Desvendado o mais potente motor de quatro cilindros

Texto: Nuno Fatela
Data: 7 Junho, 2019

Se o Mercedes A45 AMG já era a referência entre os desportivos compactos, promete ser ainda mais com o esplendor tecnológico do seu novo bloco, “apenas” o motor de quatro cilindros mais potente do mundo para modelos de produção

Bem sabemos que a evolução do mundo automóvel é espantosa, mas agora a Mercedes dá mais uma excelsa demonstração disso com o novo propulsor M139. Afinal, falamos apenas do motor de quatro cilindros mais potente do mundo, uma unidade de dois litros que será capaz de atingir os 421 cv de potência e os 500Nm de binário. Este registo será alcançado nas versões A45 S, que devem chegar não apenas ao Classe A mas também ao CLA e ao GLA. Para alcançar estes patamares de performance, há muitas novidades no motor M139, como poderá ver na fotogaleria seguinte…

O novo motor substitui o bloco de 380 cv do anterior A45 AMG, que também já era o motor de quatro cilindros mais potente para modelos de produção
Um dos objetivos foi obter uma aceleração mais linear e prolongada, para que os condutores sintam um crescimento do poder de aceleração enquanto as rotações sobem
Com 1991cc (2.0 litros), este propulsor chega aos 421cv (6750 rpm) e 500Nm (5000 - 5250 rpm) nas versões A45 "S". Isto significa mais 41cv e 25Nm que o antecessor.
Para as versões regulares dos A45, CLA45 e GLA 45 serão 387cv (6500 rpm) e 480Nm (4750 - 5000 rpm). 
O corte do motor está situado nas 7200 rpm
A produção será feita em Affalterbach seguindo a filosofia "One Man, One Engine". Mas neste caso o mestre artesão será apoiado por um novo processo com maior apoio tecnológico durante o fabrico do M139
A cabeça do motor foi rodada em 180º, alojando o turbo e coletor de escape na retaguarda. E ficou mais compacto, aerodinâmico e com o ar a cumprir um trajeto mais pequeno
A Mercedes colocou um turbo twinscroll com dupla canalização para o fluxo do ar que corre em paralelo. Também o coletor de escape tem dois circuitos, permitindo o fornecimento independente do ar do escape para a turbina.
O resultado disto é maior binário a velocidades inferiores, pois evita que o movimento de cada cilindro seja influenciado pelo ciclo dos restantes, além de acelerar o envio do fluxo de ar para o motor
Foram introduzidos novos rolamentos de baixa fricção para o eixo do compressor e da turbina (a marca designa-os como roller bearings), chegando mais rápido às 169.000 rpm
A taxa de compressão do motor é 9.0:1, e a pressão de injeção será de 2.1 bar (apenas 1.9 nas versões regulares)
Os novos A45 AMG vão ter o controlo eletrónico das válvulas de escape para melhor controlo da carga do motor, com mais precisão e flexibilidade, para acelerações ainda mais expressivas. 
Entre as informações que usa este controlo das válvulas estão a temperatura do motor e do ar, a pressão atmosférica e a velocidade.
A Mercedes coloca no novo motor um carter em alumínio. Este material mais leve e com maior condutividade térmica destaca-se também pela rigidez
A marca opta também por um desenho "closed deck" oriundo da competição, o que permite alcançar os 160 bar no pico da pressão de combustão. 
A envolvência dos cilindros é totalmente sólida, e cobertura apresenta apenas com pequenos orifícios para o óleo e líquido de refrigeração
Tal como acontece no novo Classe A, também os A45 vão contar com o revestimento Nanoslide da Mercedes para os cilindros, que garante menor fricção.
Os bocais dos injetores e as velas foram reposicionados na cabeça dos cilindros, o que permitiu também alargar as dimensões das válvulas de escape, otimizando a saída dos gases do motor
Outro dos segredos do motor de quatro cilindros mais potente do mundo é a dupla fase de injeção.
Além de recorrer a injetores piezo para enviar combustível a 200 bar de pressão na câmara de combustão, para chegar ao pico de performance do motor também existe uma segunda fase em que, com 6,7 bar de pressão, é injetada gasolina no coletor da admissão
Na refrigeração temos um segundo radiador colocado na cava da roda. E foi introduzido um sistema de baixa temperatura para ar/água no intercooler.
O arrefecimento do óleo da transmissão foi integrado no circuito de refrigeração do motor, e é assistido por um permutador de calor colocado diretamente na transmissão
Existe ainda uma bomba de água elétrica, com a vantagem de operar com independência total do motor. Ela pode ser desligada no arranque, ajudando o motor a chegar à temperatura ótima, reduzindo fricção, consumos e emissões.
Esta bomba pode também desativar-se sozinha, por exemplo em momentos de menor carga ou velocidades mais baixas. E também protege das temperaturas excessivas que poderiam, de outra forma, causar danos ao motor
A terminar, outra informação publicada pela Mercedes é da existência de uma dupla árvore de cames para controlar as 16 válvulas. O peso total deste motor é de 160.5 kg

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