Desgaste dos pneus ganha peso nas emissões e marcas já procuram soluções

Para medir as emissões provenientes do desgaste dos pneus, foram inventados novos sistemas de aspiração que permitem aos engenheiros distinguir, em tempo real, o pó proveniente dos travões e da estrada.

O desgaste dos pneus está a emergir como um dos principais desafios ambientais da indústria automóvel, à medida que cresce a preocupação com as emissões de partículas não provenientes dos motores.

Com a chegada das normas Euro 7, prevista para 2028, espera-se a introdução de limites específicos para este tipo de emissões, colocando nova pressão sobre fabricantes e fornecedores.

Para responder a este desafio, a indústria tem vindo a investir em investigação e desenvolvimento de soluções inovadoras. Entre as mais recentes estão sistemas de aspiração instalados junto às rodas, capazes de captar partículas diretamente na sua origem, permitindo uma análise mais precisa do impacto do desgaste dos pneus na poluição.

Como funcionam?

Estes dispositivos funcionam em conjunto com sensores avançados, que conseguem distinguir se as partículas provêm dos pneus, dos travões ou da superfície da estrada. A tecnologia permite ainda correlacionar os dados com fatores como velocidade, aceleração, condições meteorológicas e características do piso.

A fricção entre o pneu e a estrada é essencial para garantir aderência e segurança, mas é também a principal causa do desgaste dos pneus e da geração de partículas microscópicas. Este fenómeno não afeta apenas os pneus, contribuindo também para o desgaste da própria estrada e para o aumento da poluição atmosférica.

De acordo com a Continental e European Tyre and Rim Technical Organisation, diversos fatores influenciam o nível de desgaste, incluindo condições meteorológicas, temperatura, design do pneu, tipo de veículo, características da estrada e topografia do percurso. Ainda assim, o comportamento do condutor surge como o fator com maior impacto.

Casos de estudo

Fabricantes como a Continental e a Michelin têm vindo a estudar este fenómeno ao longo dos últimos anos. Em 2024, a Michelin apresentou um sistema de vácuo para medir partículas emitidas pelos pneus.

Já no caso da Continental, destaca-se o projeto “Online analysis of airborne tyre wear particles at the point of origin and differentiation from other sources” (OLRAP), desenvolvido em conjunto com a Universidade Técnica de Braunschweig. Os dados recolhidos permitiram analisar a quantidade, dimensão e estrutura das partículas emitidas e já estão a contribuir para o desenvolvimento de pneus mais eficientes.

Segundo a Autocar, um mais recente “dispositivo multisampler” conseguiu identificar partículas associadas a momentos específicos de condução, separando, por exemplo, as recolhidas em curva das obtidas em linha reta.

A equipa de investigação deste estudo, afirma a publicação, afirma ter identificado correlações claras entre a concentração de partículas e os perfis de velocidade, bem como o efeito da aceleração longitudinal e lateral no desgaste dos pneus.

Mais detalhes só no futuro

No caso da Continental, os estudos divulgados apontam para uma conclusão comum: a redução dos níveis de partículas provenientes do desgaste dos pneus não poderá comprometer a segurança.

Isto porque a principal função de um pneu é transferir as forças do veículo, sendo a aderência garantida pela fricção. Um processo que, inevitavelmente, implicará partículas. Resta saber se os limites de emissões para o desgaste dos pneus avançará, e os impactos que esta decisão trará.

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