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Audi e-tron GT quattro. Esqueçam a combustão!…


Data: 19 de Outubro, 2022

Embora com os EV ainda motivo de reticências, a Audi pode muito bem estar a  colocar a pedra – tumular! – sobre as ambições de sobrevivência da combustão. A “pedra”, neste caso, chama-se e-tron GT e, mesmo com uma autonomia não mais que razoável, com elétricos como este, a verdade é que já não custa tanto deixar morrer a combustão…

Modelo posicionado “no topo da hierarquia dos elétricos” da marca dos quatro anéis, como a própria Audi faz questão de referir, o e-tron GT é, sem dúvida, aquilo que uma proposta 100% elétrica deve, hoje em dia, ser: arrebatador no design, aerodinâmico nas linhas, emblemático na forma como (também) projecta a nova imagem zero emissões do construtor de Ingolstadt. Uma imagem que é também de modernidade, conjugada com a ambição de liderança num domínio que se anuncia, cada vez mais, como o próximo passo da Mobilidade.

Assente na mesma plataforma J1, e respectiva arquitectura elétrica, que serve de base ao já muito elogiado Porsche Taycan, embora e no caso deste Audi, complementada com uma carroçaria que, em nossa opinião, consegue ser tão impactante, personalizada, e até diferente, quanto a do modelo de Zuffenhausen, o e-tron GT acaba justificando todos os elogios e olhares que facilmente arrebata, através de um corpo esguio mas a transparecer solidez, de autêntico Gran Turismo. Para quem a beleza das linhas é inquestionavelmente mais importante que quaisquer exageros nas dimensões que possam existir.

O Audi e-tron GT é um Gran Turismo de linhas verdadeiramente arrebatadoras, ainda mais do que as fotos anunciam
O Audi e-tron GT é um Gran Turismo de linhas verdadeiramente arrebatadoras, ainda mais do que as fotos anunciam

Finalmente e até para que não se diga que a estética extravasou totalmente a função, não uma, mas duas fichas de carregamento (uma em cada embaladeira), a par da verdadeira cereja no topo do bolo que é um coeficiente de aerodinâmica de não mais que 0,24. Algo impossível de atingir, por exemplo, em “mastodontes” de aspecto supostamente aventureiro como são os SUV ou crossovers 100% elétricos.

No entanto e porque, mesmo penalizados em termos de aerodinâmica, conforto e consumos, é isso que o mercado quer…

Habitáculo? Um hino à ergonomia…

Ainda assim, importa igualmente reconhecer que, o facto deste e-tron GT ser uma proposta de genes desportivos, também implica alguns custos. Desde logo, no acesso ao habitáculo e que se faz através de portas de abertura ampla e com vidros sem moldura, mas também descendo vários andares abaixo. Exigência que, em particular os condutores já não tão ágeis ou com dificuldades de mobilidade, certamente criticarão, ainda que e uma vez instalados no interior, facilmente se esqueçam da segunda parte do desafio – sair…

Contudo e enquanto a lembrança desse momento não chega, o mais certo é rapidamente nos sentirmos deslumbrados como a forma praticamente perfeita como ficamos encaixados numa posição de condução extremamente baixa e apelar à condução, graças também a um banco envolvente e um volante de excelente pega, que não esquecem sequer a importância do conforto. Ou até mesmo da intuitividade no acesso aos poucos comandos físicos.

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De resto, a facilidade com que nos sentimos familiarizados e integrados no habitáculo do e-tron GT foi, sem dúvida, um dos aspectos que mais rapidamente nos convenceu, desde logo, por dispensar aquele ambiente quase espacial de alguns rivais, com vários ecrãs digitais a exigirem o estudo aprofundado de todas as suas capacidades, apostando apenas no estritamente necessário – apenas e só um painel de instrumentos de 12,3″, digital e com toda a informação verdadeiramente necessária, além de leitura fácil, além de um mais reduzido ecrã central, também táctil, que, além de perfeitamente integrado nas linhas do tablier, permite um fácil acesso e interacção com o já bem conhecido e intuitivo sistema de infoentretenimento MMI.

