Governo vai instalar mais 12 radares de velocidade média

O Governo pretende instalar mais 12 radares de velocidade média nas estradas portuguesas até ao final do ano e reforçar o recurso à inteligência artificial na gestão do tráfego. A medida, anunciada pelo secretário de Estado da Proteção Civil, visa reduzir a sinistralidade rodoviária e prevenir acidentes

O Governo pretende instalar mais 12 radares de velocidade média em diferentes estradas do país até ao final de 2026, no âmbito da estratégia nacional de combate à sinistralidade rodoviária, noticiou esta terça-feira a agência Lusa. A medida visa reforçar o controlo da velocidade e incentivar os automobilistas a respeitar os limites legais.

O anúncio foi feito esta terça-feira pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, durante a assinatura de um protocolo de cooperação para melhorar a segurança nas estradas portuguesas.

Segundo o governante, está em curso uma avaliação conduzida pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) para determinar os locais mais adequados para instalar os novos equipamentos de controlo de velocidade.

“Estamos a fazer esta avaliação através da ANSR para garantir que estes pontos de controlo sejam encarados como instrumentos de prevenção e que levem os condutores a cumprir as regras estabelecidas”, afirmou.

Protocolo “Visão Zero” quer reduzir mortes nas estradas

As declarações foram feitas após a assinatura do protocolo “Visão Zero – Mais Cidadania para as Estradas de Portugal”, celebrado entre a ANSR e a Lusoponte, empresa que explora as travessias do Tejo na ponte 25 de Abril e na ponte Vasco da Gama.

A iniciativa segue a estratégia europeia conhecida como Visão Zero, que tem como meta eliminar mortes e feridos graves em acidentes rodoviários até 2050.

Como objetivo intermédio, o acordo prevê reduzir em pelo menos 50% o número de vítimas mortais e de feridos graves até 2030, tendo como referência os dados de 2019. Caso a meta seja cumprida, o número máximo de vítimas mortais nas estradas portuguesas deverá baixar para 313 pessoas em 2030.

Localização dos novos radares ainda está em estudo

De acordo com o secretário de Estado da Proteção Civil, a localização dos novos radares de velocidade média ainda está a ser analisada pela ANSR, com base na identificação de pontos críticos na rede rodoviária nacional.

Um estudo apresentado em dezembro pelo Observatório da ANSR identificou vários troços de estrada com maior incidência de acidentes, informação que servirá de base para definir onde serão instalados os novos equipamentos.

A medida pretende replicar resultados positivos já registados em algumas infraestruturas rodoviárias. Segundo Rui Rocha, em 2025 as travessias do Tejo geridas pela Lusoponte registaram zero vítimas mortais.

Inteligência artificial pode reforçar prevenção de acidentes

Além da expansão da rede de radares, o Governo quer reforçar o uso de inteligência artificial na gestão do tráfego e na prevenção de acidentes rodoviários.

Rui Rocha revelou que estão em curso contactos com a área governativa responsável pela digitalização para integrar novas soluções tecnológicas nos sistemas de monitorização do trânsito.

Estas ferramentas poderão permitir analisar fluxos de tráfego em tempo real, identificar situações de risco e melhorar a resposta das autoridades em caso de incidentes.

Excesso de velocidade, álcool e telemóvel continuam a ser riscos

Apesar da aposta em tecnologia e fiscalização, o governante sublinhou que o comportamento dos condutores continua a ser determinante para reduzir a sinistralidade nas estradas portuguesas.

Dados oficiais indicam que cerca de um terço das mortes em acidentes rodoviários está associado ao excesso de velocidade. Além disso, uma em cada quatro vítimas mortais conduzia com álcool no sangue acima do limite legal.

Outro fator de risco crescente é o uso do telemóvel durante a condução, comportamento que quadruplica a probabilidade de ocorrer um acidente.