Toyota Aygo X: O primeiro citadino full-hybrid do mercado

Para o novo Aygo X, a Toyota trouxe aquilo que lhe faltava: uma motorização híbrida mais eficiente e potente. Porém, é essa mesma evolução que o penaliza mais em Portugal.

A Toyota ouviu as críticas dirigidas à anterior geração do seu citadino e introduziu mudanças profundas no novo Aygo X, que é agora o primeiro modelo full-hybrid do segmento A.

A principal novidade é a substituição do anterior motor de três cilindros pelo sistema híbrido do Yaris, que combina um bloco de 1,5 litros a gasolina com um motor elétrico, elevando a potência de 72 para 116 cv.

A aceleração dos 0 aos 100 km/h passa a fazer-se em menos cinco segundos (9,8 s) e a velocidade máxima sobe para os 172 km/h. Valores suficientes para garantir ao citadino uma condução mais ágil até em autoestradas, um aspeto em que a anterior geração falhava.

Além de haver mais motor, há também mais eficiência. As emissões de CO2 baixaram de 107 para 85 g/km e os consumos anunciados desceram para 3,7 l/100 km, menos um litro face ao modelo anterior.

Mudanças estruturais

A bateria do sistema híbrido, com 12 kg e 0,76 kWh, foi instalada sob os bancos traseiros, numa disposição longitudinal mais adequada à curta distância entre eixos do Aygo X. Já a bateria de 12 V foi colocada sob o piso da bagageira, mas mantendo os 231 litros de capacidade.

Esta configuração permitiu manter a distribuição de peso em 64:36 e baixar o centro de gravidade em 4 cm, apesar de o conjunto pesar mais 140 kg do que anteriormente.

A maior mudança estrutural reside na dianteira: para acomodar a motorização herdada do Yaris, o vão dianteiro cresceu 7,6 cm, uma alteração que foi aproveitada para renovar o visual com um novo capô, grupos óticos e para-choques.

Outra novidade é a adição de uma versão GR Sport à gama, que acrescenta uma pintura de dois tons, detalhes específicos no interior e exterior e uma afinação própria do chassis, com suspensão e direção mais firmes.

No interior, destaque para o painel de instrumentos digital e para o ecrã de multimédia de 9”, que nas versões mais equipadas cresce para 10,5” e passa a oferecer compatibilidade sem fios com Android Auto e Apple CarPlay.

Mas comum em todas as versões é o espaço bem aproveitado no interior, tendo em consideração as dimensões da carroçaria. Além disto, todos os materiais do mesmo eram caracterizados pela robustez e qualidade de montagem, fazendo jus à reputação da marca nipónica.

No entanto, importa relembrar que ainda estamos diante de uma proposta do segmento dos citadinos. E isso percebe-se pelo espaço disponível no banco traseiro e também pela capacidade da bagageira, situada na casa dos 231 litros.

Ao volante

Em autoestrada, os 116 cv fazem-se sentir de imediato, permitindo ao Aygo X mexer-se com agilidade num ambiente que é geralmente considerado como o “calcanhar de Aquiles” das propostas citadinas. Outro ponto positivo é a insonorização melhorada no interior, que contribui para um habitáculo mais silencioso.

A caixa CVT privilegia a suavidade e a gestão das relações de transmissão é feita com facilidade através do pedal do acelerador. E mesmo apesar de não ser a mais rápida a aproveitar o rendimento do motor a gasolina, a propulsão elétrica ajuda a combater essa hesitação momentânea, sobretudo em acelerações iniciais e intermédias.

Já nas estradas da região da Toscana, a direção revelou ter um peso adequado e a travagem mostrou ser consistente, com uma resposta imediata desde o início do curso do pedal.

O Aygo X conta com três modos de condução, mas a verdade é que não apresentam grandes diferenças entre si, fosse na resposta da direção ou até na intensidade da regeneração da bateria com o seletor na posição B.

O mesmo pode-se dizer quanto às diferenças do acerto de suspensão e de direção entre a versão mais “convencional” e a GR Sport. O único aspeto mais percetível em ambas as versões foi no modo de condução Eco, onde o motor se revelou um pouco mais lento a responder às mudanças de regime.

Durante o nosso breve contacto, os consumos reais mantiveram-se próximos dos valores homologados (3.7 - 3.9 l/100), rondando os 4 l/100 km, num percurso que incluiu tanto em estradas sinuosas como autoestrada. Um valor que o deixa entre os veículos mais frugais do segmento.

Igualmente interessante foi ver como o motor a gasolina esteve desligado uma boa parte do tempo do teste, sem necessidade de fazer uma gestão cirúrgica do pedal do acelerador. Fosse em movimento de inércia na autoestrada ou no trânsito, circulámos em modo elétrico mais vezes do que o esperado.

Pedra no sapato

O novo Aygo X corrige praticamente todos os pontos menos positivos do antecessor, mas agora enfrenta um obstáculo: a fiscalidade portuguesa, que penaliza a nova motorização híbrida e que faz o seu preço começar nos 22.090,00 € já com IVA incluído. O agravamento fiscal que ultrapassa em mais de 2000 euros o preço base do modelo anterior, muda o posicionamento deste novo citadino no mercado nacional.

Uma vez que as restantes versões da gama ultrapassam os 25 mil euros, o Aygo X tem como concorrência não só propostas de segmentos superiores, como até dentro da própria Toyota. Nomeadamente, o Yaris, com quotas de habitabilidade e espaço maiores.

Em termos simples, o Aygo X é uma opção a considerar se o objetivo for ter um carro pequeno eletrificado para a cidade, onde carregamentos em casa ou no trabalho não são uma possibilidade. Se as necessidades forem mais do que isto, é impossível ignorar que, pelo mesmo nível de preços, existem propostas com mais espaço.