Em estrada… e fora dela com os novos Porsche Cayenne

Texto: Sérgio Veiga
Data: 30 Janeiro, 2018

A Porsche já está a entregar, em Portugal, as primeiras unidades da terceira geração do Cayenne, numa significativa evolução do modelo que, há 15 anos, operou uma… revolução na marca de desportivos por excelência. Por enquanto, o SUV profundamente renovado está disponível apenas em três versões a gasolina, o Cayenne (V6 turbo de 340 cv), Cayenne S (V6 biturbo de 440 cv) e Cayenne Turbo (V8 biturbo de 550 cv), mas em breve aparecerão as versões Diesel e a muito esperada híbrida «plug-in».

Por estradas do Douro pudemos experimentar os novos Cayenne S e Turbo e perceber as grandes evoluções a nível dinâmico, agora ainda mais desportivo, com maior… fusão de «genes 911»! A utilização da plataforma MLB Evo do Grupo VW (já usada no Audi Q7 ou no Bentley Bentayga) permitiu notável cura de emagrecimento que chega aos 65 kg no «S», apesar de ter muito mais equipamento que a geração anterior. O centímetro a menos na altura e os 2,3 cm a mais em largura (também cresceu 6,3 cm em comprimento) ajudaram a baixar ligeiramente o centro de gravidade.

Só isto já contribuiria para melhorar a dinâmica, mas a Porsche foi buscar mais «material» ao 911 para evoluir este Cayenne, como o conceito de pneus diferentes nos dois eixos (mais largos atrás) e o eixo posterior direcional. Com o acrescento da estabilização dinâmica do chassis e do controlo eletrónico da suspensão, os Cayenne mais potentes passaram a ser «lapas» nas curvas e a ter o normal adornar da carroçaria – afinal são carros altos e com duas toneladas – reduzido a quase nada! A direção precisa desempenha papel fundamental na agilidade surpreendente deste enorme carro, nas mais apertadas curvas que levam até à bela estrada que serpenteia ao longo do rio Douro.

A nível de potência estamos mais que servidos, mesmo se a Porsche optou por um «downsizing» geral dos motores. Nestes dois casos, o «S» passou de um V6 3.6 para um novo V6 2.9 biturbo mas ganhou 20 cv (440 cv), enquanto o Turbo viu a cilindrada baixar de 4.8 para 4.0 mas a potência subir em 30 cv (550 cv). É verdade que o «S» chega perfeitamente, com acelerações fulgurantes – 5,2 s de 0 a 100 km/h ou 4,9 s com o «pack» Sport Chrono – mas o Turbo serve para quem queira levar o Cayenne a uma pista para se divertir, porque esse é um exercício que está previsto no ADN deste SUV!

O interior é decalcado do Panamera, com destaque para as multiplas funções de info-entretenimento
A nova suspensão dianteira é agora do tipo multi-link em vez de triângulos sobrepostos. O guiamento é mais eficaz
Chassis e carroçaria recorrem agora em abundância ao alumínio. Sai favorecido o peso, bem como a rigidez estrutural
Em estreia a asa ativa na traseira mostra-se relevante para aumentar a estabilidade
A nova caixa de oito velocidades Tiptronic é mais rápida
A suspensão conta agora com amortecedores pneumáticos de tripla camara
O eixo traseiro passa a ter efeito direcional: as rodas viram até três graus facilitando a inserção em curva
A função preditiva avisa o condutor, por antecipação, de algo que pode acontecer
os novos discos de travão em tungsténio são mais resistentes e mais eficazes do que os em aço

Outro exercício possível, num campo totalmente oposto, é o do TT «puro e duro» e também aqui pudemos tirar a limpo as capacidades deste novo Cayenne, elevando a altura ao solo graças à suspensão pneumática e selecionando um dos quatro modos disponíveis (lama, areia, cascalho, pedra). O Porsche passa por cima de toda a folha e é nestas «aventuras» que agradecemos o elevado binário a baixo regime que caracteriza os seus motores. Aparentemente, nada parece parar o novo Cayenne…

À grande evolução a nível dinâmico correspondeu também o «design» do Cayenne, com ar mais desportivo, pela frente mais agressiva, os faróis com os quatro pontos de LED que se tornaram assinatura Porsche, o pilar C mais inclinado a marcar a lateral e as óticas mais finas parecidas com as do Macan e unidas por uma barra luminosa. O interior seguiu a linha do do Panamera, estando agora muito mais simples, sem tantos botões na consola e com o grande ecrã tátil de 12,7 polegadas. À frente do condutor, está o Porsche Advanced Cockpit, com a instrumentação digital.

O habitáculo é todo ele requintado a bem construído, espaçoso e com todas as tecnologias de conectividade exigíveis num modelo que corresponde, afinal, a um topo de gama… O crescimento do Cayenne foi aproveitado para lhe dar mais 100 litros de volume na bagageira que passou a ter 770 litros úteis e que chegam aos 1710 litros se se rebaterem as costas dos bancos traseiros, o que pode ser feito na proporção 40:20:40.

O único problema deste carro, já tradicional na Porsche, é que para o colocar ao nível que ele merece é preciso gastar bastante dinheiro em opcionais, nomeadamente em muitos dos sistemas de auxílio à condução. A saber: assistentes de visão nocturna, de mudança de faixa ou de manutenção na faixa com leitor de sinais de trânsito, «cruise control» adaptativo ou a câmara «surround view» que ajuda ainda mais no estacionamento.

São, pois, muitas as qualidades do novo Cayenne que assim promete continuar a história de enorme sucesso (já 770 mil unidades vendidas) daquilo que, em 2002, começou por ser um… enorme atrevimento da marca de Zuffenhausen, a aventura no mundo dos SUV! Preços das três versões já em comercialização da terceira geração do Porsche Cayenne:


                                       Motor                 Potência            Preço

Cayenne                       V6 turbo                 340 cv                101.772 €

Cayenne S                    V6 biturbo             440 cv                119.770 €

Cayenne Turbo          V8 biturbo             550 cv                188.582 €


 

Partilhar