GWM admite cópia de campanha do Range Rover Sport e pede desculpa

O presidente da Great Wall Motor, Wei Jianjun, pediu desculpa publicamente depois de a empresa confirmar que um cartaz do Wey V9X copiou elementos de uma campanha de 2025 do Range Rover Sport. A investigação revelou cópia quase 1:1, levando à remoção do material e à assunção de responsabilidades legais

A polémica surgiu quando utilizadores das redes sociais e especialistas em marketing automóvel notaram semelhanças evidentes entre um cartaz promocional do novo SUV premium da marca Wey e uma campanha lançada em 2025 para o Range Rover Sport.

Perante as acusações, a Great Wall Motor iniciou uma investigação interna para verificar se existia efetivamente violação de propriedade intelectual. Segundo a própria empresa, a análise concluiu que o material promocional apresentava uma reprodução quase idêntica da linguagem visual utilizada pela campanha original.

Entre os elementos considerados semelhantes estavam a composição gráfica do cartaz, o posicionamento do veículo na imagem, a paleta de cores utilizada, bem como a tipografia e o layout geral da peça publicitária. Além disso, a investigação apontou também semelhanças no conceito criativo da imagem, reforçando a conclusão de que o material promocional reproduzia de forma muito próxima a campanha original.

Após a confirmação, a empresa decidiu retirar imediatamente o material de circulação e iniciar procedimentos internos para apurar responsabilidades.

Pedido de desculpas público do presidente da empresa

Num vídeo divulgado a 6 de março, o presidente da Great Wall Motor, Wei Jianjun, dirigiu-se diretamente ao público e aos parceiros da indústria automóvel para reconhecer o erro.

No comunicado, o responsável afirmou que a empresa não tolera violações de direitos de autor e que o incidente contraria os princípios que a marca pretende seguir no desenvolvimento das suas campanhas e produtos.

Wei Jianjun declarou que a empresa aceita totalmente a responsabilidade pelo ocorrido, reconhecendo que a situação representa uma falha nos processos internos de revisão e controlo. O presidente da GWM acrescentou ainda que a empresa está disposta a assumir e compensar quaisquer danos legais ou económicos resultantes do incidente.

O executivo sublinhou ainda que a empresa está a reforçar os seus mecanismos internos de controlo para evitar situações semelhantes no futuro.

Diretor de marketing também assume falha grave

Além do presidente, também o responsável pela área de marketing da marca Wey, Zhao Yongpo, pediu desculpa publicamente.

O responsável classificou o incidente como “uma falha grave no respeito pelo design original e pela criatividade da indústria”.

Segundo Zhao Yongpo, a campanha deveria ter passado por um processo mais rigoroso de validação antes da sua divulgação pública.

Entre as medidas anunciadas está uma revisão completa dos processos criativos, acompanhada de uma auditoria às campanhas de marketing mais recentes. A empresa revelou ainda que irá implementar novas regras internas de verificação de originalidade, com o objetivo de garantir que todos os materiais promocionais respeitam rigorosamente os princípios de criatividade própria e de propriedade intelectual.

A importância da propriedade intelectual na indústria automóvel

Casos de alegada cópia criativa não são incomuns na indústria automóvel, especialmente num mercado altamente competitivo onde as marcas disputam atenção global.

A identidade visual e o storytelling de marketing tornaram-se ferramentas fundamentais para diferenciar produtos num setor onde muitos veículos partilham tecnologias semelhantes. Ao mesmo tempo, o design exterior assume um impacto cada vez maior na decisão de compra, enquanto as campanhas publicitárias desempenham um papel essencial na construção de um posicionamento premium e na perceção de valor das marcas.

Empresas como a Jaguar Land Rover — fabricante do Range Rover — investem milhões em campanhas de marketing e branding, pelo que qualquer reprodução não autorizada pode representar violação de direitos de autor e danos reputacionais.

Wey V9X: o SUV premium que está no centro da polémica

O veículo associado ao cartaz controverso é o Wey V9X, um SUV topo de gama da submarca premium da Great Wall Motor.

A Wey foi criada para competir com marcas internacionais no segmento premium, onde dominam fabricantes europeus e japoneses.

O V9X foi concebido para se posicionar como um SUV híbrido de luxo, pensado para rivalizar diretamente com modelos premium europeus e destacar-se como um veículo com forte aposta em tecnologia e conforto. Entre as características esperadas do modelo estão sistemas avançados de assistência à condução, interiores de elevada qualidade, tecnologia híbrida ou eletrificada e um design desenvolvido com foco no mercado global.

A polémica surge num momento sensível, já que a GWM procura expandir a presença internacional da Wey, incluindo na Europa.

Range Rover Sport: um ícone do segmento premium

O Range Rover Sport é um dos modelos mais reconhecidos do segmento SUV premium de luxo.

