Citroën C5 Aircross. Topo de gama acessível

O novo porta-estandarte da Citroën traz o conforto e o refinamento para patamares de preço acessíveis. A versão mild hybrid de 145 cv é a mais apetecível.

O novo porta-estandarte da Citroën traz o conforto e o refinamento para patamares de preço acessíveis. A versão mild hybrid de 145 cv é a mais apetecível.

De regresso a um posicionamento que lhe é natural, construtor de veículos familiares confortáveis, a Citroën tem no novo C5 Aircross um topo de gama à altura da história do duplo Chevron.

A segunda geração do SUV do segmento C beneficia da migração para a plataforma STLA Medium da Stellantis, uma estreia na Citroën, para se apresentar maior e mais confortável.

Para além de beneficiar de um leque completo de ajudas à condução. Totalmente eletrificada, a gama conta com uma motorização 100% elétrica, um híbrido de bateria recarregável e o híbrido ligeiro, com arquitetura de 48 V, das imagens.

Com um preço base de 33 490 €, representa motorização mais acessível da gama C5 Aircross. Dentro da família Stellantis, onde a mesma plataforma serve de base a diferentes modelos, só o Peugeot 3008 (32 900 €) consegue um preço inferior. Opel Grandland (34 100 €) e Jeep Compass (40 963 €) são mais dispendiosos. O mesmo é válido para concorrentes externos como o Renault Austral (37 230 €), Volkswagen Tiguan (38 725 €), Kia Sportage (37 915 €) ou Toyota Rav4 (48 280 €).

Mais comprido e largo

Embora mantenha os 1,66 metros de altura, o Citroën C5 Aircross de segunda geração alargou 50 mm para os 1,90 m e esticou o comprimento até aos 4,65 m (mais 150 mm) e a distância entre eixos até aos 2,78 m. São mais 60 mm, 51 mm dos quais direcionados para o espaço para as pernas dos passageiros da fila traseira.

Fiel ao protótipo C5 Aircross Concept, o novo SUV da marca do duplo Chevron rompe com as linhas arredondadas da primeira geração, para adotar um design mais anguloso. As óticas Matrix LED, exclusivas do nível de equipamento de topo Max (39 590 €), marcam a secção dianteira, com uma reinterpretação da assinatura visual de três pontos da Citroën.

Elevada, a linha de cintura realça a solidez da carroçaria, que parece fluir em direção à traseira marcada pelas Light Wings da Citroën. Estas consistem em duas pequenas aletas que se projetam da base do pilar C, criando dois pontos de luz exteriores destacados da moldura, parecendo flutuar como duas asas na lateral do automóvel. Uma solução que alia a espetacularidade do design à função aerodinâmica.

O resultado do investimento pode ser medido pelo coeficiente SCx de 0,75, inferior aos 0,84 da geração anterior e, nas motorizações PHEV e elétricas, pelo ganho de 30 km de autonomia EV em autoestrada.

Sofa Design

Desenhado sob o conceito Sofa Design da Citroën, o interior é dominado por um tablier longo e horizontal, concebido como uma peça de mobiliário da sala de estar. A secção inferior é revestida por uma espuma de alta densidade com toque de tecido, que se estende aos painéis das portas e aos bancos. Estes utilizam a tecnologia Citroën Advanced Confort para criar quatro lugares confortáveis.

No entanto, apesar de os bancos traseiros poderem ajustar a inclinação das costas entre os 21 e os 33 graus e, nesta versão Max, serem aquecidos, perdeu-se a calha e respetiva possibilidade de ajuste longitudinal da primeira geração.

As costas mantêm o rebatimento 40:20:40 e a bagageira, embora tenha encolhido ligeiramente para os 651 litros, deixou de variar em função da motorização. Neste nível de equipamento mais completo, o movimento do portão é elétrico.

Em contraste com a suavidade da espuma que reveste a secção inferior do tablier, a generalidade dos plásticos tem toque e aparência básica. Ainda que a montagem pareça sólida. Como um prolongamento da consola para o tablier, o novo ecrã tátil de 13 polegadas, denominado Cascata, é o centro de integração com o C5 Aircross.

Orientado em posição vertical, apresenta quatro zonas distintas, com destaque para a grande área central personalizável e para a zona inferior com acesso direto aos comandos da climatização do condutor e passageiro. Estes dois bancos têm regulação elétrica, aquecimento, ventilação e função de massagem.

Sem pressas

Sem surpresas no que respeita às motorizações, a versão mild hybrid do Citroën C5 Aircross combina o bloco 1.2 de três cilindros e 136 cv com um motor elétrico de 12 cv instalado na caixa de dupla embraiagem e seis velocidades para desenvolver um total de 145 cv. Valor interessante para um SUV com pouco mais de 1,5 toneladas, desde que não se tenha pressa, como os 11,2 segundos do arranque até aos 100 km/h deixam bem claro. 

O motor elétrico, alimentado por uma bateria de 0,88 kWh (0,43 kWh úteis), está mais orientado para poupar gasolina no pára-arranca do que facilitar ultrapassagens, que devem ser bem calculadas. Especialmente no modo Eco, cujas limitações de potência e binário demoram a ser anuladas pelo kick-down.

Optar pelo modo Sport não produz resultados que compensem o aumento da sonoridade do motor 1.2, levado a explorar regimes mais elevados. Em cidade e no modo Eco o ruído torna-se menos presente, substituído pelo turbilhão aerodinâmico da zona das portas, se a viagem for em autoestrada. A caixa tem patilhas no volante para o modo manual e para selecionar os três níveis de intensidade da travagem regenerativa. Independentemente do modo de condução escolhido, a melhor média ponderada que registámos foi de 7,2 l/100 km, consideravelmente acima dos 5,6 l/100 km oficiais.

Herdeiro de uma longa tradição de automóveis confortáveis, o C5 Aircross recorre aos amortecedores de batentes hidráulicos progressivos para suavizar o pisar. O resultado é notável, com o SUV a destacar-se da concorrência, mesmo dos primos de plataforma, no capítulo do conforto de rolamento. As jantes de 19 polegadas, com pneus 225/55, contribuem para absorver irregularidades e até para subir passeios sem medo. O balanço da carroçaria em estrada é agradável e perfeitamente amparado pelos bancos envolventes.

VEREDICTO

Acabada de estrear, a segunda geração do Citroën C5 Aircross pode não corresponder à definição de topo de gama adotada por outras marcas. No entanto, é o maior e mais confortável veículo do construtor do duplo Chevron, fazendo uma justa homenagem aos modelos de outros tempos. Os materiais oferecem uma qualidade ajustada ao patamar de preço, que é muito competitivo. Os consumos e a falta de refinamento do motor são as principais falhas desta versão mild hybrid.

FICHA TÉCNICA

Citroën C5 Aircross Max Hybrid

PREÇO  33 490€ (39 590€ versão ensaiada)

MOTOR Gasolina 3 cil. 1199 cc + elétrico

POTÊNCIA 107 kW (145 CV)

BINÁRIO 230 NM

TRANSMISSÃO Dianteira, Auto, 6 vel.

COMP./LARG./ALT. 4,65/1,94/1,69 M

DISTÂNCIA ENTRE-EIXOS 2,78 M

PESO 1606 KG

MALA 565 - 1668 L

ACEL 0 - 100 KM 11,2 S

VEL. MAX 198 KM/H

CONSUMO WLTP 5,6 (7,2*) l/100 km

EMISSÕES 121 G/KM

IUC 111,46 €

* Medições Turbo

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