Mini Cooper S Cabrio LCI II 2.0. A sonhar com o futuro

Texto: Francisco Cruz
Data: 10 de Novembro, 2021

Abrangido pela atualização que a gama recebeu já este ano, o renovado Mini Cabrio está já disponível, também, em Portugal. Com alterações que, é certo, não vão além de alguns pormenores estéticos e um reforço de tecnologia, mas que, graças também à maturidade que hoje em dia evidencia, fazem deste Cooper S um modelo especial para nos deixar a sonhar com os dias mais quentes que hão-de vir…

Proposta desde há muito com um sex-appeal muito próprio e cuja continuidade no futuro da Mini – ao que tudo indica, electrificado – parece já assegurada, a versão Cabrio, do hoje em dia bem mais exclusivo modelo britânico, parece estar para lavar e durar. Não necessitando, sequer, de grandes mexidas ou transformações, para continuar a conquistar corações.

A demonstrá-lo, surge o impacto que o modelo continua a causar por onde quer que anda e que nós, aqui na TURBO, voltámos a constatar, durante os dias que com ele andámos. Com o pequeno Cabrio a causar, invariavelmente, impacto, mesmo que alguns dos seus muitos admiradores se tivessem apercebido – chegámos a perguntá-lo!… -, logo à partida, de quaisquer alterações!

Foto: Carlos Moura/Turbo

No entanto, a verdade é que o restyling do Mini Cabrio trouxe alterações. Desde logo, na frente, fruto da introdução de uma nova grelha e pára-choques (também na traseira), de novos faróis e farolins em LED, novas jantes – as de 18″ que surgem nas fotos são opcionais e custam 487,80€ – e novas cores exteriores. Entre as quais, o Zest Yellow que o novo Mini Cooper S Cabrio LCI II ostentava e que, conjugado com um tejadilho de lona preta, parecia resplandecer ainda mais ao Sol.

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Aliás e ainda sobre a capota de lona, tudo igual como até aqui, com a Mini a manter a mesma configuração de accionamento 100% elétrico, com a lona a deslocar-se ao longo de calhas articuladas, em duas fases, até ao rebatimento completo: primeiro, abrindo apenas sobre os bancos da frente, para e em seguida, mediante um segundo toque no botão que se encontra no topo da moldura do pára-brisas, cumprir o resto do processo, já em conjunto com as calhas.

Completado o movimento em cerca de 18 segundos, a capota de lona passa a ficar dobrada sobre a parte superior da bagageira, não deixando de intrometer-se, também, na capacidade da bagageira. A qual, já de si com acesso mais apertado e capacidade limitada (215 litros), fica, ainda, mais condicionada, não indo além dos 160 litros. Mais, só mesmo rebatendo 50:50 as costas dos bancos traseiros, o que, ainda assim, não garante aproveitamento por aí além…

INTERIOR

Passando ao habitáculo, um maior número de novidades, a começar pelas novas saídas de ar e consola central, esta última, a albergar um novo Mini Center Instrument, agora com ecrã de 8,8″, de série. E a que se junta, ainda, um novo volante, de concepção desportiva, multiregulável e óptima pega, além de com novos botões de accionamento fácil, a contribuir para uma posição de condução que continua cativante. Mas que e ao mesmo tempo, já não parece, hoje em dia, tão… GoKart.

Foto: Carlos Moura/Turbo

Ainda assim e a prometer, igualmente, sensações mais desportivas, surge o óptimo banco, em tecido quadriculado e couro, com bom apoio lateral e as mais variadas regulações. Neste caso, a garantir melhor acesso aos mais variados comandos ou até mesmo aos escassos espaços de arrumação, do que propriamente visibilidade exterior. A qual é, ainda pior, para trás, onde, apesar da presença de um óculo em vidro, os sensores são pouco menos do que imprescindíveis!

