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BMW i4 eDrive35. Crítica da razão pura

Texto: Carlos Moura
Data: 6 de Janeiro, 2024

O primeiro grand coupé elétrico da BMW está disponível numa versão de acesso, denominada eDrive35, que apela sobretudo à razão, já que oferece o mesmo nível tecnológico da restante gama i4, mas por um preço base mais convidativo. Impressionante é a eficiência energética.

A versão de entrada do grand coupé elétrico do BMW i4 passou a ser a eDrive35 que, sem opcionais, custa menos 7200 euros do que a eDrive40. A marca alemã desenvolveu esta variante para o mercado empresarial, mas para os particulares também se apresenta como uma proposta racional, já que oferece uma excelente relação preço / equipamento. Em termos de prestações, como veremos, existem algumas diferenças, mas pouco significativas.

Com exceção do logo eDrive35 na tampa da bagageira, que identifica esta variante de tração traseira, a apresentação exterior de ambas as versões é idêntica. Isso aplica-se aos apontamentos estéticos específicos do BMW i4 como alguns detalhes em azul, a grelha fechada em duplo rim, as molduras sem janela ou o formato descendente da parte traseira do tejadilho, típica dos coupé, mas que prejudica a acessibilidade aos lugares traseiros.  

A principal diferença reside na linha motriz. O motor elétrico viu os valores de potência e de binário baixarem para 216 kW (286 cv) e 400 Nm, em vez dos 250 kW (340 cv) e 430 Nm, enquanto a capacidade útil da bateria diminuiu de 80,7 kWh para 67 kWh. 

Como consequência, a autonomia é a mais reduzida da gama, mas mesmo assim ainda permite percorrer entre os 402 e os 482 quilómetros (valores anunciados pela marca e cuja variação está relacionada com os níveis de equipamento).

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A potência de carga em corrente contínua (CC) diminuiu ligeiramente de 200 kW para 180 kW, permitindo recuperar entre 10% a 80% da capacidade de carga em 32 minutos, enquanto em corrente alterna se mantém nos 11%, o que significa que demora até sete horas a obter uma carga completa.

Qualidade de construção

Entrando no habitáculo, este é semelhante a muitos modelos da BMW, designadamente o Série 4 Grand Coupé. A posição de condução é quase idêntica e coloca o utilizador mais perto da estrada do que outros modelos do segmento. O banco do condutor é confortável e tem várias possibilidades de regulação elétrica, mas integra a extensa lista de opcionais.

O BMW i4 também beneficia da qualidade de construção da restante Série 4. Todas as superfícies são suaves ao toque e o nível de acabamento é excelente. Só os plásticos em volta do botão de ignição são mais rijos.

O painel de bordo, por sua vez, é dominado por dois ecrãs com posicionamento panorâmico. Um de 12,3” frente ao condutor, seguido por outro de 14,9”. Ambos personalizáveis e de fácil leitura. O aspeto é agradável, enquanto os gráficos são nítidos e a resposta rápida. 

Na interação digital existe o botão iDrive, entre os bancos dianteiros, para aceder aos menús multimedia, inclusive aos dos carregamentos (máximo de 180 kW em CC), bem como às assistências à condução. 

Mas nem tudo é perfeito. O BMW i4 não tem comandos físicos da climatização, obrigando o utilizador a recorrer ao ecrã tátil e a tirar os olhos da estrada. A configuração do sistema está longe de ser intuitiva e os ícones no menú principal são demasiado pequenos, sendo difíceis de aceder quando se está em andamento.

Tejadilho penaliza habitabilidade traseira

Quanto à habitabilidade, os lugares da frente disponibilizam o mesmo espaço do que o Série 4 pelos que os ocupantes não terão problemas para as pernas e para a cabeça. Compartimentos para arrumações também não faltam, incluindo um generoso porta-luvas ou um cubículo por baixo do apoio de braços central.

Na traseira, a curva do tecto pronunciada rouba espaço à altura da cabeça e os assentos estão posicionados ligeiramente acima do BMW Série 4 Gran Coupé para acomodar por baixo a bateria e o motor elétrico. Como consequência, os passageiros de estatura mais elevada correm o sério risco da cabeça bater no tecto. 

