Elegância Eterna – Jaguar E-Type Zero

Texto: António Amorim
Data: 28 Abril, 2019

Neste clássico restaurado pela Jaguar, a glória do passado junta-se à tecnologia do futuro. É elétrico, atinge os 100 km/h em 5,5 segundos e continua o mais belo carro de sempre

O próprio Enzo Ferrari deu a mão à palmatória, afirmando: “o Jaguar E-Type é o carro mais belo do mundo”. Aqui na redação da Turbo demos-lhe razão em julho de 2012 (edição nº 370), quando elegemos, com a ajuda e comentários dos mais conceituados designers do momento, os 50 carros mais belos de sempre, com o E-Type como vencedor supremo. Não custa, portanto, eleger agora este exemplar, recuperado e convertido pela própria “Classic Works”, a divisão de clássicos da marca, como o mais belo carro elétrico que se pode conduzir na atualidade.

Inicialmente exibido em Londres em 2017 como concept, depois conduzido pelo Duque de Essex no casamento real britânico, o Zero não deixou de ser imensamente polémico, provocando as mais amargas reações da parte dos mais puristas defensores do E-Type original. Ainda assim, o resultado fica acima de quaisquer críticas no que diz respeito à performance, como veremos, honrando todo o design original até ao mais ínfimo detalhe (excluindo a ausência de escapes e os faróis LED), beneficiando até do banco de órgãos da Jaguar Land Rover. Utiliza o grupo propulsor do Jaguar i-Pace, enquanto as baterias de iões de lítio são partilhadas com os híbridos Plug-in do grupo, como por exemplo o Range Rover PHEV.

 

Por mais estranho que pareça, a simbiose entre um E-Type original e a tecnologia elétrica teve aqui um resultado próximo do perfeito. A bateria, com 40 kWh de capacidade, anuncia uma autonomia de 250 quilómetros e ocupa o espaço do motor de seis cilindros do E-Type da primeira série. Logo atrás da bateria está um motor elétrico com 300 cv, ligado ao tradicional diferencial traseiro por um veio de transmissão… tradicional. Ou seja, tudo o que está à volta do conjunto formado pela bateria e pelo motor vem do modelo original. É o caso da suspensão, das jantes e pneus, dos travões.

O grande problema do Zero está no preço, a rondar os 340 mil euros, em parte explicado pela enorme distância a que está de uma cadência de produção em massa, mas também pela sua fidelidade ao modelo de origem. Não lhe foram aplicadas quaisquer alterações estruturais, não implicou qualquer adaptação de painéis e, caso o futuro proprietário o entenda, pode ser reconvertido às especificações originais. Por outras palavras, neste momento o projeto é composto por um E-Type original, verdadeiro, no qual foi montada a tecnologia elétrica, daí a exorbitância.

 

A eletrificação também não implicou quaisquer limitações de espaço ou de funcionalidade, libertando o condutor, o acompanhante e mesmo a bagageira de quaisquer constrangimentos face ao modelo de origem. E para que o próprio comportamento dinâmico não sofresse alterações, o peso do Zero é idêntico ao de um E-Type de combustão com o depósito cheio, assim como a distribuição desse mesmo peso pelos dois eixos e o próprio centro de gravidade.

Atingir esta homogeneidade até nem foi assim tão complicado, já que o conjunto composto pelo motor de seis cilindros em linha, caixa de velocidades e fluidos do modelo de origem rondava os 350 quilos, o que deixou uma certa margem de manobra para o pacote elétrico.

 

A funcionar como uma espécie de “comprovativo” de que a paixão pelos clássicos não é indissociável da eletrificação e da obediência às novas exigências ambientais, este E-Type silencioso e limpo pretende seduzir dois tipos de utilizador: por um lado, os novos consumidores, formatados para a eletrificação, mas que levam em conta as emoções de um carro de grande estilo; por outro, os amantes dos carros clássicos e, especificamente, do Jaguar E-Type, que assim passam a contornar as crescentes limitações à circulação de veículos de combustão menos limpa, geralmente associada aos carros clássicos.

Jaguar E-Type Zero

Preço base: 350 000 €

Motor: Elétrico; 300 CV

Peso: 1250 kg

Desempenho: 5,5 s 0-100 km/h; 240 km/h vel. máx.

Quando? 2020

 

Artigo publicado na Edição Premium da Revista Turbo 446, de novembro de 2018. Adquira a nossa edição digital ou assine a Turbo e tenha acesso a mais conteúdos exclusivos