BYD supera Tesla nas vendas de carros elétricos na União Europeia

O fabricante chinês BYD ultrapassou a Tesla nas vendas de veículos elétricos na União Europeia pelo segundo mês consecutivo. Em agosto, a marca triplicou as vendas face a 2024, enquanto a Tesla recuou 36,6%, refletindo a crescente pressão das marcas chinesas no mercado europeu

A BYD voltou a ultrapassar a Tesla nas vendas de automóveis novos na União Europeia, consolidando a liderança pelo segundo mês consecutivo. De acordo com dados divulgados pela ACEA, associação europeia do setor automóvel, a BYD vendeu em agosto três vezes mais carros do que no mesmo período de 2024, enquanto a Tesla registou uma queda de 36,6% nas vendas, reduzindo a sua quota de mercado de 2% para 1,2%. Em contraste, a BYD alcançou um crescimento de 201,3%, conquistando 1,3% do mercado. Também a SAIC Motor, proprietária da marca MG, registou um aumento de 59,4% em agosto, atingindo 1,9% de quota no acumulado anual e tornando-se a décima marca mais vendida no bloco europeu.

Stellantis volta a crescer após mais de um ano

Entre os fabricantes europeus, a Stellantis conseguiu crescer 2,2% em agosto, o primeiro aumento desde fevereiro de 2024. A Volkswagen e a Renault também registaram desempenhos positivos, com subidas de 4,8% e 7,8%, respetivamente. No total, as vendas combinadas na União Europeia, Grã-Bretanha e Associação Europeia de Comércio Livre aumentaram 4,7%, para 800 mil veículos, enquanto no conjunto da UE o mercado cresceu 5,3%.

Peso crescente dos híbridos e elétricos

A procura por veículos eletrificados continua a ganhar peso no mercado europeu. Os registos de automóveis 100% elétricos (BEV) aumentaram 30,2%, os híbridos elétricos (HEV) cresceram 54,5% e os híbridos plug-in (PHEV) avançaram 14,1%. Estes segmentos representaram em conjunto 62,2% das novas matrículas na União Europeia, face a 52,8% em agosto do ano passado.

Indústria automóvel europeia sob pressão

Apesar da recuperação e do crescimento nas vendas, a indústria automóvel europeia enfrenta desafios significativos. Entre os principais obstáculos estão a concorrência crescente da China, as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos e a dificuldade em cumprir de forma rentável as regulamentações nacionais para a transição elétrica. Muitos fabricantes têm apostado no aumento da oferta de híbridos plug-in, considerados mais acessíveis e rentáveis do que os veículos totalmente elétricos, como forma de responder às exigências ambientais. Já as marcas chinesas recorrem à mesma estratégia para atenuar o impacto das tarifas aduaneiras impostas pela União Europeia e conquistar consumidores europeus que permanecem céticos em relação à origem chinesa dos veículos.

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