Suzuki Jimny 4WD ALLGRIP PRO. O último dos moicanos

Texto: Carlos Moura
Data: 10 de Setembro, 2021

O Suzuki Jimny Pro é o último dos moicanos que procura resistir num segmento em vias de extinção de veículos de todo-o-terreno “puros e duros”. Para poder continuar a subsistir na Europa, perdeu os assentos traseiros e passou a ser proposto apenas como comercial ligeiro, com motor a gasolina de 1,5 litros e tração integral. 

O Suzuki Jimny pertence a uma espécie de veículos “puros e duros” de todo-o-terreno que está em vias de extinção. Todavia, este modelo ainda conta com muitos adeptos incondicionais que apreciam as suas linhas clássicas, com poucas arestas suaves, a sua robustez e solidez, assim como as suas aptidões para ultrapassar quase todos os obstáculos, conseguindo aventurar-se em caminhos onde um Toyota Land Cruiser não chega…por ser demasiado volumoso para manobrar entre os obstáculos.

A mais recente geração do pequeno Jimny foi lançada no Japão em 2018 e a procura foi de tal modo elevada que a marca se viu obrigada a ter de adiar as primeiras entregas na Europa para março do ano seguinte. Os fãs deste modelo tiveram depois uma nova desilusão quando a Suzuki anunciou que iria deixar de vender o Jimny no Velho Continente para conseguir cumprir com os novos regulamentos de emissões da União Europeia para ligeiros de passageiros e, assim, atingir os objetivos de redução de dióxido de carbono da média da frota para 95 g/km, evitando as multas.

A legislação europeia ainda não é tão restritiva no que se refere às emissões de dióxido de carbono dos veículos comerciais e a Suzuki aproveitou essa oportunidade para homologar o Jimny como um ligeiro de mercadorias, enquadrado dentro da categoria N1. Os fãs incondicionais deste modelo agradecem, apesar do sacrifício dos lugares traseiros.   

INTERIOR

A grande diferença entre o Jimny de passageiros e a nova versão comercial, denominada AllGrip Pro, consiste na remoção dos assentos traseiros e pela introdução de uma divisória metálica, com a parte superior em rede, entre o compartimento de carga e o habitáculo. Essa solução permitiu aumentar a capacidade de carga para os 863 litros, mais 33 litros do que a versão de cinco lugares, com os assentos rebatidos.

O piso de carga é plano, embora seja elevado devido à altura ao solo, e possui um revestimento em material plástico lavável. Menos simpática será a ausência de uma tampa superior de cobertura do compartimento de carga porque deixa a descoberto tudo o que se coloque na bagageira.

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Passando ao habitáculo, este não renega as suas origens de um veículo clássico de todo-o-terreno. Todos os materiais são duros e escuros, mas robustos, não sendo possível descortinar um único material suave ao toque. O rigor da montagem, porém, é irrepreensível, transmitindo a sensação de que foi construído para durar.

O interior foi projetado para ser funcional e prático. Os comandos, por sua vez, foram desenhados para serem facilmente operados, até mesmo com luvas calçadas.

O painel de instrumentos possui dois mostradores clássicos, para o conta-rotações e o velocímetro, encontrando-se ao centro um ecrã monocromático, que permite aceder às informações do computador de bordo. Para esse efeito há que recorrer a um comando no volante multifunções, o qual também permite controlar o volume de som do rádio ou ativar / desativar o regulador da velocidade de cruzeiro.

A parte superior da consola central recebeu um sistema de audio com rádio CD + MP3 + DAB e Bluetooth, enquanto a meio se encontram os comandos do ar condicionado e da climatização, e mais abaixo dos vidros elétricos, do controlo de descida de pendentes, uma entrada USB e uma tomada de corrente de 12V.