Naturalmente e também aqui, “nem tudo são rosas”, como bem diz a sabedoria popular, com o e-tron GT a não conseguir esconder, por exemplo, uma visibilidade exterior particularmente difícil, principalmente na traseira, e que só o conjunto de câmaras exteriores consegue atenuar, ou até mesmo e se quisermos ser mais picuinhas, o manípulo da caixa que não será dos mais funcionais. Embora e neste caso, existindo sempre a desculpa de que, uma vez seleccionado o sentido da marcha, voltar a utilizá-lo, só mesmo para ativar o modo ‘B’ de recuperação de energia, cujo nível de intensidade é, a partir daí, definido recorrendo às patilhas existentes por detrás dos braços do volante…

Passando aos lugares traseiros, onde o banco não esconde a preferência por apenas dois ocupantes, numa opção reforçada pelo alto túnel de transmissão que separa as duas áreas, fundas, onde facilmente se poisa os pés, espaço e conforto, também, para as pernas de ambos os passageiros. Os quais contabilizam, ainda, uma bagageira de capacidade apenas razoável (405 litros), acesso um pouco mais alto e portão de accionamento elétrico, além de um pequeno alçapão, não muito fundo, logo à entrada. Sendo que, para mais carga, só mesmo rebatendo 40/20/40 as costas dos bancos traseiros, o que não evita o surgimento de uma “vala” entre as costas e o piso da bagageira, ou, então, recorrendo ao alçapão sob o capot dianteiro, com mais 81 litros, ainda que, também ele, mais vocacionado para acomodar os cabos de carregamento das baterias…

Se não fosse a autonomia…

E já que falamos dos cabos de carregamento, momento, também, para citar a arquitectura elétrica de 800V que serve este Audi e-tron GT e da qual faz parte uma bateria com “apenas” 83,7 kWh de capacidade útil. A qual, graças à capacidade de suportar potências de carga até 270 kW, pode recuperar, com recurso a um destes supercarregadores, até 80% da carga, em pouco mais de 22 minutos.

Contudo e porque, sabemos bem, não será fácil encontrar postos com esta capacidade, o melhor será contar com um mais vulgar posto de corrente alternada, onde uma potência de 11 kW garante a reposição da capacidade total das baterias em que qualquer coisa como 9,5 horas. Ou, então, recorrer a uma mera tomada doméstica ou wallbox de 7,4 kW, com a certeza de que terá de estar “ligado” cerca de 14 horas, para recuperar a carga completa…

Desportivo de elevadas qualidades dinâmicas e trem de força a condizer, o e-tron GT deixou-nos a sonhar com uma bateria um pouco maior, que nos permitisse continuar a desfrutar do elevado prazer de condução...
Desportivo de elevadas qualidades dinâmicas e trem de força a condizer, o e-tron GT deixou-nos a sonhar com uma bateria um pouco maior, que nos permitisse continuar a desfrutar do elevado prazer de condução…

Ainda assim e uma vez aceite o desafio, a promessa da Audi de que terá energia suficiente para 487 quilómetros, mercê, também, de consumos WLTP na ordem dos 19,9 kWh/110 km. Metas que nós, contudo, nunca conseguimos alcançar, ficando, sim, pelos 420 quilómetros de autonomia, além de um consumo médio em trajecto combinado de 23,4 kWh/100 km.

Consumo alto, portanto, embora com culpa a ter de ser assacada, igualmente, aos vigorosos 530 cv de potência máxima combinada e 640 Nm de binário, oferecidos por um trem de força composto por dois motores elétricos (238 cv + 435 cv), a garantiam não apenas o argumento extra da tracção integral permanente, mas também uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em 4,1 segundos, complementada por uma velocidade máxima (anunciada) de 245 km/h.

