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Caldo entornado! Alfa Romeo obrigada a dar novo nome ao Milano

Texto: Francisco Cruz
Data: 20 de Abril, 2024

E eis que o caldo acaba entornado! Depois das ameaças do Governo italiano relativamente à utilização do nome ‘Milano’, num automóvel produzido fora de Itália, a Alfa Romeo decide dar um passo atrás e, mesmo com todo o tempo e dinheiro já investido, acaba de dar novo nome ao seu crossover mais pequeno – Júnior!

A decisão de mudar o nome do modelo que também representa a estreia da Alfa Romeo no segmento B-SUV europeu foi anunciada, já esta segunda-feira, dia 15 de abril, pelo próprio CEO, Jean-Phillipe Imparato. Justificando-a, logo à partida, como uma solução destinada a evitar mais conflitos.

“A partir do momento em que aceitamos envolver-nos em discussões políticas, o mais certo é que percamos, logo num primeiro momento, metade dos potenciais compradores. E nós queremos evitar precisamente isso”, afirmou, numa conferência de imprensa sobre o tema do momento, o CEO da Alfa Romeo.

O CEO da Alfa Romeo, Jean-Phillipe Imparato, garante que a marca italiana ainda está a tempo de mudar o nome do SUV de estreia no segmento B
O CEO da Alfa Romeo, Jean-Phillipe Imparato, garante que a marca italiana ainda está a tempo de mudar o nome do SUV de estreia no segmento B

De resto e sobre os custos, também financeiros, que uma medida como esta terá para o fabricante de Arese, Imparato garantiu que serão insignificantes, uma vez que a produção do até aqui Milano, ainda nem sequer começou. E apenas alguns, poucos, projectos de marketing, terão de ser alterados.

Quanto ao confronto com o Governo italiano, liderado por Giorgia Meloni, e que esteve na base da decisão, o gestor revelou que a Alfa Romeo fez questão de dar uma explicação detalhada às autoridades transalpinas, com as razões pelas quais a marca considerava adequada a utilização do nome ‘Milano.

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Entre estas, surge o facto da escolha do nome ‘Milano’ procurar ser uma homenagem à cidade (Milão) onde a Alfa Romeo nasceu, em 1910; ter sido o nome mais escolhido numa sondagem realizada entre fãs da marca (o segundo foi ‘Junior’); nunca ter sido afirmado ou sugerido pela marca que o modelo poderia ser fabricado em Milão ou até mesmo Itália; o Milano ter sido projectado e desenvolvido em Itália; a inscrição ‘Made in Poland’ estar no número de identificação colocado no pilar do veículo; este não ser o primeiro ou único modelo com nomes de cidades onde não são produzidos; a Alfa já ter anunciado há 18 meses que o Milano seria fabricado na Polónia; e que, embora o nome Milano tenha sido anunciado a 13 de dezembro de 2023, em Milão, não houve, então e desde daí, qualquer reacção da parte do governo italiano à escolha, a não ser no dia seguinte à data de apresentação do crossover, a 10 de abril. 

Finalmente, Imparato garantiu, ainda, que, embora esteja convencido de que ganharia a disputa, caso a contenda tivesse de ser resolvida na Justiça, a Alfa Romeo decidiu não enveredar por essa via e está já a trabalhar com o objectivo de redireccionar toda a sua estratégia de marketing e comunicação, de forma a afirmar o nome ‘Junior’.

Milano? Nada disso, Junior; Alfa Romeo Junior!...
Milano? Nada disso, Junior; Alfa Romeo Junior!…

Júnior é nome com história

Ainda sobre o nome, a Alfa Romeo recorda que, ‘Junior, não é propriamente uma novidade em modelos da marca de Arese, tendo já sido utilizado em várias ocasiões. Entre as quais, nalgumas versões do coupé da Série 105 e num coupé desportivo de produção limitada, desenhado por Zagato, ainda na década de 1970.

Das propostas que, ao longo dos tempos, ostentaram o nome ‘Junior’, um dos mais conhecidos é o 1300 GT Junior, uma variante, com motor de mais pequeno, do coupé Giulia Sprint GT, desenhado por Giugiaro para a Bertone.

O Alfa Romeo Giulia Coupé 1300 GT Junior foi produzido entre 1966 e 1968
O Alfa Romeo Giulia Coupé 1300 GT Junior foi produzido entre 1966 e 1968

Apresentado na pista de testes da Alfa Romeo em Balocco, em setembro de 1966, o GT 1300 Junior tornar-se-ia um sucesso, com cerca de 92.000 unidades vendidas, fruto, igualmente, do seu motor com duas árvores de cames, 1.290cc de cilindrada e 89 cv de potência, capaz de atingir uma velocidade máxima superior a 170 km/h.

Aliás, a Alfa também recorreu ao nome ‘Junior’ durante a fase de desenvolvimento do modelo que viria a ser comercializado com a designação MiTo. Neste caso, uma solução que procurava conjugar as duas primeiras letras da cidade onde foi projectado, Milão, com as duas primeiras letras da cidade onde seria produzido, Torino.