pessoas com excesso de peso têm mais 20% de possibilidade de ser atropeladas em relação aos peões de porte atlético
Os sem-abrigo correm mais 40% de perigo de colisões com automóveis do que as pessoas de alto estatuto social
Nos países desenvolvidos, existe maior salvaguarda das pessoas que cumpram as leis de trânsito em comparação aos cidadãos que as desrespeitem
Os internautas escolhem não salvar, por esta ordem, gatos em vez de criminosos, cães e idosos.
Nos países desenvolvidos existe maior atenção com grupos de pessoas, humanos e cidadãos mais atléticos.
Na Europa do Leste e Ásia há maior atenção a quem respeite as leis em comparação aos jovens
Na América do Sul são os jovens, mulheres e pessoas de alto estatuto social que têm maiores níveis de proteção
Em Portugal destaca-se o facto de ser o sexto país do mundo onde existe maior preocupação em salvar quem cumpra as leis
De resto, o país está acima da média do estudo também nos parâmetros de proteção a jovens, mulheres, peões em relação a animais, grupos em relação a indivíduos isolados
Pelo contrário, estão com estatísticas inferiores na salvaguarda de idosos, humanos em relação aos animais e pessoas de estatuto mais elevado
Portugal está em 51º lugar no papel de países onde as pessoas preferem não agir.
Na proteção a peões é 55º, a mulheres está no 42º posto, a cidadãos mais atléticos é 72º e de salvaguarda de pessoas de maior estatuto é o 85º.
Na proteção de jovens estamos no 41º posto e na preferência por grupos em relação a indivíduos isolados repete este lugar. E para proteger humanos em relação aos animais está no 89º lugar.
Obviamente, as respostas são dadas num ambiente calmo e sem stress. Como tal, deve guardar-se alguma distância em relação a estes resultados, pois podem não refletir as verdadeiras ações que as pessoas vão tomar em situações-limite...

Este estudo, que obteve 40 milhões de respostas de cidadãos de mais de 200 países, apresenta três grandes conclusões globais. Elas são que os condutores preferem salvar a vida de pessoas em relação à de animais, salvar um maior número de vidas em casos de possibilidade de embate com grupos ou com indivíduos isolados, e também que preferem salvar a vida de jovens em relação à de idosos. Tudo situações que podem ser aceites pela generalidade das pessoas, mas a que se juntam ainda algumas especificidades nacionais.

 

No caso dos portugueses, destaque para o sexto lugar ocupado quando, em situações de possíveis embate, preferem proteger as pessoas que tenham respeitado as leis. Ou seja, salvaguardam quem esteja a passar em passadeiras, cumpra os sinais luminosos e respeite as restantes regras existentes. De resto, os portugueses revelam maior propensão, em comparação à media global, para salvar jovens, mulheres, peões em relação a animais, grupos em relação a indivíduos isolados e, como já referido, as pessoas que respeitarem as leis. Pelo contrário, estão menos inclinados para salvaguardar pessoas atléticas em comparação aos obesos, humanos em relação aos animais e pessoas de estatuto mais elevado. Veja que lugar ocupa Portugal em cada um dos parâmetros na fotogaleria deste artigo.

 

Aproveite para deixar também as suas respostas no site Moral Machine e ajude os veículos autónomos a saber decidir quem devem salvar em situações de possível embate.

 

Fonte: Moral Machine, via Autoplus

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