Numa proposta que se mantém mais vocacionada para uma vida a dois – ou a três, se contarmos com o carro… -, os dois lugares de trás continuam sendo para ocasiões excepcionais ou, pelo menos, para passageiros não muito altos e ágeis. Já que a juntar, ao espaço mais contido para pernas, acresce um acesso apertado e baixo, quando com a capota colocada…

MECÂNICA

Proposto entre nós com várias motorizações, Diesel inclusive, o Mini Cabrio que tivemos oportunidade de testar envergava, no entanto, o bloco proposto com versão Cooper S – um quatro cilindros 2.0 litros a gasolina, neste caso, a debitar 178 cv entre as 5.000 e as 5.500 rpm, e 280 Nm, entre as 1.350 e as 4.200 rpm.

Foto: Carlos Moura/Turbo

E se, em termos de potência e binário, melhor, só mesmo com a versão John Cooper Works, já no que à transmissão diz respeito, a possibilidade de equipar o Cooper S também com uma opcional caixa automática de dupla embraiagem, mas de sete velocidades e com patilhas no volante. Aqui, a ajudar a prometer uma aceleração 0-100 km/h em 6,9 segundos e uma velocidade máxima de 230 km/h, valores que, mostrando correspondência no dia-a-a-dia, acabam confirmando, também, as ambições já mais desportivas deste motor.

Naturalmente, o vigor e a “chama”, pagam-se, com o Mini Cabrio Cooper S a responder com consumos reais na ordem dos 8,1 l/100 km (a marca anuncia 6,2-6,4 l/km WLTP), valor elevado para uma proposta compacta, mas que, ao mesmo tempo, nos desafia a explorar as suas capacidades. Até porque, nem mesmo com o modo de condução mais económico ‘Green’ seleccionado no sistema Mini Driving Modes (720€), passa a ser possível atenuar por aí além dos custos. Condicionando, sim e ainda que ligeiramente, respostas mais emocionantes, como é possível sentir no modo que o modelo adopta por defeito (Mid) e, principalmente, no mais apelativo Sport.

TECNOLOGIA

Aspecto que mais ganhou com esta renovação, a maior novidade centra-se, contudo, no já referido (e novo) sistema de informação e entretenimento, agora com ecrã táctil de 8,8″, e a que acresce a já conhecida consola com comando rotativo e botões de acesso directo às principais funcionalidades, entre os bancos dianteiros. Mas cujo acesso não é o melhor, particularmente, quando com o apoio de braço central em utilização…

Foto: Carlos Moura/Turbo

Aliás e ainda no sistema de infoentretenimento, a troca de alguns botões físicos por soluções tácteis e não tão intuitivas, embora com o sistema a responder, de forma rápida, ao toque. Não faltando, igualmente, funcionalidades como a integração de smartphone via Apple CarPlay, sistema de Bluetooth Avançado, carregamento Wireless, duas entradas USB, sistema de navegação Mini e os Serviços Connected Drive.

E se, por exemplo, o também novo painel de instrumentos 100% digital, só existe como opcional (custa 720€), já quanto a tecnologias de segurança e ajudas à condução, garantida está a presença do eCall inteligente, do Cruise Control com função de travagem, assim como dos sensores de estacionamento.

AO VOLANTE

Mas se a tecnologia ganhou argumentos, no capítulo do desempenho dinâmico, a maior novidade é a introdução de uma nova suspensão adaptável, a prometer uma condução GoKart ainda mais emocionante. Opção que acrescenta mais 325,20€ ao preço final do carro, que o “nosso” Cabrio possuía, e que, ao recorrer à tecnologia de amortecimento contínuo de frequência selectiva, garante um conforto acrescido no dia-a-dia. Acentuando, ainda mais, a maturidade em que a atual geração Mini parece ter entrado, hoje em dia já não tão visceral nas sensações como foi em tempos…

Foto: Carlos Moura/Turbo

Também agora com menos potência – passou dos 192 para os 178 cv, devido às exigências resultantes das emissões – , mas e ao mesmo tempo, com uma resposta invariavelmente pronta e competente, sobressai, assim, uma maior e melhor adaptação a uma utilização descontraída mas eficaz, graças também à forma competente como a transmissão atua, o mesmo acontecendo com a direcção, convincente na resposta e forma fácil como direcciona este Mini pelos caminhos desejados.