Além disso, a elevação no piso no meio dos lugares centrais rouba espaço ao ocupante desse assento. Se apenas viajarem duas pessoas nos lugares traseiros, as costas do banco central podem ser transformadas numa prática mesa de apoio.  

O BMW i4 possui uma tampa da bagageira típica das berlinas, facilitando o acesso. Em combinação com o rebatimento dos bancos numa configuração 40/20/40, a tarefa de colocar malas e objetos maiores no porta-bagagens está longe de ser complicada.

A capacidade é superior à média do segmento e existe mesmo um compartimento por baixo do piso para guardar os cabos de carregamento. 

Ao volante

Apesar da diminuição da potência máxima do motor elétrico de 250 kW (340 cv) do eDrive40 para os 216 kW (286 cv), o condutor poucas diferenças nota ao volante, já que a máquina elétrica responde bem às solicitações dos pedais, quer nas acelerações, quer nas recuperações.  

A direção precisa e o chassis bem equilibrado permitem abordar os troços mais sinuosos com bastante confiança. Com esta motorização, o BMW i4 consegue acelerar dos 0 aos 100 km/h em seis segundos, isto é, demora apenas mais 0,3 segundos do que o eDrive40 e, na verdade, não deixa ninguém envergonhado. Em ambos os casos, a velocidade máxima está limitada eletronicamente a 190 km/h.  

O trabalho efetuado pelos engenheiros da BMW permitiu otimizar a eficiência energética, sendo o consumo surpreendente. No final do ensaio, o computador de bordo indicou uma média combinada de 15,2 kWh/100 km (valor abaixo dos 16,9 kWh/100 km oficiais), mas é possível obter um consumo inferior a 15 kWh/100 km em ambiente urbano e com o modo de regeneração mais forte ativado (B). 

Além disso, o modo Drive normal (D) também oferece três níveis adaptativos, menos bruscos, configurados através do ecrã tátil central. A menor capacidade da bateria tem como reflexo uma autonomia inferior relativamente ao eDrive40, mas que, mesmo assim, ainda ultrapassa os 400 quilómetros, ficando longe dos 478 km anunciados em ciclo WLTP.

Para apoiar a condução estão disponíveis, de série, vários assistentes, incluindo, o controlo de estabilidade e tração, alerta de colisão dianteira com função de travagem automática, alerta de saída da faixa de rodagem e de fadiga do condutor, reconhecimento de sinais de trânsito, cruise control com função de travagem.

Veredicto

A versão de entrada do grand coupé elétrico da entrada apresenta uma imagem idêntica à do eDrive40 e só mesmo a designação na tampa da bagageira permite fazer a distinção para os mais atentos. A qualidade de construção está ao nível do que nos habituou a marca assim como a quantidade de opcionais presentes na unidade ensaiada. 

O i4 eDrive35 está disponível a partir de 56 900 euros, um valor bastante interessante para uma berlina premium elétrica já com 286 cv e uma autonomia minimamente decente de cerca de 325 quilómetros em condições reais.

Contudo, e como já é tradicional na marca alemã, a inclusão de vários opcionais na unidade ensaiada, como o Pack Desportivo M, assistente estacionamento Plus, BMW Live Cockpit Professional, jantes de liga leve de 19”, sistema de som HIFi, entre outros, elevando o preço final para uns menos simpáticos 72 826 euros. 

BMW i4 eDrive35

Preço 56 900€ (72 826€ versão ensaiada)
Motor Elétrico
Potência 286 cv (216 kW)
Binário 400 Nm
Transmissão Traseira, Auto., 1 vel.
Peso 2 065 kg
Comp./Larg./Alt. 4,78/1,85/1,45 m
Dist. entre eixos 2,86 m
Mala 470 – 1290 l
Desempenho 6,0 s 0-100 km/h; 190 km/h Vel. Máx.
Consumo 16,9 (15,2*) kWh/100 km
Bateria/Capacidade Iões de lítio 70,2 kWh (67 kWh úteis)
Autonomia Elétrica 478 (400*) km
Tempos de carga 32 minutos (0-80% 170 kW CC); 7h00 (0-100% 11 kW CA)

* Medições Turbo

GOSTÁMOS

– Imagem
– Consumo energia
– Bagageira

NÃO GOSTÁMOS

– Acessibilidade traseira
– Túnel entre assentos traseiros
– Muitos opcionais