Condução autónoma aumenta o perigo na estrada

Texto: Nuno Fatela
Data: 18 Julho, 2019

Esta foi a conclusão de um estudo realizado no Reino Unido, onde foram colocados em evidência os problemas no momento de retomar o controlo do automóvel.
A condução autónoma tem sido anunciada como uma tecnologia para impulsionar a segurança nas estradas. Mas, pelo menos na sua fase inicial de introdução e sem o Nível 5 (onde o humano nunca intervém), pode acontecer o contrário. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Universidade de Nottingham, que veio afirmar que a condução autónoma aumenta o perigo na estrada.

Este estudo, da Universidade de Nottingham, centrou-se no momento de retomar o controlo da viatura após a condução autónoma
A principal conclusão é que o excesso de confiança nesta tecnologia traz problemas quando é preciso voltar a pegar no volante
Foram avaliados 49 condutores, de diferente idade e género, que passaram meia-hora por dia num simulador de condução. A experiência durou cinco dias e apresentou diversos cenários
A condução quotidiana levou as pessoas a melhorar as suas qualidades. Mas eles também se tornaram mais descuidados devido à condução autónoma
O aumento no tempo de resposta, as más decisões e os erros ao volante aumentaram depois de desativado o sistema de piloto automático
Os condutores também se tornaram mais complacentes ao volante, aproveitando para ler, fazer a maquilhagem e até dormir enquanto o carro estava no controlo
Esta é uma situação extremamente perigosa, pois com exceção do Nível 5 (máximo) da condução autónoma, é preciso o condutor estar sempre preparado para retomar o controlo da viatura
Estas questões lançam alertas sobre a condução autónoma, uma vez que diferenças de segundos podem ter efeitos castatróficos em situações de perigo e contribuir para maior sinistralidade rodoviária

As principais conclusões do estudo podem ser encontradas na fotogaleria. Mas o que se coloca em evidência são os problemas no momento de retomar o controlo da viatura. Por um lado, os condutores não estão preparados para tal. Depois, pela falta de “situation awareness” (perceção da situação), que os leva a tomar más decisões quando voltam a assumir o volante. Além disso, os tempos de resposta dos condutores aumentaram.

Este estudo destaca um problema que, diga-se, até já resultou em mortes. Basta recordar a falta de atenção de condutores dos Tesla em Autopilot. como no caso em que um deles, distraído a ver um filme, acabou por embater num camião.

Como garantir que os condutores estão prontos para retomar o controlo do carro a qualquer momento é, efetivamente, um problema. Além disso, a sua concentração para guiar depois de relaxar em modo piloto automático é outra questão que merece atenção. Com a corrida à condução autónoma cada vez mais intensa, falta saber como vão os fabricantes responder a estes desafios…

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Fonte: Autoevolution