Afinal e em suma, tudo o que se espera de uma proposta que, mesmo mantendo uma certa veia desportiva, valoriza, cada vez mais, os cabelos ao vento, para deslumbrar…

VEREDICTO

A partir de agora, ainda mais enriquecido, fruto de um restyling que incidiu, principalmente, na estética e na tecnologia, a verdade é que, a verdadeira transformação do Mini, aconteceu com a apresentação da actual geração. A qual veio revelar um modelo de reacções mais maduras e adultas e que se mantém, após esta atualização.

Foto: Carlos Moura/Turbo

Exibindo-se como uma proposta cada vez mais exclusiva – afinal, custa 47,360€… – e a que junta a uma imagem inconfundível, um motor convincente e um comportamento sem mácula, não faltam, por isso, argumentos para que este Mini Cooper S Cabrio 2.0 continue a preencher os sonhos de muitos portugueses.

E de forma justificada, acrescente-se…

 

Gostámos Gostámos

Desempenho dinâmico

Hoje em dia mais maduro na postura e contacto com a estrada, continua a ser um automóvel que dá prazer e gosto conduzir. Ainda para mais, de cabelos ao vento…

Motor

Apesar da perda de potência face à anterior geração, este quatro cilindros 2,0 litros turbo continua pleno vigor e chama, despoletando no condutor uma vontade permanente de explorar as suas capacidades. E que são muitas!

Capota

Atraente na estética, beneficia ainda do facto de apresentar um funcionamento totalmente elétrico. Só é pena que toda a operação só possa ser feita a velocidades até 30 km/h…

Não Gostámos Não Gostámos

Consumos

É certo que não lhe falta emoção, nem sequer um desempenho invariavelmente cativante. Mas, ainda assim, esperávamos que os consumos fossem um tudo-nada mais contidos…

Posição do apoio de braço
Equipamento que procura garantir um maior conforto ao condutor, o apoio de braço dianteiro tem ainda a vantagem de poder ser rebatido. Isto, porque, está de tal forma “desconectado” da manche da caixa, que o melhor, no momento de conduzir, é esquecê-lo!

Legibilidade do painel de instrumentos ao sol

A partir de agora também disponível numa nova solução 100% digital, só é pena que o revestimento que cobre este novo painel de instrumentos se ressinta tanto do sol.


Mini Cooper S Cabrio LCI II 2.0


Preço 47.360,33
Motor 4 cil., 1998 cc, turbo, a gasolina
Potência 178 cv (131 kW) às 5000-5500 rpm
Binário 280 Nm às 1350-4200 rpm
Transmissão dianteira, cx. auto. 7 vel.
Peso 1400 kg
Comp./Larg./Alt. 3,88/1,73/1,42 m
Dist. entre eixos 2,50 m
Mala 160/215
l
Desempenho 6,9s 0-100 km/h; 230 km/h Vel. Máx.
Consumo 6,2-6,4 (8,1*) l/100 km
Emissões CO2 141 g/Km

* Medições Turbo

Equipamento
Série: cor exterior Zesty Yellow, painel de instrumentos digital multifunções, suspensão adaptativa (325,20€), transmissão automática desportiva de dupla embraiagem (1.829,27€), câmara traseira (325,20€), sistema Isofix (81,30€), versão Classic (1.747,97€), jantes em liga leve de 18″ com pneus runflat (487,80€), iluminação interior ambiente, Mini Driving Modes, Pack Comfort Plus (1.016,26€), sistema de acesso Comfort, deflector de vento, apoio de braços frontal, pack arrumação, volante e bancos dianteiros aquecidos, Connected Navigation (1.056,91€) com informação de trânsito em tempo real, integração com smartphone (Aple CarPlay), Bluetooth Avançado + Carregamento Wireless + dois USB, sistema de navegação Mini, Mini Service Inclusive 5 Anos ou 100.000 km.