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AMG festeja 50 anos em grande

Texto: Júlio Santos
Data: 7 de Abril, 2017

A celebrar 50 anos, a sigla AMG conhece agora uma das suas “declinações” mais evoluídas. É essa a principal conclusão a que chegamos depois de conduzirmos o E63 S na pista de Portimão: 612 CV de pura eficácia.

Lá à frente, o “senhor DTM” vai-nos mostrando os pontos de travagem e inserção em curva do difícil traçado do Autódromo do Algarve. Se o AMG GT vermelho parece ser uma mera “extensão” dos braços de Bernd Schneider não é só devido à tração traseira ou à melhor relação peso/potência face ao E63 S AMG. São tantas as diferenças capazes de explicar o ”deprimente” avolumar de metros perdidos a cada curva que preferimos concentrar-nos na tarefa de perceber a tremenda eficácia deste familiar com quase cinco metros de comprimento, que imaginamos estacionado no local reservado ao diretor-geral da empresa e que, de repente, veste a pele do melhor super-desportivo.

A entrada na reta da meta é um daqueles pontos onde pouco se ganha, mas muito se perde. Chegamos tão depressa à curva anterior que é preciso sermos ágeis a “ler” as leis da física e a percebermos até onde podemos deixar que o carro nos atire lá para baixo, na ânsia de aproveitar aqueles 970 metros para respirar fundo: um segundo mais e estamos para lá do corretor; um segundo menos e… lá ficámos mais uns metros para trás.

Para a próxima será melhor. Agora é “aprender” até à direita onde travar cedo e entrar direitinho parece ser a melhor opção. É mesmo a única forma de evitar que as rodas patinem em cima do corretor agora que, em modo “Race” e com a caixa de velocidades bloqueada em “manual”, tudo fica por nossa conta (controlo de tração e estabilidade em sono profundo…) o que obriga a uma gestão ainda mais cuidadosa da caixa Speedshift, a primeira transmissão de nove velocidades de dupla embraiagem. Tirar partido de tudo o que está ao nosso dispor é agora um exercício quase metafísico. Bernd Schneider já lá vai bem à frente e detetar o local onde acende os “stops” é já pouco mais do que adivinhação! A opção é fixar-nos no colega que segue à nossa frente e tentar recuperar algum terreno; o melhor é voltar a “Sport Plus” evitando, assim, que o painel de instrumentos abuse da cor vermelha… e que estejamos sempre a distrair-nos com o indicador à esquerda que nos “assusta” com a facilidade com que alcançamos os valores máximos de binário e potência… sem que disso estejamos a tirar o melhor proveito. A travagem “queimada” para curvar à esquerda para a “Torre” testemunha isso mesmo: mais uma “eternidade” de tempo perdido que nem mesmo a enorme capacidade de tração vai conseguir atenuar.

Tão admirável quanto a capacidade de travagem é, realmente, a eficácia com que o E63 S AMG coloca no chão os 612 CV. A evolução mais recente do sistema 4 Matic + consegue agora gerir instantaneamente, em função do tipo de condução e das condições do piso, a transmissão de torque a cada um dos eixos. Ou seja, perante cada necessidade específica podemos mesmo ter 100% da potência nas rodas traseiras (existe uma função “drift”, que serve para o óbvio e pode ser bloqueada), o que explica, em grande parte, a sensação de nos sentirmos como catapultados quando pressionamos o acelerador com maior impetuosidade, sem que a frente tenda, sequer, a perder a compostura.

Desde a zona “cega”, com a dupla lomba que quase faz lembrar a boça de um camelo, até ao gancho, à direita, lá conseguimos voltar a vislumbrar as três letrinhas mágicas a espreitar na traseira do carro da frente.

 

ENGENHARIA PURA

Lembram-nos os tempos em que a defesa da honra e da tradição da Mercedes no desporto automóvel esteve confiada à AMG, então dirigida pelo português Domingos Piedade. Uma defesa alicerçada na paixão pela engenharia. A “tal” longa descida que nos leva de novo até à reta da meta lembra-nos isso mesmo: AMG é engenharia pura, (a tradução da sigla poderia muito bem ser Arte, Magia e Génio) e é isso que o AMG E63 S nos recorda. Afinal, quando perante os nossos olhos temos um dos automóveis de série mais evoluídos alguma vez produzidos, acabamos por assumir que já lá vai o tempo de nos deslumbrarmos com “push-ups” e “ultra bra” para, simplesmente, valorizarmos o conteúdo. Sabe bem reparar nos detalhes (aplicações em carbono, rodas de 20 polegadas, extrator traseiro, enormes entradas de ar na frente…) mas o mais importante é perceber que tudo isso serve para valorizar o que conta. Para enfatizar o trabalho realizado pelos engenheiros do chassis. Travar muito forte, com o carro quase totalmente desequilibrado e daí não resultar outro mal para além de uma desnecessária perda de tempo, é algo que só está ao alcance de uma estrutura a roçar a perfeição. Ainda mais quando, em estrada, e nos modos mais civilizados, este “carro do senhor diretor-geral” é capaz de se comportar como tal, com níveis de conforto que nos recordam as suas origens.

A nova geração do AMG E63 está já disponível em Portugal com a versão de 571 CV a custar cerca de 138 mil euros, enquanto o mais potente E63 S (612 CV) vale bem os mais 10 mil euros adicionais. Ambos apenas estão disponíveis com a tração integral 4 Matic