China sacrifica porcos vivos em testes de colisão automóvel

Texto: João Monteiro de Matos
Data: 7 Novembro, 2019

Não é propriamente uma notícia recente, mas só se tornou do conhecimento público após a publicação científica Journal of Crashworthiness ter disponibilizado a informação de forma gratuita no seu web site no final do mês de outubro deste ano.

Vários cientistas do Instituto Chinês dos Acidentes Rodoviários estão a ser investigados por terem usado, em 2017, porcos vivos como manequins de testes de colisão, deixando estes animais mortos ou dolorosamente feridos dentro dos veículos.

De acordo com a imprensa internacional, sete porcos foram sacrificados e outros oito ficaram gravemente feridos com ossos partidos e hematomas internos, isto depois de terem sido amarrados a cadeiras de bebés para serem posteriomente projetados contra paredes a mais de 47km/h.

Ao que se sabe, o objetivo destes testes bárbaros era desenvolver cintos de segurança para crianças, sendo que estes investigadores chineses consideraram a estrutura anatómica dos porcos semelhante à de menores com seis anos, daí terem optado pela utilização de seres vivos.

“As lesões feitas pelos testes resultaram em sete mortes. As lesões mais comuns incluem abrasão, contusão, laceração, sangramento e fratura”, pode constatar-se no relatório dos investigadores.

“Os resultados podem ser úteis para aprender sobre lesões torácico-abdominais pediátricas”, indica ainda este relatório, apelidado já como um dos mais terríveis da história do setor automóvel.

De acordo com o jornal britânico The Independent, os sete autores do ensaio, do Instituto de Medicina de Trânsito da Universidade Militar de Medicina, em Chongqing, asseguram que foram seguidas as regras norte-americanas referentes ao uso de animais de laboratório e que o estudo foi aprovado por um comité de ética.

Contudo, várias associações de defensa dos animais, incluindo a PETA, já vieram dizer que é “impossível” estar dentro dos parâmetros éticos para o uso de animais em experiências científicas.

“Uma experiência como esta era muito improvável que passasse no rigoroso processo de revisão ética do Reino Unido, que tem de ser assegurado antes que uma licença seja atribuída”, considerou um dos responsáveis pela PETA.