Depois e a ajudar ao aproveitamento destas prestações de verdadeiro desportivo, uma suspensão adaptativa que nunca deixa que o conjunto perca a compostura, a par da noção de conforto, inclusive em pisos um pouco mais degradados. Embora e no caso da nossa unidade, ajudada por um diferencial autoblocante eletrónico traseiro e um sistema de rodas traseiras direcionais, dois opcionais que, em conjunto com um set de jantes de 20″ com pneus 245/45 à frente e 285/40 atrás, acabam dando um importante contributo também para a forma neutra e eficaz como este e-tron GT se entrega à condução… e lida com a estrada.

Com uma posição de condução baixa, de verdadeiro desportivo, além de uma ergonomia a roçar a perfeição o e-tron GT é proposta para desfrutar até ao último electrão!...
Com uma posição de condução baixa, de verdadeiro desportivo, além de uma ergonomia a roçar a perfeição o e-tron GT é proposta para desfrutar até ao último electrão!…

Marcado pela mesma personalidade já conhecida de outros desportivos da marca de Ingolstadt, em que, mais do que exuberância ou até mesmo agressividade nas reacções, é com uma elevada naturalidade, eficácia e até um certo souplesse, que tudo acontece, o elétrico alemão não abdica, sequer, de se afirmar pela impressionante capacidade aceleração, ainda mais enérgica quando com o modo Dynamic seleccionado. Opção que, mesmo sem nunca esconder as mais de duas toneladas de peso do conjunto, ainda que bem distribuídas e “vigiadas” por um sistema de travagem à altura das necessidades, acaba ajudando a apurar as sensações ao volante, fruto, igualmente, de um aumento do peso na direcção.

Pormenor que, ainda assim, não chega para beliscar o toque mais aveludado, de verdadeiro Gran Turismo, que até mesmo o contacto com a estrada, invariavelmente, denota…

E o veredicto é…

Muito positivo, sem dúvida alguma, já que, mesmo com um preço apenas ao alcance de alguns, privilegiados ou mais conhecedores das capacidades do modelo – e, por isso, a verem como justificado o preço pedido por este e-tron GT -, este Audi é muito daquilo que, a maior parte de nós, certamente gostaria que um veículo 100% elétrico, hoje em dia, fosse: esteticamente apaixonante, confortável e retemperador em todo o tipo de utilizações, mas também arrebatador e extremamente eficaz nos momentos mais intensos de condução.

Na verdade e apesar dos pouco mais de 400 quilómetros que garante com uma só carga, faltar-lhe-á apenas uma maior autonomia, para que possamos disfrutar, ainda durante mais tempo, de um elétrico que, este sim, far-nos-ia esquecer a combustão…

Com um elétrico como este e-tron GT, torna-se, efectivamente, bastante mais fácil deixar ir a combustão…

Audi e-tron GT quattro

Preço: 108 500 €

Motor Eléctrico (2)
Potência combinada 533 cv (390 kW)
Binário máximo 640 Nm
Transmissão Integral, Auto. 2 vel.
Comp./Alt./Larg. 4,98/1,96/1,41 m
Dist. entre eixos 2,89 m
Peso 2.351 kg 
Bagageira 405 l + 81 l
Acel. 0-100 km/h 4,1s
Vel. máx. 245 km/h
Consumo (WLTP) 23,4* [19,9] kWh/100 km
Capacidade da bateria 93,4 KWh (83,7 kWh úteis)
Autonomia elétrica 420* (487) km
Tempos de carga 22,5 minutos (0-80% 270 KW C.C.); 9,5 horas (0-100% 11 kW C.A.); 14 horas (0-100% 7,5 kW C.A.)

* Medições TURBO

GOSTÁMOS

– Estética
– Ergonomia
– Desempenho dinâmico

NÃO GOSTÁMOS

– Consumos
– Autonomia
– Visibilidade exterior