Referência ainda para a pega frontal no lado do passageiro, que permite a este segurar-se na transposição de um obstáculo mais exigente. Entre os bancos dianteiros encontram-se duas alavancas, uma para a transmissão manual de cinco velocidades e outra para caixa de redutoras, com altas e baixas, assim como os comandos para aquecimento dos bancos dianteiros.

MECÂNICA

Com um comprimento exterior de apenas 3,48 metros e uma distância entre-eixos de 2,25 metros, o Jimny Pro assenta num chassis de longarinas, com dois eixos rígidos, diferenciais separados e redutoras.

Por baixo do capot encontra-se um bloco a gasolina, de quatro cilindros e 1462 cc, que desenvolve uma potência máxima de 102 cv às 6000 rpm e um binário máximo de 130 Nm às 4000 rpm. Este propulsor atmosférico está associado a uma caixa manual de cinco velocidades, de relações curtas. A velocidade máxima, porém, não vai além de 145 km/h.

Para aconselhar a engrenar a relação de transmissão mais recomendável para otimizar o consumo de combustível, com a marca a anunciar um valor combinado de 7,7 l/100 km em ciclo WLTP, o condutor conta com um indicador específico no painel de instrumentos.

Para utilização em fora de estrada, o condutor tem ao seu dispor o sistema de tração integral Allgrip Pro, com três configurações: 2H, 4H e 4L. Em utilização normal, a potência e o binário são transmitidos ao eixo traseiro.

Em situações de fora de estrada, piso com neve ou gelo é recomendável a tração integral, em altas. Para transposição de obstáculos mais difíceis, estão disponíveis as redutoras em baixa (4L). Para apoiar nas descidas mais íngremes é possível recorrer ao sistema de controlo de descida de pendentes, ativado por um botão na consola central.

A progressão em fora de estrada é facilitada por uma altura ao solo de 21 centímetros, assim como pelos ângulos de ataque, ventral e de saída de 37º, 28º e 49º, respetivamente,   

TECNOLOGIA

Desenhado a régua e esquadro, os limites da carroçaria estão tão bem identificados que dispensa qualquer ajuda ao estacionamento. Apesar do seu aspecto espartano e para desilusão dos mais “puristas”, o Jimny Allgrip Pro não é totalmente desprovido de tecnologia, contando com muita eletrónica escondida sob as linhas direitas do painel de instrumentos.

O ecrã monocromático não é muito bonito, a ligação Bluetooth é complicada, os menus são básicos, mas estão disponíveis todas as funções que seriam de esperar num automóvel moderno.

Para apoiar o condutor, o Jimny Pro conta com avançados sistemas de assistência como a travagem de emergência autónoma, o alerta de mudança de faixa de rodagem, o alerta anti-fadiga, assistência de luzes de largo alcance ou o reconhecimento de sinais de trânsito.

Outras ajudas eletrónicas vocacionadas para utilização em todo-o-terreno consistem no controlo de retenção e descida de pendentes.

A dotação de série inclui ainda o controle de pressão de pneus, as luzes de circulação diurna, os sensores de luminosidade, os retrovisores exteriores ajustáveis eletricamente ou o regulador da velocidade de cruzeiro / limitador de velocidade.

AO VOLANTE

Embora o volante só tenha regulação em altura, e o banco do condutor em comprimento e inclinação, a posição de condução é equilibrada. O assento, porém, merecia melhor apoio lateral, mas como o habitáculo não é muito folgado, o risco de cair para o lado também é limitado.

Em termos dinâmicos, e graças a um peso em vazio pouco superior a 1,1 toneladas, os 102 cv de potência e os 130 Nm de binário às 4000 rpm são mais do que suficientes para o Jimny Pro, designadamente nos ambientes onde está mais à vontade, como os estradões de terra ou as estradas nacionais.

