Capricorn 01 Zagato revela todos os seus segredos

O Capricorn 01 Zagato é um hipercarro analógico alemão, com design italiano e coração norte-americano. Os novos detalhes divulgados revelam a proposta que quer trazer de volta a condução analógica, com um V8 de quase 900 cv.

O Capricorn 01 Zagato voltou a ganhar destaque com a sua estreia pública no Rétromobile, em Paris, assim como com as primeiras declarações oficiais dos responsáveis do projeto que reforçam a filosofia analógica deste hipercarro de quase 900 cv

Desenvolvido pela Capricorn, uma empresa alemã especializada em estruturas leves e componentes de alta precisão, o 01 Zagato promete combinar engenharia de competição com uma experiência de condução pura.

Prova disso são os 1.204 kg de peso, caixa manual em padrão dogleg e a quase ausência de ajudas eletrónicas, contando apenas com ABS e controlo de tração.

Condução pura e analógica

“É um carro analógico”, afirma Arndt Hartelt, diretor técnico da Capricorn, em declarações à MotorTrend. “O condutor é o foco. Decide o que faz, sente o que acontece. É um carro sobre todos os sentidos”.

A afirmação resume a abordagem e filosofia do 01 Zagato, que abdica de sistemas eletrónicos complexos e mantém apenas ABS, controlo de tração e uma direção assistida que só auxilia a direção até cerca de 50 km/h.

A estrutura é integralmente construída em fibra de carbono, numa solução que Hartelt compara diretamente aos LMP1 modernos. “É muito mais rígido e leve”, explica.

O resultado são apenas 1.204 kg para “pelo menos” 888 cv e 1.000 Nm (pendentes de homologação) extraídos do mesmo V8 de 5.2 litros sobrealimentado que equipa o Ford Mustang GTD. Mas neste caso, revisto pela Capricorn com uma nova cambota de fundo plano, pistões, bielas, compressor e sistema de cárter seco.

© Capricorn
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Fazer diferente

A escolha de uma caixa manual CIMA de cinco velocidades com padrão dogleg é igualmente estratégica. “Não quisemos seguir a tendência atual de potências extremas associadas a elevado peso devido à eletrónica necessária para as controlar”, sublinhou o CEO, Robertino Wild.

No capítulo da aerodinâmica, a lógica mantém-se. A meta não era criar um “monstro de downforce”, acrescenta Hartelt, mas sim garantir equilíbrio aerodinâmico constante e previsível.

Toda a carga descendente gerada provém do trabalho feito no fundo plano do carro. Ao nível da carroçaria, o destaque vai para as linhas suaves e fluídas do design, assinado pela Zagato.

O interior agora revelado também confirma essa coerência. Bancos fixos integrados na célula em carbono, cintos de quatro pontos, painel de instrumentos analógico e a ausência de sistema áudio reforçam o foco na condução.

Os materiais, contudo, mantêm o posicionamento de luxo, com pele, Alcantara, titânio e alumínio maquinado a marcarem presença no habitáculo.

Serão produzidas apenas 19 unidades, um número que homenageia a data de fundação da Zagato (19 de abril de 1919), e o preço base está fixado em 3,5 milhões de dólares, antes de transporte e impostos.