Produzido pela Jaguar Land Rover, o modelo combina capacidades off-road avançadas, um elevado nível de luxo no interior, uma forte presença visual no design exterior e motores de alto desempenho, características que ajudam a consolidar a sua posição entre os SUV premium mais reconhecidos do mercado.

Desde o seu lançamento, o modelo tornou-se uma referência em design e marketing automóvel, com campanhas frequentemente elogiadas pela indústria criativa.

A campanha de 2025 que serviu de referência no caso em questão destacou-se precisamente pelo seu minimalismo visual e forte impacto gráfico, o que facilitou a identificação das semelhanças por parte do público.

Redes sociais amplificaram a controvérsia

A polémica ganhou visibilidade depois de comparações entre os dois cartazes terem sido partilhadas em redes sociais e fóruns especializados em design e automóveis.

As imagens colocadas lado a lado mostravam um enquadramento quase idêntico do veículo, acompanhado por uma iluminação muito semelhante e por uma composição gráfica extremamente próxima, reforçando a perceção de que os dois materiais promocionais partilhavam vários elementos visuais em comum.

Especialistas em marketing apontaram que as semelhanças eram suficientemente claras para levantar suspeitas de cópia direta.

Em poucos dias, o caso tornou-se viral em várias plataformas digitais, aumentando a pressão sobre a GWM para responder rapidamente.

Estratégia de transparência para controlar danos

A resposta pública rápida da empresa é vista por analistas como uma tentativa de conter danos reputacionais.

No mercado automóvel global, a reputação de uma marca pode ser afetada não apenas por problemas técnicos, mas também por controvérsias relacionadas com ética empresarial e propriedade intelectual.

Ao reconhecer o erro e assumir responsabilidades, a GWM procura demonstrar transparência perante o público, proteger a confiança de parceiros e clientes e evitar uma possível escalada legal mais complexa associada ao caso.

Especialistas em comunicação de crise consideram que a admissão pública de culpa, embora rara em grandes empresas, pode ajudar a limitar impactos negativos a longo prazo.

A crescente pressão sobre marcas chinesas no mercado global

O incidente ocorre num momento em que fabricantes chineses estão a ganhar destaque internacional.

Empresas como a Great Wall Motor, BYD ou Geely estão a expandir rapidamente a sua presença em mercados europeus e globais.

Esse crescimento traz também maior escrutínio internacional, sobretudo em áreas como a proteção da propriedade intelectual, o design automóvel, os padrões de segurança e qualidade e as práticas de marketing adotadas pelas marcas.

Qualquer controvérsia pode ser amplificada no contexto geopolítico e competitivo atual.

O impacto potencial para a GWM

Apesar da polémica, analistas acreditam que o impacto direto nas vendas poderá ser limitado, especialmente no mercado chinês.

No entanto, a situação pode ter implicações mais relevantes em mercados internacionais, onde a reputação da marca ainda está a ser construída.

Entre os possíveis efeitos estão uma maior vigilância sobre campanhas futuras, o reforço dos processos criativos internos e a necessidade de reposicionamento da comunicação da marca Wey, de forma a recuperar a confiança do público e do mercado.

Por outro lado, a reação rápida da empresa poderá ajudar a mitigar danos a longo prazo.

O que muda depois deste caso

Após o incidente, a Great Wall Motor anunciou várias medidas para evitar novos problemas semelhantes, incluindo o reforço das auditorias criativas antes da publicação de campanhas, a criação de equipas dedicadas à verificação da propriedade intelectual, a implementação de formação interna sobre direitos de autor e design e a revisão das parcerias com agências de marketing, com o objetivo de assegurar que todos os materiais promocionais respeitam padrões elevados de originalidade e conformidade legal.

Estas mudanças pretendem garantir que a expansão global da empresa seja acompanhada por práticas alinhadas com os padrões internacionais da indústria.

Um alerta para a indústria criativa automóvel

O episódio também funciona como lembrete para todo o setor automóvel: no atual ambiente digital, qualquer semelhança criativa pode ser rapidamente detetada pelo público.

Com redes sociais e comunidades online altamente atentas, campanhas publicitárias são analisadas ao detalhe — muitas vezes por milhões de pessoas.

Isso significa que as marcas globais precisam de investir não apenas em criatividade, mas também em verificação da originalidade dos conteúdos, proteção legal das suas criações e gestão rápida de crises, de modo a minimizar riscos reputacionais e legais no mercado internacional.

O pedido público de desculpas da Great Wall Motor marca um raro momento de reconhecimento de erro numa indústria altamente competitiva.

A confirmação de que o cartaz do Wey V9X reproduziu elementos de uma campanha do Range Rover Sport obrigou a empresa a agir rapidamente, removendo o material e assumindo responsabilidades.

Embora o impacto final ainda seja incerto, o episódio reforça uma realidade cada vez mais evidente: no mercado automóvel global, criatividade, reputação e respeito pela propriedade intelectual são tão importantes quanto tecnologia e desempenho.