A Citroën está a desenvolver um novo veículo elétrico do segmento A com preço inferior a 15.000 euros, um projeto considerado “absolutamente fundamental” pelo CEO Xavier Chardon para recuperar quota de mercado na Europa.
Marca francesa aposta num modelo acessível para revitalizar o mercado europeu e devolver poder de compra aos consumidores excluídos pelos preços elevados dos automóveis novos, com estreia prevista em formato conceptual já em outubro, no Salão Automóvel de Paris
A Citroën está a desenvolver um novo veículo elétrico do segmento A com preço inferior a 15.000 euros, um projeto considerado “absolutamente fundamental” pelo CEO Xavier Chardon para recuperar quota de mercado na Europa.
De acordo com a notícia avançada pela Autocar, o modelo deverá ser apresentado sob a forma de concept no Salão Automóvel de Paris, em outubro, antecipando um lançamento previsto dentro de dois anos. A proposta visa responder ao aumento contínuo do preço médio dos automóveis novos, que tem afastado muitos consumidores.
Segundo Chardon, a Europa permanece como a única grande região automóvel que ainda não recuperou dos efeitos da pandemia. O responsável aponta para uma quebra de cerca de três milhões de compradores anuais face ao período pré-Covid, sendo que cerca de 60% desse défice resulta da ausência de modelos abaixo dos 15.000 euros.
Este contexto tem levado ao envelhecimento do parque automóvel europeu, cuja média já ultrapassa os 12 anos — mais dois anos do que há meia década — refletindo a preferência dos consumidores por manter os seus veículos atuais.
Inspirando-se no papel histórico de modelos como o Citroën 2CV, o Fiat 500, o Volkswagen Beetle e o Austin Mini, a Citroën pretende lançar um “carro do povo” adaptado à realidade elétrica.
Tal como no pós-guerra, quando estes modelos democratizaram o acesso à mobilidade, o objetivo agora passa por tornar os veículos elétricos financeiramente acessíveis a uma nova geração de utilizadores urbanos.
Este novo modelo será, na prática, um sucessor indireto do Citroën C1 a combustão e poderá posicionar-se como um dos elétricos “de tamanho normal” mais baratos do mercado. Espera-se que custe significativamente menos do que o Citroën ë-C3, já considerado uma das opções mais acessíveis no segmento.
A estratégia passa também por cumprir futuras exigências regulamentares europeias, garantindo simultaneamente viabilidade económica na produção.
Embora inspirado na filosofia do 2CV, o novo elétrico não será uma recriação retro. Chardon sublinha que o foco está no propósito original: garantir mobilidade acessível. Se antes o alvo eram agricultores, hoje poderá ser, por exemplo, uma enfermeira ou jovens profissionais urbanos.
A Citroën reconhece o valor emocional do 2CV, mas evita apostar apenas no design nostálgico. Apesar do sucesso de relançamentos como o Fiat 500 ou do futuro Renault 5, a marca defende que “nostalgia pela nostalgia” não é uma solução garantida.
O desafio passa por equilibrar herança e inovação, criando um modelo relevante para o presente — e, sobretudo, acessível. Num mercado europeu pressionado pelos preços e pela transição energética, a Citroën aposta num elétrico compacto e económico como peça-chave para democratizar novamente o automóvel — agora em versão elétrica.