ARTE e CIÊNCIA – McLaren Speedtail (Turbo Premium)

Texto: António Amorim
Data: 5 Maio, 2019

Nunca um McLaren foi tão rápido na aceleração ou na velocidade máxima. Este Speedtail passa os 400 km/h e tem formas perfeitas para cortar o vento. São 1050 cv por dois milhões de euros

É natural que a cauda (tail) seja parte integrante da designação do Speedtail. Porque faz parte do carro, mas principalmente porque é um dos seus traços visuais mais marcantes, tal como o é a “velocidade” (speed). Sendo o mais potente McLaren de sempre é, em grande parte, graças à cauda que este é também o que melhor se relaciona com o vento, anunciando uma velocidade máxima de 403 km/h.

Como é natural, os 1050 cv debitados pelo grupo propulsor híbrido têm aqui uma importante palavra a dizer. Trata-se de um conjunto tecnológico ligado às rodas traseiras que envolve um motor a gasolina eletrificado, cujos detalhes a marca ainda não divulgou, mas sendo de esperar uma versão desenvolvida do V8 biturbo vindo do 720 S e com forte vitaminação elétrica.

A potência é passada ao chão por pneus Pirelli P-Zero especialmente desenhados para lidar com as velocidades extremas do Speedtail, que demora apenas 12,8 segundos a atingir os 300 km/h, ou seja, muito mais depressa que o P1, que precisa de 16,5 segundos para realizar o mesmo exercício.

À semelhança do lendário McLaren F1 dos anos 90, também no Speedtail o condutor ocupa um posto de condução central, havendo dois bancos adicionais um pouco mais atrás. Há espaços de bagagem tanto no nariz do carro como na traseira.

Utilizando as mais recentes tecnologias digitais na sua concepção, a McLaren repensou todos os detalhes da carroçaria exterior deste carro, reduzindo-lhe o peso de forma drástica. O Speedtail pesa apenas 1430 kg a seco e assume formas simples mas cuidadosamente harmoniosas, quase orgânicas. Todos os painéis exteriores são de fibra de carbono e cada forma foi pensada para reduzir a resistência ao vento.

Os retrovisores foram substituídos por câmaras digitais que recolhem, as rodas dianteiras têm uma espécie de tampões fixos em fibra de carbono que contribuem para reduzir as turbulências dentro das cavas de roda. A fluidez da silhueta geral do carro resulta da redução de linhas de corte, sendo a sua superfície apenas interrompida pelas necessárias entradas de ar e, mesmo estas, reduzidas ao mínimo, em número e dimensão. A linha contínua da traseira e os ailerons traseiros patenteados reduzem a resistência ao vento, tal como as próprias dimensões e proporções do veículo.

De facto, o Speedtail é mais estreito que um P1, mas cerca de meio metro mais longo (5,137 m). Visto de cima assemelha-se a uma gota de água, considerada a forma mais rápida da natureza. Isto permite que o carro aborde o vento da forma o mais suave possível, anulando as turbulências traseiras com a sua forma alongada e fina. Tal como a forma geral do carro, também a saliência formada pelo cockpit assume as linhas de uma gota de água.

 

Dinâmica de fluxos

O fluxo de ar residual que passa sobre o nariz do carro é canalizado para o para-brisas e para passar por cima deste por intermédio de uma espécie de prega, que também envolve o limpa para-brisas e o respetivo mecanismo. O vento é assim uavemente encaminhado por cima do habitáculo, até à entrada de ar que alimenta o motor, sendo esta invisível quando o carro está de perfil, por estar cuidadosamente nivelada com a superfície do tejadilho. O habitáculo assemelha-se a uma carlinga vidrada, com um traço vermelho na parte traseira que é, simplesmente, a terceira luz de stop.

Numa situação normal, a rotação das rodas afasta imenso ar do carro, criando turbulências. Com as inovadoras coberturas em fibra de carbono colocadas sobre as rodas da frente, e que estão fixas, não rodando com a roda, o Speedtail consegue manter o ar colado ao carro naquela zona, suavizando a penetração aerodinâmica.

A redução de turbulências dentro da própria cava da roda é depois completada por vários canais internos. Recorrendo aos mesmos princípios aerodinâmicos do McLaren P1 e do McLaren Senna, as entradas de ar dos radiadores estão colocadas nos “ombros” do carro, ou seja, no topo dos flancos. E a eficiência é de tal modo elevada que as suas dimensões puderam ser reduzidas em conformidade, o que constitui um contributo acrescido para a redução do arrasto.

As curiosidades aerodinâmicas continuam na traseira, onde encontramos dois ailerons ativos de comando hidráulico, integrados na carroçaria por uma lamela de fibra de carbono flexível. Isto significa que a superfície traseira do Speedtail consegue, literalmente, dobrar-se, evitando assim mais uma junta. Estes ailerons traseiros fazem a gestão da força descendente, otimizando-a, por exemplo, durante as desacelerações para manter a estabilidade. Um difusor de grandes dimensões e o fundo plano do carro complementam a excelente performance aerodinâmica.

 

Ficção científica

Se a carroçaria do Speedtail nos deixa surpreendidos, o habitáculo não consegue menos, com o seu design refinado e vanguardista. O para-brisas e todo o tejadilho constituem um elemento contínuo em vidro, dando ao habitáculo uma grande sensação de espaço e luz. Caso os ocupantes sintam que esta é demasiada, podem recorrer à tecnologia electrocromática para tornar opacas algumas zonas da “carlinga”. O próprio para-brisas pode ser escurecido desta forma na sua zona superior, tornando desnecessário o uso de óculos escuros.

Os comandos também seguem a filosofia de aeronave, com ecrãs de alta definição a fazerem desaparecer quase por completo os botões tradicionais. O condutor tem sobre a cabeça o comando de arranque do motor e do modo Velocity, que permite ao Speedtail atingir a velocidade máxima; os comandos dos vidros e das portas. As primeiras unidades devem ser entregues no início de 2020.

McLaren Speedtail

Produção: 106 unidades

Preço: € 2 milhões

Prestações: 403 km/h: Velocidade Máxima; 12,8 s: 0-300 km/h

Potência: 1050 cv

 

Artigo publicado na Edição Premium da Revista Turbo 447, de dezembro de 2018. Adquira a nossa edição digital ou assine a Turbo e tenha acesso a mais conteúdos exclusivos

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