A tração integral (4H) só é mesmo necessária em pisos soltos, como areia ou encostas com muita gravilha. Para a maior parte das situações basta a tração (2H). A segunda alavanca permite alternar entre os dois tipos de tração, operação que pode ser feita em movimento até aos 100 km/h. Uma pressão na mesma alavanca ativa as redutoras. Não há bloqueio de diferencial, mas também não é necessário, atendendo ao reduzido peso do veículo.

Já em estrada, as viagens são realizadas ao som do motor e acompanhadas pela zoeira da transmissão. A velocidades mais elevadas, o ruído é elevado, não só o oriundo do capot, mas também o aerodinâmico. O consumo de combustível registado durante o ensaio foi de 7,3 l/100 km/h, já com algumas incursões em fora de estrada.

VEREDICTO

Os fãs incondicionais dos veículos de todo-o-terreno “puros e duros” e que não necessitem dos lugares traseiros têm no Jimny 4WD Allgrip Pro uma proposta que vai de encontro às suas necessidades. A sua imagem “retro”, o princípio de construção de chassis com longarinas, dois eixos rígidos, ao que se junta uma generosa altura ao solo permitem a este veículo aventurar-se por caminhos mais difíceis. No entanto, o preço de venda ao público é menos simpático: 28.374 euros. Valor significativo para um veículo com 3,84 metros de comprimento, dois lugares e interior espartano. Mas divertido de conduzir!

 

Gostámos Gostámos

Imagem

Desenhado a régua e esquadro, o Jimny mantém as linhas clássicas de um veículo de todo-o-terreno, que transmitem uma imagem de robustez, resistência e durabilidade, apesar das suas dimensões compactas e do baixo peso.

Robustez

O desenho do interior é tão robusto como a construção. A ausência de plásticos macios no habitáculo reforça a sensação de que o Jimny foi construído para durar e que todos os comandos foram desenhados para serem operados com facilidade.

Capacidades TT

A altura ao solo de 21 centímetros, os dois eixos rígidos, os diferenciais separados e redutoras permitem ao Jimny continuar a oferecer as suas reconhecidas aptidões para todo-o-terreno, como o confirmam os ângulos de ataque, ventral e de saída.

Não Gostámos Não Gostámos

Motor ruidoso

O motor atmosférico de quatro cilindros é bastante ruidoso, sobretudo nos regimes mais elevados, dando a sensação que se está a circular a uma velocidade bastante elevada. Olhando para o velocímetro constata-se que não é de todo assim…

Consumo

Apesar do baixo peso e das dimensões compactas, o Jimny Pro não será propriamente um veículo económico sob o ponto de vista da utilização, uma vez que o consumo registado durante o ensaio foi de 7,3 l/100 km em condução normal e pouca autoestrada!

Classe 2

Não há bela sem senão! O aumento da distância ao solo nesta segunda geração do Jimny teve como reflexo um aumento da altura do primeiro eixo para mais de 1,1 metros e, como consequência, passa a pagar Classe 2 nas autoestradas.


Suzuki Jimny 4WD ALLGRIP Pro

Preço 28.374 € 

Motor Gasolina, 1462 cc
Potência 102 cv às 6000 rpm
Binário 130 Nm às 4000 rpm
Transmissão 4WD, Man 5 vel.
Peso 1165 kg
Comp./Larg./Alt. 3,48/1,64/1,72 m
Dist. entre eixos 2,25 m
Capacidade carga 270 kg
Desempenho ND 0-100 km/h; 145 km/h Vel. Máx.
Consumo 7,7 (7,3) l/100 km
Emissões CO2 173 g/Km

Equipamento
Série: Volante multifunções, ar condicionado manual, rádio CD MP3 com ligação Bluetooth, cruise control, bancos aquecidos, travagem autónoma de emergência, alerta de mudança de faixa de rodagem, alerta de fadiga do condutor, reconhecimento de sinais de trânsito, controlo de descida, controle de pressão de pneus, as luzes de circulação diurna, os sensores de luminosidade, os retrovisores exteriores ajustáveis eletricamente